Café arábica cai 5,7% em Nova York; dólar sustenta preços no Brasil
Maior fluxo de oferta pressiona mercado internacional, enquanto robusta avança em Londres; no Sul de Minas, saca do arábica permanece em R$ 1.650
Publicado em: 06/11/2026 às 17:00hs
O café arábica acumulou novas perdas na Bolsa de Nova York e atingiu os menores níveis em um mês e meio, pressionado pela valorização do dólar frente ao real e pela melhora do abastecimento global. Entre os fechamentos de 29 de outubro e 5 de novembro, o contrato março/2027 recuou 5,7%, segundo o balanço apresentado pela Safras & Mercado.
No Brasil, o câmbio e a oferta controlada pelos produtores ajudaram a sustentar as cotações. O arábica bebida boa permaneceu em R$ 1.650 por saca no Sul de Minas Gerais, na base de compra. Já o conilon registrou valorização no Espírito Santo.
Oferta global e câmbio pressionam arábica em Nova York
A percepção de maior disponibilidade de café no mercado internacional contribuiu para o enfraquecimento das cotações na ICE Futures US.
O Brasil mantém embarques elevados no segundo semestre de 2026. Conforme a análise, a expectativa é de que as exportações de outubro possam superar 5 milhões de sacas, volume ainda sujeito à consolidação dos dados.
Os embarques vietnamitas de robusta também favorecem a percepção de melhora do abastecimento. Em Nova York, a possibilidade de recomposição dos estoques certificados acrescenta pressão aos preços do arábica.
Outro fator é a alta do dólar diante do real. A valorização da moeda americana aumenta a receita potencial das exportações em reais e pode estimular a comercialização brasileira, ampliando a competitividade do produto nacional.
Contrato março passa a concentrar atenção dos operadores
Segundo Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, a transferência de posições do contrato dezembro para os vencimentos seguintes também influencia as negociações em Nova York.
Com a aproximação do vencimento de opções e do período de notificação de entregas, março ganha importância como referência. Esses ajustes nas carteiras alteram a movimentação dos participantes da bolsa.
No intervalo entre as duas últimas quintas-feiras, o contrato março/2027 passou de 285,45 para 269,25 cents de dólar por libra-peso, queda de 5,7%.
Robusta sobe 2% em Londres com ajustes técnicos
O robusta apresentou desempenho diferente na ICE Futures Europe. O contrato janeiro/2027 acumulou alta de 2% entre 29 de outubro e 5 de novembro.
A valorização foi favorecida por movimentos técnicos, incluindo recompras de posições vendidas, e por preocupações com os possíveis efeitos do El Niño sobre países produtores.
Embora a entrada da safra vietnamita represente uma perspectiva de ampliação da oferta, a disponibilidade de robusta no curto prazo ainda é considerada restrita na avaliação apresentada.
Clima mantém incertezas sobre a safra brasileira de 2027
As chuvas registradas até o momento favoreceram as floradas e seu pegamento nas regiões cafeeiras brasileiras. Ainda assim, a análise aponta riscos de desuniformidade na maturação e incertezas sobre produtividade e qualidade da próxima colheita.
Para novembro e dezembro, a preocupação está na possibilidade de chuvas mais irregulares e temperaturas elevadas associadas ao El Niño.
A evolução dessas condições será importante para avaliar se a melhora inicial das lavouras se traduzirá em maior produção.
Dólar e retenção de oferta dão suporte ao café no Brasil
No mercado doméstico, compradores e vendedores mantiveram uma postura cautelosa. Os produtores dosaram a disponibilização de lotes, contribuindo para sustentar os preços do arábica mesmo com a queda internacional.
O dólar comercial acumulou valorização de 1,9% entre 29 de outubro e 5 de novembro, oferecendo suporte às referências em reais.
Nesse período, o arábica bebida boa no Sul de Minas Gerais permaneceu em R$ 1.650 por saca, na base de compra. Em Vitória (ES), o conilon tipo 7 subiu de R$ 960 para R$ 975 por saca, avanço de aproximadamente 1,6%.
O resultado evidencia a influência conjunta de câmbio, disponibilidade de lotes e bolsas internacionais na formação dos preços brasileiros. Nas próximas negociações, o fluxo das exportações, os estoques certificados e o clima nas regiões produtoras continuarão orientando o mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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