Santa Catarina reforça plano contra eventos climáticos e prepara agro para os impactos do El Niño 2026/2027
Governo estadual integra ações de monitoramento, prevenção e recuperação para proteger agricultores, pescadores e aquicultores; medidas incluem crédito emergencial, sistema antigranizo e preparação da logística de abastecimento
Publicado em: 29/10/2026 às 10:00hs
Santa Catarina está reforçando as ações de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos para reduzir os prejuízos no agronegócio, na pesca e na aquicultura durante o período de influência do El Niño 2026/2027. O trabalho reúne a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), a Epagri, a Cidasc, a Ceasa/SC e a Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca (SAQ).
A estratégia combina monitoramento meteorológico, orientação técnica aos produtores, políticas públicas emergenciais e preparação da infraestrutura para enfrentar episódios de chuvas intensas, alagamentos, granizo e outros fenômenos capazes de comprometer a produção e o abastecimento.
As medidas fazem parte do Plano de Contingência da Agropecuária El Niño 2026/2027 (PlanCon Agro), elaborado pelos órgãos estaduais para ampliar a capacidade de prevenção, resposta e recuperação das atividades produtivas.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o planejamento contempla desde a preparação das propriedades até as medidas necessárias após a ocorrência de desastres, com prioridade para a segurança dos produtores, trabalhadores e suas famílias.
El Niño aumenta a atenção para chuvas e enchentes em Santa Catarina
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental. Essa alteração influencia a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.
De acordo com o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia da Epagri (Ciram), os efeitos do fenômeno variam conforme sua intensidade e as condições climáticas de cada período.
No Sul do Brasil, o El Niño costuma estar associado a invernos menos rigorosos e ao aumento das chuvas, especialmente durante a primavera. Em Santa Catarina, essa configuração pode favorecer a ocorrência de cheias e ampliar os riscos para lavouras, criações, estruturas rurais e atividades pesqueiras.
O fenômeno, entretanto, não é o único responsável pelas enchentes. A distribuição das chuvas, as características das bacias hidrográficas e as condições locais também influenciam a ocorrência e a intensidade dos impactos.
Diante desse cenário, a Epagri/Ciram mantém o acompanhamento das condições ambientais e disponibiliza informações para apoiar decisões do poder público e do setor produtivo.
Governo mantém linhas emergenciais para recuperar propriedades rurais
Entre as medidas adotadas pelo Estado estão programas destinados a auxiliar agricultores, pescadores e aquicultores na recuperação de estruturas e atividades atingidas por eventos climáticos extremos.
As iniciativas incluem:
- Reconstrói SC: financiamento sem juros para reconstrução de estruturas, máquinas e equipamentos danificados.
- Pronampe Agro SC Emergencial: subsídio de juros de financiamentos destinados à recuperação de atividades atingidas.
- Recupera Maçã SC: apoio voltado à reconstrução de pomares de maçã afetados por eventos adversos.
Apoio Emergencial para Pescadores Artesanais e Aquicultores: assistência para recuperação de embarcações, equipamentos e materiais utilizados nas atividades.
As condições de acesso, os critérios de enquadramento e a disponibilidade dos recursos devem ser consultados junto aos órgãos responsáveis por cada programa.
O Estado também trabalha na implantação do Sistema Antigranizo, que utiliza geradores terrestres com queimadores de iodeto de prata. Conforme as informações divulgadas pela administração estadual, convênios para implantação do sistema já foram autorizados em 27 municípios.
A iniciativa integra o conjunto de medidas preventivas voltadas à redução dos riscos climáticos para a produção agropecuária.
Epagri publica orientações para reduzir perdas na safra 2026/2027
O monitoramento meteorológico é uma das principais ferramentas para antecipar riscos e orientar as decisões no campo. Em Santa Catarina, a Epagri/Ciram transforma informações climáticas em alertas, análises e recomendações direcionadas aos produtores rurais.
Para a safra 2026/2027, a instituição preparou a publicação Orientações Técnicas para Redução dos Impactos do El Niño na Agropecuária, Pesca e Aquicultura de Santa Catarina.
O material reúne medidas preventivas para reduzir a vulnerabilidade das atividades produtivas diante das condições climáticas previstas, auxiliando agricultores e profissionais do setor na organização das operações.
A consulta aos boletins meteorológicos e a adoção antecipada das recomendações técnicas podem ajudar a identificar situações de risco e preparar as propriedades para possíveis interrupções no acesso, alagamentos e danos às estruturas produtivas.
Cidasc orienta produtores sobre proteção de animais e insumos
A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), responsável pela defesa agropecuária estadual, recomenda que produtores rurais e agroindústrias acompanhem os alertas meteorológicos e adotem medidas preventivas antes da ocorrência de eventos extremos.
Os escritórios locais da companhia estão disponíveis para orientar os produtores sobre procedimentos de proteção e providências necessárias após emergências climáticas.
Produção animal exige planejamento antecipado
Em propriedades sujeitas a alagamentos, a recomendação é planejar a retirada antecipada dos animais para locais seguros. Também é importante manter reservas de ração e outros insumos essenciais, considerando a possibilidade de interrupção das estradas e dificuldades de acesso às propriedades.
A movimentação dos animais deve ser organizada com orientação técnica, preservando a identificação individual e providenciando a Guia de Trânsito Animal (GTA), conforme as exigências aplicáveis.
Em situações de fuga, desaparecimento ou localização de animais de origem desconhecida, os produtores podem procurar os escritórios da Cidasc para receber orientações.
Insumos agrícolas precisam ficar protegidos de inundações
Na produção vegetal, fertilizantes, agrotóxicos, sementes e demais insumos devem ser armazenados em locais adequados, protegidos da chuva e de possíveis alagamentos.
Esses produtos também precisam permanecer separados de alimentos, rações, medicamentos e fontes de água, reduzindo o risco de contaminação.
Depois de um evento extremo, agricultores devem verificar lavouras e pomares em busca de danos, sintomas de doenças e ocorrência de pragas. Suspeitas que demandem acompanhamento da defesa agropecuária devem ser comunicadas à Cidasc.
Agroindústrias devem verificar água, refrigeração e armazenamento
As agroindústrias também precisam preparar planos para situações de emergência, com possibilidade de ajustes nos cronogramas de produção e eventual antecipação de abates, sempre em articulação com os responsáveis técnicos e os serviços oficiais de inspeção.
Após alagamentos ou interrupções operacionais, é necessário avaliar a qualidade da água, o funcionamento dos sistemas de refrigeração e as condições de armazenamento.
Produtos e materiais com suspeita de contaminação devem ser identificados e submetidos aos procedimentos técnicos e sanitários aplicáveis. O objetivo é preservar a segurança dos alimentos e proteger a saúde dos consumidores.
Pesca e aquicultura exigem monitoramento da qualidade da água
A Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina orienta pescadores artesanais, aquicultores, maricultores e piscicultores a intensificarem o acompanhamento das condições climáticas e ambientais.
Nas atividades de aquicultura, maricultura e piscicultura, alterações na temperatura da água, nos níveis de oxigênio dissolvido e em outros parâmetros ambientais podem comprometer o desenvolvimento dos organismos cultivados.
O monitoramento frequente permite identificar mudanças nas condições de criação e avaliar a necessidade de medidas preventivas para reduzir riscos à produção.
Outro ponto importante é registrar e comunicar ocorrências relacionadas a eventos climáticos, como danos em estruturas, dificuldades de acesso, alterações nos níveis dos rios, prejuízos produtivos e mortalidade de peixes.
Esses registros ajudam a dimensionar os impactos e fornecem informações para que os órgãos responsáveis avaliem as demandas do setor e encaminhem as medidas necessárias.
Ceasa/SC reforça infraestrutura para manter o abastecimento
A preparação para eventos climáticos extremos também envolve a estrutura responsável pela comercialização e distribuição de produtos hortifrutigranjeiros.
A Ceasa/SC está desenvolvendo alternativas logísticas com empresas que atuam em suas unidades e possuem estruturas em outras localidades. O planejamento busca viabilizar a transferência temporária das operações caso algum evento extremo comprometa o funcionamento habitual.
A medida tem como objetivo reduzir os riscos de interrupção da cadeia de abastecimento e minimizar os impactos para produtores, comerciantes e consumidores.
Além do planejamento logístico, foram executadas melhorias no sistema de macrodrenagem durante as obras de renovação do asfalto da Ceasa/SC. As intervenções buscam aprimorar o escoamento da água e aumentar a capacidade da infraestrutura para enfrentar períodos de precipitação intensa.
A preparação é importante porque danos às estruturas de comercialização e transporte podem dificultar a circulação de alimentos, provocar atrasos nas entregas e afetar o funcionamento dos mercados.
Plano de contingência integra órgãos estaduais
O PlanCon Agro 2026/2027 organiza a atuação conjunta da Sape, Epagri, Cidasc, Ceasa/SC e SAQ no contexto do planejamento estadual para o El Niño.
A proposta é articular monitoramento, prevenção, orientação técnica, proteção sanitária, preparação logística e recuperação das atividades atingidas.
A integração permite que diferentes áreas do setor agropecuário trabalhem de forma coordenada, desde a emissão de alertas até o apoio aos produtores que enfrentarem prejuízos.
Para o agronegócio catarinense, a preparação envolve não apenas a proteção das lavouras e dos rebanhos, mas também a manutenção das estruturas de produção, processamento, transporte e comercialização.
Segurança deve ser prioridade durante eventos extremos
O governo estadual reforça que produtores rurais, pescadores, aquicultores e trabalhadores do setor devem acompanhar os boletins meteorológicos e as orientações dos órgãos oficiais de emergência.
Em situações de risco, a prioridade deve ser a proteção das pessoas, com atenção especial às famílias que vivem em áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos e outros eventos perigosos.
A combinação de informação antecipada, planejamento das propriedades, medidas preventivas e atuação coordenada dos órgãos públicos pode contribuir para reduzir vulnerabilidades e acelerar a recuperação após desastres.
Com o Plano de Contingência da Agropecuária para o El Niño 2026/2027, Santa Catarina busca fortalecer a preparação do setor rural e pesqueiro para enfrentar condições climáticas adversas, preservar a produção e reduzir os impactos sobre o abastecimento e a economia estadual.
Fonte: Portal do Agronegócio
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