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Feijão e Pulses

Preço do feijão: carioca perde força nas origens e preto chega a R$ 330 em São Paulo

Demanda cautelosa limita negócios com carioca, enquanto redução dos estoques sustenta o preto; qualidade dos lotes e diferenças regionais orientam negociações.


Publicado em: 06/11/2026 às 18:20hs

Preço do feijão: carioca perde força nas origens e preto chega a R$ 330 em São Paulo
Foto: Everson de Souza

O mercado brasileiro de feijão encerrou a semana com comportamentos distintos entre as variedades. O carioca apresentou baixa liquidez e pressão sobre os preços nas regiões produtoras, enquanto o preto alcançou R$ 330 por saca CIF São Paulo nos melhores padrões, sustentado pela menor disponibilidade.

Segundo Evandro Oliveira, analista de Safras & Mercado, a cautela dos empacotadores mantém as compras de carioca limitadas. No preto, a redução dos estoques fortalece os vendedores, mas a continuidade das altas depende do escoamento da produção e da capacidade de repasse dos custos ao atacado e ao varejo.

Feijão carioca extra é negociado entre R$ 355 e R$ 360

Os negócios com feijão carioca extra ocorreram principalmente fora da Bolsa, entre R$ 355 e R$ 360 por saca CIF São Paulo, em operações à vista e a prazo.

A flexibilização das condições de pagamento tem sido utilizada para viabilizar vendas sem reduções expressivas nas cotações. O recebimento de mercadorias compradas anteriormente também diminui a necessidade de reposição dos empacotadores, em um ambiente de vendas lentas ao varejo e ao atacado.

Os melhores padrões continuam encontrando resistência dos vendedores a descontos. Já lotes com manchas, grãos brotados e bandinhas registraram abatimentos de R$ 5 a R$ 10 por saca, associados às condições de qualidade, sem caracterizar uma queda generalizada.

Goiás, Mato Grosso e São Paulo registram pressão nas origens

Nas regiões produtoras, as referências FOB do carioca ficaram em:

  • Goiás: até R$ 310 por saca;
  • Mato Grosso: R$ 290 por saca;
  • Interior de São Paulo: R$ 340 por saca.

Oliveira destaca que os lotes comerciais enfrentam maior pressão, enquanto os produtos superiores preservam referências mais resistentes.

A entrada inicial da nova safra paulista ainda é limitada e apresenta problemas de qualidade relacionados às chuvas. Por isso, não oferece alívio imediato à disponibilidade de feijão de padrão superior.

Para as próximas semanas, o analista prevê continuidade das compras seletivas, com maior diferenciação conforme a nota de cor, a aparência e os defeitos dos grãos.

“A recuperação dependerá principalmente da melhora das vendas dos empacotadores e da retomada da reposição”, avalia.

Menor estoque sustenta alta do feijão preto

O feijão preto ganhou sustentação com a redução dos estoques remanescentes da safra anterior, especialmente no Paraná, e com alternativas insuficientes de abastecimento em Minas Gerais e Goiás.

Após meses de estabilidade, os negócios com os melhores padrões avançaram gradualmente de R$ 300 para R$ 330 por saca CIF São Paulo.

Na Bolsa, o produto beneficiado atingiu R$ 330 por saca, enquanto a referência do granel ficou em R$ 320. Os padrões comerciais foram indicados entre R$ 270 e R$ 300 por saca, conforme a qualidade e a classificação.

Valorização do preto não é uniforme entre os estados

Apesar da alta observada em São Paulo, as regiões produtoras apresentaram movimentos diferentes.

No interior paulista, circularam indicações de negócios pontuais de até R$ 315 por saca FOB para o extra tipo 1. Esses valores, porém, ainda não possuem confirmação suficiente para constituir uma referência consolidada.

Em Santa Catarina, as indicações recuaram para até R$ 292 por saca, devolvendo parte dos ganhos anteriores. No Paraná, houve relatos isolados de operações a R$ 290 por saca.

“A divergência regional exige cautela, pois a valorização paulista não representa necessariamente um movimento uniforme”, ressalta Oliveira.

O analista também observa que não foram apresentados novos dados de exportação que permitam atribuir o movimento à demanda externa.

Nova safra e consumo vão definir próximos preços

No curto prazo, a menor disponibilidade de feijão preto antigo continua favorecendo os vendedores. Entretanto, o aumento do custo de reposição pressiona os empacotadores, e a resistência do consumidor pode tornar as compras mais espaçadas e limitar novas valorizações.

No Paraná, o plantio da primeira safra 2026/27 alcançou aproximadamente 85% da área estimada, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). O avanço ajuda a acompanhar a futura recomposição da oferta, mas ainda não permite antecipar o volume final da produção.

Para Oliveira, a sustentação dos preços dependerá da confirmação dos negócios nas origens, da qualidade dos novos lotes e do ritmo de comercialização do feijão beneficiado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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