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Açúcar amplia perdas nas bolsas internacionais com avanço da oferta, clima favorável e demanda enfraquecida

Cotações do açúcar recuam em Nova York, Londres e mercado brasileiro; melhora do clima na Índia, colheita acelerada no Brasil e menor demanda pressionam preços do açúcar e do etanol


Publicado em: 17/07/2026 às 11:30hs

Açúcar amplia perdas nas bolsas internacionais com avanço da oferta, clima favorável e demanda enfraquecida

O mercado mundial de açúcar voltou a registrar forte pressão nesta quinta-feira (16), com quedas nas bolsas de Nova York e Londres diante da combinação de fatores que reforçam uma perspectiva de maior oferta global. A melhora das condições climáticas na Índia, o avanço da colheita da cana-de-açúcar no Brasil, a retração da demanda no mercado físico e a realização de lucros por fundos de investimento ampliaram o movimento de baixa das cotações internacionais.

No mercado brasileiro, o cenário também foi negativo. O açúcar cristal registrou nova desvalorização no Indicador CEPEA/ESALQ, enquanto o etanol hidratado voltou a cair em Paulínia, refletindo o aumento da oferta da safra 2026/27 e um ritmo mais lento das negociações.

Açúcar bruto fecha em queda na Bolsa de Nova York

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram o pregão em baixa, atingindo os menores níveis das últimas duas semanas.

O contrato com vencimento em outubro de 2026 caiu 0,41 centavo de dólar, ou 2,8%, fechando cotado a 14,44 cents de dólar por libra-peso. Durante a sessão, a posição chegou à mínima de 14,37 cents/lbp, refletindo o aumento da pressão vendedora.

Os demais vencimentos também acompanharam o movimento:

  • Março/2027: 15,37 cents/lbp, queda de 0,40 centavo (-2,53%);
  • Maio/2027: 15,20 cents/lbp, baixa de 0,39 centavo;
  • Demais contratos encerraram o dia com perdas generalizadas.
Açúcar branco também recua em Londres

Na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco repetiu o desempenho negativo observado em Nova York.

Os principais contratos fecharam em queda:

  • Agosto/2026: US$ 443,50 por tonelada, baixa de US$ 5,70;
  • Outubro/2026: US$ 454,60 por tonelada, queda de US$ 6,20;
  • Dezembro/2026: US$ 453,20 por tonelada, recuo de US$ 7,20.

O movimento acompanha a percepção de maior disponibilidade global do produto e menor preocupação com eventuais problemas climáticos nas principais regiões produtoras.

Clima favorável reduz riscos para a safra mundial

Um dos principais fatores de pressão sobre as cotações continua sendo a melhora das condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.

Dados meteorológicos indicam redução do déficit de chuvas durante o período das monções, diminuindo os riscos para a produção indiana e aumentando a expectativa de recuperação da oferta global nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, no Brasil, as condições climáticas permaneceram favoráveis para o avanço da colheita da cana-de-açúcar, reforçando a expectativa de maior disponibilidade de matéria-prima para a produção de açúcar e etanol.

Demanda mais fraca pesa sobre os preços

Além da melhora da oferta, analistas destacam que a demanda pelo açúcar físico segue enfraquecida, fator que também contribui para a pressão sobre os contratos futuros.

O menor interesse comprador ocorre justamente após semanas de valorização expressiva do mercado, reduzindo o ritmo das negociações internacionais e favorecendo correções técnicas.

Outro componente importante foi a realização de lucros por parte dos fundos de investimento. Após ampliarem significativamente suas posições compradas, investidores aproveitaram o movimento para vender contratos e garantir ganhos.

Relatórios do mercado financeiro mostram que os fundos seguem com posições líquidas compradas em níveis historicamente elevados, cenário que pode continuar aumentando a volatilidade das cotações nas próximas sessões.

Açúcar cristal cai no mercado brasileiro

No mercado interno, o Indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco em São Paulo também registrou nova queda.

A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 91,15, representando recuo diário de 0,47%.

Com esse desempenho, o indicador passou a acumular queda de 0,13% em julho, refletindo:

  • maior oferta disponível;
  • ritmo mais lento das negociações;
  • cautela dos compradores;
  • pressão exercida pelo mercado internacional.
Etanol amplia desvalorização

O mercado de etanol hidratado também encerrou o dia em baixa.

Segundo o Indicador Diário Paulínia, o combustível foi negociado a R$ 2.209,00 por metro cúbico, com recuo de 1,10% frente ao dia anterior.

No acumulado de julho, a desvalorização já alcança 6,62%, acompanhando o aumento da moagem da cana e o avanço da oferta da safra 2026/27.

Mercado segue atento ao clima e aos fundos

Os próximos movimentos do mercado deverão continuar sendo influenciados pela evolução das condições climáticas nos principais países produtores, especialmente Brasil e Índia, além do comportamento dos fundos de investimento.

Caso o cenário de maior oferta global seja confirmado nas próximas semanas e a demanda internacional permaneça moderada, analistas avaliam que as cotações do açúcar poderão seguir pressionadas no curto prazo. Por outro lado, qualquer mudança relevante nas condições climáticas ou na produção poderá elevar novamente a volatilidade dos preços nas bolsas internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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