Custos de produção do agro caem em junho, mas Farsul alerta para nova alta com avanço do petróleo
Índice de custos recuou 1,24% impulsionado pela queda do petróleo e dos fertilizantes, porém recuperação das cotações internacionais já pressiona novamente o orçamento do produtor rural.
Publicado em: 28/07/2026 às 11:45hs
O custo de produção da agropecuária do Rio Grande do Sul registrou queda de 1,24% em junho, segundo o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), elaborado mensalmente pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). A redução foi impulsionada principalmente pela desvalorização do petróleo após o anúncio de um cessar-fogo temporário no Oriente Médio e pela retomada das exportações chinesas de ureia, fatores que reduziram os gastos com combustíveis e fertilizantes.
Apesar do resultado positivo, a entidade alerta que o alívio deve ser temporário. A retomada das tensões geopolíticas voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo em julho, aumentando novamente o risco de elevação dos custos para os produtores rurais.
Queda mensal não elimina pressão acumulada
Mesmo com o recuo observado em junho, os custos da atividade agropecuária permanecem acima dos níveis registrados no início do ano.
De acordo com a Farsul, o IICP acumula:
- Alta de 4,63% em 2026;
- Elevação de 1,50% nos últimos 12 meses.
Os números mostram que a redução registrada em junho não foi suficiente para compensar as pressões provocadas pelo aumento dos preços dos insumos desde o agravamento do conflito no Oriente Médio.
Combustíveis, fertilizantes e demais insumos agrícolas continuam altamente dependentes das oscilações do mercado internacional de energia, tornando o custo de produção sensível aos eventos geopolíticos.
Produtor recebe menos mesmo com inflação dos alimentos
Enquanto os custos seguem elevados, os preços recebidos pelos produtores continuam pressionados.
O Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) registrou alta de apenas 0,19% em junho, resultado influenciado principalmente pela valorização sazonal do trigo durante o período de entressafra.
No acumulado, porém, o cenário permanece desfavorável:
- Queda de 3,86% no ano;
- Retração de 5,79% em 12 meses.
Segundo a Farsul, apenas o boi gordo apresentou valorização na comparação anual. Produtos importantes para o Rio Grande do Sul, como arroz e suínos, seguem pressionados pela ampla oferta disponível no mercado, reduzindo a rentabilidade dos produtores.
Inflação no supermercado não tem origem no campo
O levantamento evidencia um contraste entre os preços recebidos no campo e aqueles pagos pelos consumidores.
Enquanto o IIPR acumula queda de 5,79% nos últimos 12 meses, o grupo Alimentos e Bebidas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresenta alta de 3,82% no mesmo período.
Já o IICP, que mede os custos de produção, avançou 1,50% em 12 meses.
Para a Farsul, esse descompasso demonstra que a inflação percebida nas prateleiras dos supermercados não é consequência direta do aumento dos preços pagos ao produtor rural.
Segundo a entidade, parte significativa da elevação dos preços ocorre nas etapas posteriores da cadeia produtiva, envolvendo custos industriais, transporte, armazenagem, distribuição, varejo e fatores macroeconômicos.
Petróleo volta ao radar e pode pressionar o agro
A recuperação das cotações internacionais do petróleo ao longo de julho reforça a preocupação do setor produtivo.
Como combustíveis e fertilizantes possuem forte influência sobre o custo operacional das lavouras, qualquer nova escalada das tensões geopolíticas pode elevar novamente as despesas do produtor, reduzindo as margens de rentabilidade justamente em um momento em que os preços agrícolas permanecem enfraquecidos.
A Farsul destaca que o cenário exige cautela no planejamento financeiro das propriedades rurais, já que os custos seguem sujeitos à volatilidade do mercado internacional, enquanto a remuneração obtida pela venda da produção continua pressionada pela elevada oferta de importantes commodities agropecuárias.
Planejamento será decisivo para preservar a rentabilidade
O levantamento mostra que o produtor rural enfrenta um cenário de margens cada vez mais estreitas. Mesmo diante de um breve alívio nos custos de produção, fatores externos, como conflitos geopolíticos e oscilações do mercado de energia, continuam exercendo forte influência sobre a atividade.
Ao mesmo tempo, os preços recebidos pela produção permanecem abaixo dos níveis registrados há um ano, reforçando a necessidade de gestão eficiente dos custos, planejamento financeiro e adoção de estratégias que aumentem a competitividade das propriedades em um ambiente de elevada volatilidade econômica.
Fonte: Portal do Agronegócio
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