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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo enfrenta pressão no Brasil apesar da alta em Chicago; maior oferta global limita valorização do cereal

Baixa demanda dos moinhos, estoques ajustados e competitividade do trigo do Mar Negro e da Argentina mantêm mercado cauteloso, enquanto produtores acompanham o avanço da nova safra no Sul do Brasil


Publicado em: 17/07/2026 às 11:50hs

Preço do trigo enfrenta pressão no Brasil apesar da alta em Chicago; maior oferta global limita valorização do cereal

O mercado de trigo encerra a semana com sinais distintos entre o cenário internacional e o mercado doméstico. Enquanto os contratos futuros registram leve alta na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionados pela menor produção dos Estados Unidos e pela redução dos estoques globais, os preços no Brasil continuam pressionados pela baixa demanda da indústria, liquidez reduzida e maior competitividade do trigo importado.

A combinação entre oferta internacional elevada, demanda moderada e proximidade da nova safra no Sul do país mantém compradores e vendedores cautelosos, reduzindo o ritmo dos negócios e limitando novas altas nas cotações.

Mercado brasileiro de trigo segue com baixa liquidez

No Sul do Brasil, o mercado permanece travado, com negociações pontuais e preços praticamente estáveis. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, os moinhos seguem abastecidos, operam com ritmo menor de moagem e demonstram pouca necessidade de novas aquisições.

No Rio Grande do Sul, faltam cerca de dois meses e meio para o início da nova colheita. A expectativa da safra reduz o interesse por compras imediatas, enquanto a demanda por farinha continua enfraquecida.

Outro fator que influencia os preços é a elevada disponibilidade de sementes, que pressiona as negociações. Os negócios envolvendo sementes giram ao redor de R$ 1.250 por tonelada, enquanto lotes de trigo comercial são negociados entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada.

Volumes mais expressivos já foram comercializados anteriormente entre R$ 1.350 e R$ 1.380 por tonelada, reduzindo espaço para novas valorizações no curto prazo.

Além disso, os moinhos relatam problemas de qualidade em parte do trigo gaúcho, principalmente em função da incidência elevada de DON (Deoxinivalenol), micotoxina que compromete o aproveitamento industrial do cereal.

Santa Catarina registra negociações lentas

Em Santa Catarina, o mercado segue praticamente parado.

As ofertas variam entre:

  • Trigo-pão: R$ 1.300 a R$ 1.350 por tonelada;
  • Trigo branqueador: R$ 1.360 a R$ 1.400 por tonelada.

Apesar das indicações, ainda não há confirmação de negócios relevantes. No mercado de balcão, os preços permanecem estáveis na maior parte das regiões produtoras, com pequenas altas apenas em municípios como Canoinhas e São Miguel do Oeste.

Paraná mantém maior firmeza nos preços

O Paraná continua apresentando o mercado mais aquecido da Região Sul.

Embora a safra velha permaneça praticamente estável, o Cepea registra valorização mensal de 1,83% nas cotações.

Nos Campos Gerais, compradores oferecem aproximadamente R$ 1.450 por tonelada CIF. Já no Norte do Estado, as indicações chegam entre R$ 1.520 e R$ 1.530 por tonelada, posto moinho.

A menor disponibilidade de trigo de qualidade continua favorecendo as importações do Paraguai, alternativa utilizada pela indústria para suprir a demanda.

Para a nova safra, entretanto, ainda não há volume significativo de negociações. As indicações permanecem próximas de R$ 1.450 por tonelada CIF, para entrega entre o final de agosto e setembro.

Chicago sobe com menor safra dos EUA

No mercado internacional, os contratos futuros do trigo iniciaram esta sexta-feira em alta na Bolsa de Chicago.

Os principais vencimentos registravam:

  • Setembro/2026: US$ 6,79 por bushel;
  • Dezembro/2026: US$ 6,95 por bushel;
  • Março/2027: US$ 7,08 por bushel.

O movimento reflete os números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em seu relatório mensal de oferta e demanda.

A produção norte-americana foi revisada para 41,8 milhões de toneladas — o menor volume desde a safra 1970/71.

Os estoques finais dos Estados Unidos também foram reduzidos para 19,7 milhões de toneladas, aproximadamente 22% abaixo da temporada anterior.

No cenário global, o USDA revisou os estoques mundiais de trigo de 275 milhões para 273 milhões de toneladas, fator que oferece sustentação às cotações internacionais.

Oferta do Mar Negro limita valorização internacional

Apesar dos fundamentos positivos para Chicago, o mercado mundial continua encontrando dificuldades para uma recuperação mais consistente.

Segundo análise de Élcio Bento, especialista em trigo da Safras & Mercado, o principal fator de contenção continua sendo a elevada competitividade dos exportadores da região do Mar Negro.

O USDA elevou as estimativas de produção e exportação da Rússia e da Ucrânia após condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento das lavouras.

As projeções indicam:

  • Rússia: exportações de 47,5 milhões de toneladas;
  • Ucrânia: exportações de 14,5 milhões de toneladas.

O aumento da disponibilidade desses países amplia a concorrência no mercado internacional e reduz o impacto da menor produção norte-americana sobre os preços globais.

Argentina amplia competitividade no mercado brasileiro

Outro fator importante destacado pelos analistas é a revisão para cima das exportações argentinas.

Como principal fornecedora de trigo ao Brasil, a Argentina deverá ampliar sua presença no mercado brasileiro ao longo da temporada.

A maior disponibilidade do cereal argentino tende a preservar a competitividade das importações e reduzir pressões de alta sobre os preços internos, principalmente nas regiões que dependem do abastecimento externo.

Perspectiva para o mercado

O mercado de trigo entra na segunda metade de julho equilibrando fatores de alta e de baixa.

De um lado, a menor safra dos Estados Unidos e a redução dos estoques globais oferecem sustentação às cotações internacionais.

Do outro, o avanço da oferta da Rússia, Ucrânia e Argentina, aliado à baixa demanda dos moinhos brasileiros e à expectativa pela nova safra nacional, continua limitando movimentos mais fortes de valorização.

No curto prazo, a tendência é de manutenção de um mercado seletivo, com compradores priorizando qualidade, liquidez reduzida e preços relativamente estáveis, enquanto produtores acompanham o desenvolvimento das lavouras de inverno e a evolução do cenário internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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