Custos de produção de frango e suíno sobem em agosto, aponta Embrapa
Ração pressiona despesas da avicultura e da suinocultura, enquanto custos acumulados no ano apresentam comportamentos diferentes em Paraná e Santa Catarina
Publicado em: 23/09/2026 às 16:00hs
Os custos de produção de frango de corte e de suíno vivo avançaram em agosto de 2026 nos dois principais estados de referência para o acompanhamento da avicultura e da suinocultura brasileiras. Os dados são da Embrapa Suínos e Aves, divulgados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS).
No Paraná, o custo de produção do frango de corte aumentou 1,56% em agosto, enquanto em Santa Catarina o custo do suíno vivo subiu 0,96%. A ração continuou sendo o principal componente das despesas nas duas cadeias.
Custo do frango de corte sobe para R$ 4,85 por quilo no Paraná
No Paraná, o custo de produção do frango de corte passou de R$ 4,77 por quilo em julho para R$ 4,85/kg em agosto, avanço de 1,56%.
O ICPFrango alcançou 374,97 pontos no mês. No acumulado de janeiro a agosto, o índice registra alta de 4,10%. Considerando os últimos 12 meses, a elevação chega a 5,48%.
A alimentação dos animais segue como principal fator de pressão sobre os custos. Em agosto, a ração respondeu por 63,87% do custo total de produção do frango no Paraná.
O componente registrou alta de 3,77% no mês e acumula aumento de 5,30% em 12 meses.
Já os gastos com a aquisição de pintainhos de um dia, que representaram 18,45% do custo total, tiveram queda de 5,52% em agosto. Apesar do recuo mensal, o componente acumula alta de 9,16% nos últimos 12 meses.
Suinocultura registra alta de 0,96% em Santa Catarina
Na produção de suínos, o custo do suíno vivo em Santa Catarina avançou de R$ 6,29/kg em julho para R$ 6,35/kg em agosto, crescimento de 0,96%.
O ICPSuíno atingiu 363,13 pontos.
Apesar da alta mensal, o indicador apresenta comportamento diferente nos períodos acumulados. Entre janeiro e agosto, o custo registra queda de 2,04%. Já na comparação dos últimos 12 meses, há aumento de 1,74%.
Assim como ocorre na avicultura, a alimentação representa a maior parcela das despesas. A ração correspondeu a 72,53% do custo total da suinocultura catarinense em agosto.
O componente subiu 0,98% no mês e acumula alta de 4,29% em 12 meses.
Paraná e Santa Catarina são referências nacionais
A escolha de Paraná e Santa Catarina como estados de referência nos cálculos dos índices da CIAS está relacionada à concentração da produção brasileira.
O Paraná é utilizado como referência para os custos da avicultura de corte, enquanto Santa Catarina é a base para o acompanhamento dos custos da suinocultura.
Além desses estados, a Central de Inteligência de Aves e Suínos disponibiliza estimativas de custos para Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
A abrangência permite acompanhar diferentes sistemas produtivos e fornece informações para a gestão técnica e econômica das propriedades.
Periodicidade dos dados varia conforme o estado
Nos estados da Região Sul — Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul — os custos de produção são calculados e divulgados mensalmente.
Para Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, a atualização ocorre trimestralmente.
Em Goiás e Minas Gerais, os coeficientes zootécnicos utilizados para calcular os custos foram revisados e atualizados em abril de 2026. As novas referências passaram a subsidiar os cálculos publicados a partir de junho.
Embrapa oferece ferramentas para gestão dos custos
Além dos indicadores, a Embrapa disponibiliza ferramentas gratuitas para auxiliar produtores e gestores na administração das atividades.
Entre elas está o aplicativo Custo Fácil, disponível para Android, que permite gerar relatórios personalizados e separar despesas relacionadas à mão de obra familiar.
A CIAS também oferece uma planilha de custos para granjas integradas de suínos e frangos de corte, permitindo maior detalhamento das despesas e acompanhamento da evolução dos gastos.
Ração mantém peso decisivo na formação dos custos
Os números de agosto reforçam o peso da alimentação na formação dos custos da avicultura e da suinocultura. No Paraná, a ração representou quase dois terços das despesas do frango de corte. Em Santa Catarina, respondeu por mais de 70% do custo do suíno vivo.
O acompanhamento periódico dos indicadores permite aos produtores avaliar a evolução das despesas, identificar os principais componentes de pressão e utilizar os dados como apoio ao planejamento econômico das granjas.
Os índices de custo de produção da Embrapa funcionam, assim, como uma referência para acompanhar a rentabilidade e orientar decisões relacionadas à alimentação, aquisição de animais, eficiência produtiva e gestão das propriedades.
Fonte: Portal do Agronegócio
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