Análise de solo orienta a adubação e ajuda a elevar a produtividade das lavouras
Pesquisadora do CTECNO Parecis destaca a importância da coleta antecipada de amostras e da avaliação da fertilidade em diferentes profundidades para identificar limitações nutricionais e melhorar o planejamento agrícola.
Publicado em: 29/10/2026 às 09:00hs
A análise de solo é uma ferramenta essencial para o planejamento da adubação e o manejo da fertilidade nas lavouras. Com os resultados em mãos, o produtor rural consegue avaliar a disponibilidade de nutrientes, identificar possíveis elementos tóxicos e reconhecer limitações que podem comprometer o desenvolvimento das plantas e o potencial produtivo da área.
A importância desse procedimento foi abordada no quadro Hora Técnica, do podcast Apro360, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). O episódio recebeu a pesquisadora Daniela Facco, do Centro Tecnológico Parecis (CTECNO Parecis), para discutir os cuidados com a amostragem de solo e o uso das informações no planejamento das safras.
Durante a conversa, a especialista explicou que a análise química não deve ser vista apenas como uma etapa anterior à aplicação de fertilizantes. O acompanhamento periódico permite avaliar a evolução da fertilidade ao longo dos anos e ajustar as estratégias de manejo às necessidades das culturas.
Coleta de solo deve anteceder o planejamento da adubação
O momento da amostragem influencia a utilização dos resultados na tomada de decisões dentro da propriedade. Segundo Daniela Facco, o ideal é realizar a coleta com antecedência suficiente para que o laudo esteja disponível antes do início do cultivo ou durante o planejamento da próxima safra.
A entressafra, especialmente após a colheita da segunda safra, costuma ser um período adequado para esse trabalho. Com a área liberada, a coleta pode ser realizada em condições que facilitam a operação e permitem tempo hábil para receber e interpretar os resultados.
“É importante que a amostragem seja feita com antecedência. Normalmente, essa coleta é realizada na entressafra, após a colheita da segunda safra, quando a área já está liberada e não há mais plantas grandes que possam dificultar o trabalho”, explicou a pesquisadora.
Com os resultados disponíveis, o produtor e o responsável técnico podem avaliar a necessidade de correção do solo, definir as estratégias de adubação e organizar a compra de insumos de acordo com as características da área.
Esse planejamento contribui para decisões mais fundamentadas e reduz o risco de realizar aplicações sem considerar as condições efetivas de fertilidade do solo.
Aumento da produtividade exige monitoramento dos nutrientes
Outro ponto destacado no episódio foi a necessidade de acompanhar a fertilidade mesmo em propriedades com sistemas produtivos consolidados e histórico de bons resultados.
O avanço da produtividade agrícola ao longo das últimas décadas também aumentou a quantidade de nutrientes extraídos pelas culturas. Por isso, manter o mesmo padrão de adubação utilizado no passado pode não ser suficiente para atender à demanda atual das lavouras.
“Se eu mantiver hoje o mesmo padrão de adubação que utilizava há 20 anos, posso estar reduzindo a disponibilidade de nutrientes no meu solo, justamente porque a produtividade aumentou e, consequentemente, a demanda por nutrientes também é maior”, alertou Daniela.
A pesquisadora ressaltou que o acompanhamento periódico permite identificar possíveis reduções na disponibilidade de nutrientes e situações em que determinados elementos podem estar sendo esgotados.
A análise química, portanto, ajuda a verificar se o manejo adotado continua compatível com a capacidade produtiva da área e com as exigências nutricionais das culturas.
Análise em diferentes profundidades pode revelar limitações da lavoura
A avaliação convencional do solo nem sempre é suficiente para explicar todas as limitações de produtividade. Em determinadas situações, a distribuição dos nutrientes ao longo do perfil pode influenciar o desenvolvimento das plantas, mesmo quando os resultados gerais indicam níveis adequados de fertilidade.
Daniela Facco exemplificou o caso de uma amostra coletada entre 0 e 20 centímetros de profundidade. Quando o material é misturado, o resultado representa a condição média dessa camada, o que pode ocultar diferenças importantes entre suas partes.
Uma análise mais detalhada pode mostrar, por exemplo, que a camada de 0 a 10 centímetros apresenta boa fertilidade, enquanto a faixa de 10 a 20 centímetros possui níveis muito baixos de determinados nutrientes.
Nessas circunstâncias, a amostragem estratificada do solo pode ajudar a identificar a distribuição dos nutrientes e investigar fatores que não aparecem claramente em uma amostra composta convencional.
A pesquisadora destacou que esse tipo de avaliação merece atenção quando a lavoura não alcança o potencial produtivo esperado e outros fatores limitantes já foram investigados.
Fertilidade do solo influencia a resposta das culturas ao clima
A distribuição dos nutrientes no perfil também pode ser relevante em períodos de condições climáticas adversas, especialmente durante o estresse hídrico.
Quando há restrição de água, o desenvolvimento das plantas e a capacidade de absorção de nutrientes podem ser afetados. Por isso, conhecer as condições químicas do solo em diferentes profundidades contribui para uma avaliação mais completa das limitações da área.
A análise não elimina os efeitos de fatores climáticos, mas fornece informações importantes para orientar o manejo e compreender melhor a resposta das lavouras às condições de cultivo.
A interpretação dos resultados deve considerar as características do solo, a cultura implantada, o histórico da área e as recomendações técnicas adequadas a cada sistema de produção.
Análise química deve fazer parte da gestão agrícola
A orientação apresentada no Hora Técnica reforça que a análise de solo precisa integrar a rotina de gestão das propriedades rurais. Mais do que orientar uma aplicação pontual de fertilizantes, o procedimento permite acompanhar mudanças na fertilidade, identificar desequilíbrios nutricionais e avaliar a necessidade de ajustes no manejo.
Com amostragens realizadas corretamente e resultados interpretados de forma técnica, o produtor consegue planejar a adubação com base nas condições da área e nas demandas da cultura.
A iniciativa do quadro Hora Técnica, integrante do podcast Apro360, busca aproximar pesquisadores e especialistas dos produtores rurais, esclarecendo dúvidas e compartilhando conhecimentos aplicáveis ao planejamento das atividades agrícolas.
O episódio completo está disponível nos canais oficiais da Aprosoja Mato Grosso no YouTube e no Spotify.
Fonte: Portal do Agronegócio
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