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Arroz

Arroz: dólar perto de R$ 5,50 sustenta preços, mas negócios seguem travados no Brasil

Valorização em Chicago e competitividade nas exportações favorecem o cereal brasileiro, enquanto vendas lentas do beneficiado limitam compras da indústria


Publicado em: 06/11/2026 às 19:00hs

Arroz: dólar perto de R$ 5,50 sustenta preços, mas negócios seguem travados no Brasil
Foto: Paulo Rossi

O mercado brasileiro de arroz encontra sustentação no câmbio e nas cotações de Chicago, mas esses fatores ainda não foram suficientes para acelerar os negócios ou provocar uma alta generalizada no mercado físico. Segundo Evandro Oliveira, analista e consultor de Safras & Mercado, o giro lento do arroz beneficiado e as margens comprimidas mantêm a indústria cautelosa nas compras.

Ao mesmo tempo, as incertezas sobre a formação das lavouras no Rio Grande do Sul podem influenciar a disposição dos produtores de negociar os estoques remanescentes. Nesse cenário, a quantidade de arroz efetivamente colocada à venda ganha importância ao lado das projeções para a próxima colheita.

Plantio chega a 75,70% no RS, mas formação das lavouras preocupa

O levantamento mais recente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) mostra que a semeadura alcançou 75,70% da área estimada no estado, avanço de 13,84 pontos percentuais em uma semana.

Apesar da aceleração, Oliveira ressalta que o percentual plantado não garante o estabelecimento adequado das lavouras. Relatos de falhas na emergência, necessidade de replantio, excesso de umidade e baixa luminosidade mantêm dúvidas sobre o desenvolvimento da cultura.

A avaliação passa, portanto, a considerar também o estande de plantas, o crescimento vegetativo e eventuais mudanças no calendário de entrada da nova oferta.

Custos de replantio podem estimular retenção dos estoques

As dificuldades no campo podem repercutir na comercialização antes mesmo da colheita. Conforme o consultor, despesas adicionais com replantio e incertezas sobre o potencial produtivo tendem a tornar o orizicultor mais criterioso na venda dos volumes disponíveis.

Essa possível retenção ganha apoio nas referências externas. Na análise apresentada por Oliveira, o dólar próximo de R$ 5,50, o arroz no mercado spot de Chicago em direção a US$ 18 por quintal curto e o contrato de março de 2027 perto de US$ 19 oferecem sustentação às expectativas dos vendedores.

Competitividade abre espaço para exportações de arroz

O preço brasileiro no porto também favorece a busca por compradores internacionais. Segundo Safras & Mercado, a indicação nacional está próxima de US$ 16,50 por saca, diante de referências norte-americanas ao redor de US$ 21,50.

Essa diferença abre espaço para recuperar clientes na América Central, no Caribe e no México, avalia Oliveira.

O potencial de avanço das exportações, porém, ainda convive com baixa liquidez doméstica. A melhora das condições externas não se converteu, até o momento analisado, em valorização disseminada no mercado brasileiro.

Indústria limita compras diante das vendas lentas

No mercado interno, os compradores seguem condicionados ao ritmo de escoamento do arroz beneficiado. Com vendas lentas e margens apertadas, as indústrias priorizam reposições pontuais, sem ampliar significativamente as aquisições.

O resultado é um impasse: produtores encontram argumentos para restringir as ofertas, enquanto os compradores têm pouca margem para elevar os valores pagos pela matéria-prima.

Indicador do arroz fica estável na semana e supera 2025

O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, referente ao produto com rendimento de 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a quinta-feira estável em relação à semana anterior.

Na comparação com o mesmo período do mês passado, o indicador acumulava queda de 0,56%. Frente ao período equivalente de 2025, entretanto, registrava valorização de 50,21%.

Para Oliveira, o mercado reúne fatores de sustentação ligados ao câmbio, a Chicago, à competitividade externa e à possível retenção dos estoques. A intensidade dessa sustentação dependerá da evolução dos negócios, ainda limitada pelo desempenho do beneficiado e pela cautela da indústria.

Fonte: Portal do Agronegócio

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