Açúcar: embarques previstos recuam para 1,5 milhão de toneladas; Rabobank vê déficit global
Programação de carregamento nos portos brasileiros cai cerca de 20% na semana; banco estima produção de 37,4 milhões de toneladas no Centro-Sul em 2026/27
Publicado em: 06/11/2026 às 17:30hs
A programação de embarques de açúcar nos portos brasileiros aponta 1,505 milhão de toneladas, ante 1,884 milhão de toneladas na semana anterior, uma redução de aproximadamente 20,1%. O levantamento referente à semana encerrada em 4 de novembro reúne 42 navios e considera embarcações ancoradas, à espera de atracação e com chegada prevista até 4 de dezembro.
O movimento ocorre em um cenário de revisão das expectativas para a oferta brasileira. No relatório Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2027, o Rabobank projeta produção de 37,4 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27 e déficit mundial de 2,2 milhões de toneladas no ciclo internacional 2026/27.
Porto de Santos concentra maior volume de açúcar programado
O Porto de Santos, em São Paulo, responde pela maior parcela dos carregamentos previstos, com 1.046.240 toneladas. Na sequência aparece Paranaguá, no Paraná, com 324.230 toneladas.
A programação também inclui 56.486 toneladas no Recife, 47 mil toneladas em Suape, ambos em Pernambuco, e 31,5 mil toneladas em Maceió, Alagoas.
O açúcar VHP predomina entre as cargas relacionadas no relatório. Também estão previstos embarques de cristal B-150, refinado A45 e açúcar ensacado.
O line-up representa a programação logística dos portos. Portanto, seus volumes estão sujeitos a alterações e não equivalem a exportações já concluídas.
Chuvas reduzem produção de açúcar mais que a moagem
Segundo a análise do Rabobank, as chuvas atípicas durante a safra 2026/27 afetaram o ritmo de processamento, a produtividade dos canaviais e a proporção de matéria-prima direcionada ao açúcar.
Até o fim de setembro, a moagem do Centro-Sul alcançou 482 milhões de toneladas de cana, frente a 490 milhões no mesmo período da temporada anterior, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados pelo banco.
A diferença foi mais expressiva na fabricação de açúcar: a produção somou 28,9 milhões de toneladas, ante 33,5 milhões de toneladas em igual intervalo de 2025/26. A redução corresponde a 4,6 milhões de toneladas.
Na avaliação do banco, as usinas priorizaram ampliar o processamento da cana disponível, uma estratégia que nem sempre permite maximizar simultaneamente a produção de açúcar. A continuidade das chuvas também mantém o risco de parte da matéria-prima permanecer no campo.
Safra 2027/28 pode ampliar oferta brasileira
Para a temporada seguinte, o Rabobank trabalha com a possibilidade de recuperação expressiva no Centro-Sul. As chuvas de 2026 podem favorecer a produtividade em 2027, enquanto um eventual volume de 20 milhões a 30 milhões de toneladas de cana bisada poderia reforçar a disponibilidade para moagem.
Em um cenário de processamento de 655 milhões de toneladas de cana, com 49,5% da matéria-prima destinada ao açúcar, a fabricação poderia atingir 42,5 milhões de toneladas em 2027/28.
Essa possibilidade depende da confirmação das condições agrícolas e industriais consideradas pelo banco. O relatório também aponta que a expansão do etanol de milho pode pressionar os preços do biocombustível e favorecer uma estratégia mais açucareira nas usinas de cana.
Índia e Tailândia sustentam preocupação com abastecimento global
A perspectiva de maior produção brasileira é acompanhada por limitações em importantes fornecedores asiáticos.
Na Tailândia, o Rabobank associa a expectativa de menor produção em 2026/27 principalmente à substituição de áreas de cana por mandioca. A decisão dos agricultores reflete preços menos atrativos para a cana e o encarecimento dos fertilizantes.
Na Índia, chuvas de monção abaixo do normal na região oeste elevam a atenção sobre a safra. Segundo o relatório, o governo orientou o setor a priorizar o açúcar, sem destinar matéria-prima à produção de etanol combustível em 2026/27.
As estimativas locais citadas pelo banco variam de 26,5 milhões a 27 milhões de toneladas de açúcar. Caso a produção fique abaixo de 28 milhões de toneladas, o RaboResearch avalia que poderá haver necessidade de ampliar as importações em 2027.
A China, por outro lado, tende a manter produção próxima das 13 milhões de toneladas registradas em 2025/26, o que reduz sua necessidade de compras externas.
Rabobank projeta déficit de 2,2 milhões de toneladas
O balanço dessas perspectivas leva o RaboResearch a estimar déficit global de 2,2 milhões de toneladas de açúcar no ano-safra internacional 2026/27.
Nesse contexto, uma recuperação da produção brasileira em 2027 não necessariamente provocaria excesso de oferta mundial. O banco também considera a possibilidade de impactos adicionais do El Niño sobre países produtores da Ásia.
Para os preços em Nova York, a projeção preliminar do Rabobank para 2027 fica entre 17 e 19 centavos de dólar por libra-peso.
Além da evolução das safras, o mercado acompanha o posicionamento dos fundos de investimento e o cenário macroeconômico. Mudanças no apetite desses investidores podem pressionar as cotações, enquanto as tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre petróleo e derivados acrescentam volatilidade à relação entre açúcar e etanol.
Fonte: Portal do Agronegócio
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