Economia brasileira cresce em maio enquanto inflação ao produtor recua; IBC-Br avança e IGP-10 registra forte queda em julho
Prévia do PIB do Banco Central aponta estabilidade da atividade econômica, enquanto o IGP-10 amplia deflação com queda dos preços do petróleo e das matérias-primas, reforçando sinais de desaceleração inflacionária.
Publicado em: 17/07/2026 às 11:06hs
A economia brasileira manteve trajetória positiva em maio, ainda que em ritmo moderado. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de 0,07% na comparação com abril, desempenho ligeiramente acima das expectativas do mercado, que projetava estabilidade.
Ao mesmo tempo, os indicadores de inflação mostram um ambiente de menor pressão sobre os custos da economia. O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) caiu 1,13% em julho, intensificando a deflação observada em junho (-0,30%), impulsionado principalmente pela queda dos preços do petróleo e de diversas commodities.
O conjunto dos indicadores reforça um cenário de crescimento econômico moderado combinado com desaceleração das pressões inflacionárias, fator acompanhado de perto pelo mercado financeiro, Banco Central e investidores.
IBC-Br confirma crescimento da atividade econômica
Segundo o Banco Central, o IBC-Br atingiu 111 pontos na série dessazonalizada, registrando expansão de 0,07% em maio frente ao mês anterior.
Na comparação com maio de 2025, o indicador apresentou avanço de 0,80%, enquanto no acumulado do ano o crescimento chega a 1,24%.
Os números também mostram evolução consistente em períodos mais amplos:
- alta de 1,75% frente ao mesmo trimestre do ano anterior;
- crescimento de 0,72% sobre o trimestre imediatamente anterior;
- avanço de 1,35% no acumulado de 12 meses.
O IBC-Br é utilizado pelo mercado como um importante termômetro da economia brasileira por antecipar a tendência do Produto Interno Bruto (PIB), embora não substitua os dados oficiais divulgados pelo IBGE.
IGP-10 amplia deflação em julho
Enquanto a atividade econômica manteve crescimento moderado, os indicadores de preços apontaram desaceleração significativa.
O IGP-10 registrou queda de 1,13% em julho, acumulando:
- alta de 2,00% em 2026;
- avanço de 2,68% nos últimos 12 meses.
Segundo o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, o principal fator responsável pela intensificação da queda foi a redução das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, que provocou recuo nas cotações internacionais do petróleo.
A diminuição dos preços do barril reduziu os custos de combustíveis e derivados, influenciando diretamente diversos segmentos da cadeia produtiva.
Apesar desse movimento, alguns derivados petroquímicos continuam pressionados. Os óleos lubrificantes, por exemplo, seguem registrando altas expressivas devido aos custos internacionais de frete, volatilidade cambial e aumento dos preços dos óleos básicos.
Matérias-primas puxam queda no atacado
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente de maior peso do IGP-10, caiu 1,76% em julho, aprofundando a retração observada em junho.
O destaque ficou para o grupo de Matérias-Primas Brutas, cuja queda acelerou para 4,47%, refletindo o comportamento das commodities e dos insumos industriais.
Já os Bens Intermediários apresentaram leve aceleração, enquanto os Bens Finais inverteram o movimento e passaram a registrar recuo.
O resultado indica perda de força das pressões inflacionárias ainda nas primeiras etapas da cadeia produtiva.
Inflação ao consumidor desacelera
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para 0,23% em julho, após registrar alta de 0,56% no mês anterior.
Entre os principais grupos que contribuíram para essa desaceleração estão:
- Alimentação;
- Habitação;
- Vestuário;
- Saúde e Cuidados Pessoais;
- Despesas Diversas.
Em contrapartida, Transportes, Educação e Comunicação apresentaram aceleração moderada.
O comportamento do IPC reforça a percepção de menor pressão inflacionária também sobre o consumidor.
Construção civil mantém alta de custos
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,65% em julho, abaixo da alta de 0,92% registrada em junho.
A desaceleração foi influenciada pela menor variação dos grupos de Materiais e Equipamentos e Serviços.
Por outro lado, os custos com mão de obra continuaram avançando, registrando alta de 0,96%, mantendo pressão sobre o setor da construção civil.
Cenário econômico combina crescimento moderado e inflação mais controlada
Os dados divulgados nesta sexta-feira reforçam um cenário de equilíbrio para a economia brasileira. Enquanto o IBC-Br indica continuidade da expansão da atividade econômica, ainda que em ritmo moderado, os índices de preços mostram desaceleração importante da inflação, especialmente nos custos de produção.
Para o mercado, a combinação de crescimento positivo com inflação mais comportada tende a fortalecer as expectativas para a política monetária ao longo dos próximos meses, embora fatores externos — como oscilações do petróleo, conflitos geopolíticos e volatilidade cambial — permaneçam no radar e possam influenciar a trajetória da economia brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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