Publicidade
Análise de Mercado

Diesel e insumos pressionam fretes agrícolas; alta chega a 6,3% em rotas de Mato Grosso

Boletim da Conab aponta comportamento desigual em setembro, com valorização do transporte em parte do Centro-Oeste e da Bahia e recuo em São Paulo e Mato Grosso do Sul


Publicado em: 29/10/2026 às 10:40hs

Diesel e insumos pressionam fretes agrícolas; alta chega a 6,3% em rotas de Mato Grosso

O preço dos combustíveis e o transporte de insumos para o plantio da safra 2026/27 sustentaram os fretes agrícolas em setembro, mesmo em um período de menor demanda por escoamento em algumas regiões. Em Mato Grosso, mais da metade das rotas pesquisadas apresentou aumento, com altas de até 6,3%. Em contrapartida, houve quedas de até 11,9% em Mato Grosso do Sul e recuo médio de 7,65% em São Paulo.

Os dados constam na edição de outubro do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada em 27 de outubro. O levantamento mostra que os custos operacionais, a disponibilidade regional de caminhões e a movimentação de grãos e insumos determinaram comportamentos distintos entre os corredores logísticos.

Na comparação anual, os fretes permaneceram em níveis elevados, também influenciados pelo volume histórico da produção brasileira de grãos na safra 2025/26 e pela demanda de transporte para exportação.

Milho sustenta fretes em Mato Grosso durante a entressafra

Apesar da expectativa de redução sazonal em setembro, os preços do transporte subiram em mais da metade dos trajetos com origem em Mato Grosso.

Segundo a Conab, a sustentação está relacionada ao volume produzido na segunda safra de milho e ao crescimento da demanda doméstica pelo cereal. O consumo interno estadual praticamente dobrou nos últimos cinco anos, ampliando a movimentação de cargas.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário foi de queda mensal. O maior recuo destacado, de 11,9%, ocorreu no percurso entre São Gabriel do Oeste e o Porto de Paranaguá, no Paraná.

A combinação entre aumento dos embarques de milho e redução dos de soja resultou em menor pressão conjunta sobre o transporte destinado à exportação, contribuindo para o arrefecimento das tarifas no estado.

Transporte de fertilizantes e sementes movimenta Goiás e Distrito Federal

Em Goiás, a demanda pelo escoamento de grãos diminuiu conforme o comportamento esperado para o período. Ainda assim, as cotações tiveram resultados heterogêneos entre as rotas, variando de queda de 3,6% a alta de 27,2%.

Ao mesmo tempo, a chegada de fertilizantes, adubos e sementes para a nova safra aqueceu o transporte de insumos. O preço do diesel teve peso relevante na formação dos valores cobrados.

No Distrito Federal, todas as rotas monitoradas registraram aumento mensal. Os trajetos para os portos de Paranaguá e Imbituba, em Santa Catarina, tiveram reajustes de 5% e 4,2%, respectivamente.

Algodão e insumos elevam cotações na Bahia

Na Bahia, a maior parte dos percursos pesquisados apresentou alta superior a 3,5%, com destaque para as rotas que partem de Luís Eduardo Magalhães.

O transporte de pluma de algodão e a movimentação de insumos importados contribuíram para elevar a demanda por caminhões e sustentar os preços.

No Piauí, a média mensal dos fretes caiu 5% em relação a agosto. No Maranhão, a movimentação mais limitada de cargas agrícolas também favoreceu o recuo das tarifas.

Entre os fluxos internos maranhenses, ganharam destaque os subprodutos do milho provenientes da fabricação de etanol, transportados a partir da região de Balsas, no sul do estado.

São Paulo registra queda de 7,65%; Minas acompanha transição entre safras

Em São Paulo, o preço médio dos fretes caiu 7,65% em setembro, com redução em todos os trajetos acompanhados pela Conab.

O boletim relaciona esse movimento à sazonalidade agrícola e à maior absorção de grãos pelo mercado interno, que altera a dinâmica do escoamento.

Em Minas Gerais, o encerramento da colheita do café e o início do plantio da soja influenciaram a procura por transporte. A movimentação concentrou-se nos insumos para a semeadura, enquanto as rotas destinadas à exportação apresentaram tendência de queda.

Exportações de soja superam 100 milhões de toneladas até setembro

A movimentação portuária também ajuda a explicar a demanda pelos corredores de transporte agrícola. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou 100,1 milhões de toneladas de soja, avanço de 6,69% sobre o mesmo período de 2025.

As exportações de milho somaram 19,6 milhões de toneladas, queda de 15,69% na comparação anual. Segundo o boletim, o desempenho reflete a maior oferta internacional do cereal e o crescimento do consumo brasileiro.

Somente em setembro, os embarques alcançaram 7,3 milhões de toneladas de soja e 5,2 milhões de toneladas de milho.

No acumulado dos nove primeiros meses, os portos do Arco Norte responderam por 51,22% das exportações de milho e 38,66% das de soja. Santos concentrou 27,57% dos embarques do cereal e 33,38% dos da oleaginosa.

O porto paulista também liderou o escoamento de farelo de soja, com participação de 43,35%, seguido por Paranaguá, com 25,82%.

Importações de fertilizantes recuam 15,7%

As compras brasileiras de fertilizantes no exterior totalizaram 28,4 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, redução de aproximadamente 15,7% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

De acordo com a Conab, foi o menor volume acumulado para o período desde 2022. Na comparação entre setembro de 2026 e setembro de 2025, a queda chegou a 27,95%.

Mesmo com a retração das importações, a distribuição dos insumos para as regiões produtoras manteve sua importância na demanda por transporte durante a preparação da safra 2026/27.

Boletim Logístico - Outubro/2026

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias