Café acumula queda de 6,73% em Nova York e tenta estabilizar; robusta sobe em Londres
Arábica opera perto de 286 cents nesta quinta-feira (29), após perdas expressivas; dólar, chegada de café brasileiro aos armazéns e perspectivas de oferta orientam as negociações
Publicado em: 29/10/2026 às 11:30hs
O mercado do café iniciou a quinta-feira (29) com o arábica próximo da estabilidade em Nova York e ganhos moderados para o robusta em Londres. A movimentação ocorre após três sessões de pressão sobre o arábica, que acumulou queda de 6,73% entre o fechamento de sexta-feira (23) e quarta-feira (28) no contrato dezembro de 2026.
A valorização do dólar frente ao real, a chegada de café brasileiro aos armazéns da bolsa norte-americana e as expectativas de recuperação da oferta internacional pressionam os preços. Em contrapartida, os estoques certificados de arábica ainda reduzidos permanecem como um fator de sustentação.
Arábica busca estabilidade após perder o patamar de 300 cents
Por volta das 9h, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 do café arábica era negociado a 286,35 cents de dólar por libra-peso na ICE Futures US, com recuo de 0,14%.
Os vencimentos seguintes apresentavam pequenas altas. Março/27 avançava 0,07%, para 276,40 cents, enquanto maio/27 subia 0,04%, cotado a 272,35 cents por libra-peso.
A oscilação moderada contrasta com as perdas dos primeiros pregões da semana. Na sexta-feira anterior, dezembro/26 havia encerrado a 307,45 cents. Já na quarta-feira, fechou a 286,75 cents, aprofundando o movimento abaixo da referência de 300 cents.
Embora indique uma redução da intensidade das quedas, o comportamento desta manhã ainda não confirma uma recuperação das cotações.
Dólar forte e café brasileiro pressionaram o fechamento de quarta-feira
Na sessão de quarta-feira (28), o contrato dezembro/26 recuou 7 cents, ou 2,4%, encerrando a 286,75 cents por libra-peso. Março/27 caiu 4,90 cents, ou 1,7%, para 276,20 cents.
A alta do dólar diante do real contribuiu para a pressão. O movimento cambial aumenta a competitividade das exportações brasileiras e pode estimular vendas, ampliando a oferta percebida pelos participantes do mercado internacional.
Outro fator acompanhado foi o volume de café brasileiro à espera de classificação nos armazéns da ICE. Segundo informações do Barchart, mais de 36 mil sacas aguardavam avaliação na terça-feira (27), o maior número em cinco semanas.
Esses lotes podem ser incorporados aos estoques certificados caso sejam aprovados nos testes exigidos pela bolsa. Portanto, o café pendente de classificação ainda não equivale a estoque certificado disponível para entrega.
Estoques certificados seguem baixos, apesar da entrada de novos lotes
A chegada de café do Brasil aos armazéns ganhou ritmo desde meados de setembro. Conforme os dados citados pelo Barchart, os estoques certificados de origem brasileira alcançaram 80.084 sacas na quarta-feira da semana anterior, o maior nível em nove meses, e ficaram em 79.867 sacas na terça-feira (27).
Esse volume representa apenas a parcela brasileira armazenada na bolsa. No conjunto das origens, os estoques certificados de arábica permaneciam abaixo do registrado um ano antes.
Segundo levantamento da Terra Agro Insights, o total era de 234.433 sacas em 22 de outubro, ante 465.910 sacas no mesmo período de 2025.
O mercado acompanha, assim, duas condições simultâneas: disponibilidade certificada ainda limitada e possibilidade de recomposição com a aprovação de novos lotes.
Robusta avança em Londres, mas oferta continua no radar
Na ICE Futures Europe, o robusta registrava valorização moderada nesta quinta-feira. Janeiro/27 subia US$ 11, ou 0,34%, para US$ 3.210 por tonelada.
Março/27 avançava US$ 15, negociado a US$ 3.198 por tonelada, enquanto maio/27 ganhava US$ 18, para US$ 3.193 por tonelada.
A tentativa de recuperação ocorre em um ambiente ainda influenciado pela expectativa de maior disponibilidade da variedade. A aproximação da colheita no Vietnã e a recomposição dos estoques certificados em Londres seguem entre os fatores observados pelos agentes.
Clima no Brasil e próximas safras influenciam perspectivas
As condições das lavouras brasileiras continuam centrais para a formação dos preços, especialmente diante das expectativas para a safra de 2027.
Há relatos de floradas dentro do esperado em diferentes regiões, mas a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas mantêm a atenção sobre o pegamento e a formação dos frutos. Os possíveis efeitos do El Niño também são acompanhados em outros países produtores.
Em relatório divulgado em 19 de outubro, o Rabobank apontou que a melhora das condições climáticas no Brasil, no Vietnã e na Indonésia ampliou as perspectivas de recuperação dos estoques globais nos próximos ciclos. A instituição ressaltou, contudo, que o equilíbrio entre oferta e demanda ainda envolve incertezas.
Para o cafeicultor brasileiro, bolsas internacionais, câmbio e diferenciais do mercado físico seguem determinantes nas condições de venda. Após a desvalorização recente, a evolução do clima e o ritmo de recomposição dos estoques serão importantes para avaliar a continuidade da pressão ou uma eventual reação dos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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