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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo de qualidade sobe no RS, enquanto chuvas paralisam colheita no Sul

Referência em Porto Alegre avança R$ 30 por tonelada; escassez de lotes adequados à moagem sustenta cotações, mas trigo argentino limita novas altas


Publicado em: 06/11/2026 às 18:40hs

Trigo de qualidade sobe no RS, enquanto chuvas paralisam colheita no Sul
Foto: CNA

A disponibilidade de trigo com qualidade para panificação orientou os preços no mercado brasileiro na primeira semana de novembro. Com a colheita interrompida pelas chuvas no Sul, os moinhos mantiveram a busca por lotes de melhor padrão e aceitaram pagar mais em algumas regiões do Rio Grande do Sul.

Segundo Thiago Oleto, analista de Safras & Mercado, a indicação em Porto Alegre chegou a R$ 1.510 por tonelada CIF, com frete incluído, avanço de R$ 30 sobre a semana anterior. No Paraná, o trigo panificável permaneceu estável, enquanto o cereal destinado à alimentação animal registrou desvalorização.

A dificuldade para encontrar produto adequado à indústria sustenta a diferença de preços entre os padrões de qualidade. Ao mesmo tempo, a queda das referências do trigo argentino para embarques em novembro e dezembro restringe o espaço para reajustes mais expressivos no Brasil.

Moinhos disputam trigo de melhor qualidade no Paraná

No Paraná, a estabilidade das cotações do trigo panificável ocorreu em meio à concorrência pelos lotes de melhor padrão. Conforme Oleto, as condições climáticas tornam cada vez mais difícil colher trigo Tipo 1.

Nos Campos Gerais, a indicação desse produto permaneceu em R$ 1.600 por tonelada CIF moinho. A referência geral ficou em R$ 1.550 por tonelada FOB, sem o frete até o comprador, e em R$ 1.680 por tonelada CIF Curitiba.

O mercado de trigo para ração apresentou comportamento diferente. A indicação recuou de R$ 1.200 para R$ 1.150 por tonelada CIF Paranaguá, queda de R$ 50 na comparação semanal.

Os temporais registrados desde domingo (1º), com granizo e ventos fortes, agravaram as preocupações com as lavouras. Em Maringá, houve registro de tornado classificado como F2, com ventos entre 180 e 253 quilômetros por hora.

Qualidade limita oferta para moagem no Rio Grande do Sul

No mercado gaúcho, o principal obstáculo continua sendo a disponibilidade de trigo que atenda aos requisitos dos moinhos.

No levantamento apresentado pelo analista, a colheita havia alcançado aproximadamente 60% da área prevista, com cerca de 1,07 milhão de toneladas retiradas do campo. Desse total, apenas 16% foram classificados como trigo Tipo 1, com peso hectolítrico (PH) de 78.

O volume que atende aos parâmetros de moagem indicados na análise é ainda menor: aproximadamente 120 mil toneladas apresentam número de queda (FN) superior a 250 e concentração de deoxinivalenol (DON) de até 2.000 partes por bilhão.

Outras 220 mil toneladas têm qualidade intermediária. Já cerca de 730 mil toneladas, equivalentes a 68% do volume colhido, apresentam FN inferior a 220 e DON acima de 3.500 partes por bilhão, ficando fora das exigências industriais consideradas no levantamento.

Indústria avalia parâmetros para aquisição do cereal

De acordo com Oleto, os moinhos procuram trigo com FN a partir de 230 e DON de até 2.500 partes por bilhão. Para lotes nessas condições, as indicações chegam a R$ 1.400 por tonelada no interior gaúcho.

Há discussões sobre a possibilidade de aquisição de produto com FN entre 220 e 230 e DON entre 2.500 e 3.000 partes por bilhão. Entretanto, ainda não existem preços definidos para esses padrões.

As indicações dos moinhos para trigo de qualidade ficaram entre R$ 1.550 e R$ 1.555 por tonelada CIF. Na região das Missões, foram registrados negócios pontuais a R$ 1.400 por tonelada no interior.

Porto Alegre registra alta de R$ 30 por tonelada

Nas referências para a safra nova, o trigo foi indicado a R$ 1.400 por tonelada FOB em Santa Rosa e a R$ 1.430 por tonelada em Carazinho.

Em Porto Alegre, a cotação de R$ 1.510 por tonelada CIF representou valorização semanal de R$ 30. O movimento reflete a disposição dos compradores em remunerar melhor os lotes que atendem às necessidades da indústria.

O produto de qualidade inferior busca canais alternativos de comercialização, incluindo a alimentação animal. Para esse segmento, a referência ficou em R$ 1.210 por tonelada CIF porto.

Trigo argentino restringe espaço para novas valorizações

Apesar da procura por qualidade e dos problemas na colheita brasileira, o mercado encontra um limitador nas ofertas da Argentina.

A redução dos preços do cereal argentino para embarques em novembro e dezembro contém o potencial de alta no mercado doméstico. Assim, as negociações seguem condicionadas à combinação entre qualidade disponível, evolução da colheita e competitividade do produto importado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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