Trigo cai em Chicago com embarques russos e amplia pressão das importações no Sul do Brasil
Liberação de navios pelo Mar de Azov derruba contratos futuros; no mercado brasileiro, câmbio e problemas de qualidade limitam o alívio nos custos dos moinhos
Publicado em: 29/10/2026 às 11:40hs
O mercado de trigo enfrenta pressão das cotações internacionais, enquanto a qualidade da safra brasileira mantém valorizados os lotes adequados à panificação. No Sul, a concorrência do produto importado contrasta com os efeitos das chuvas sobre a colheita e com o encarecimento das compras externas provocado pela alta do dólar.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos encerraram a quarta-feira (28) em forte baixa após a autorização russa para a saída de navios carregados com grãos pelo Mar de Azov. O vencimento dezembro caiu 1,84%, para US$ 5,99 por bushel.
Segundo a TF Agroeconômica, a queda externa aumenta a competitividade do trigo argentino frente às novas pedidas do produto nacional no Rio Grande do Sul. O efeito sobre os negócios, porém, varia conforme o câmbio, a qualidade e as condições de entrega.
Liberação de embarques russos pressiona Chicago
De acordo com informações da Reuters, as autoridades russas autorizaram a saída de embarcações com grãos pelo Mar de Azov pela primeira vez desde 10 de julho, quando o tráfego havia sido interrompido em razão de ataques de drones ucranianos.
As autorizações para atravessar o Estreito de Kerch, que liga o Mar de Azov ao Mar Negro, serão emitidas até 15 de novembro. Fontes do setor informaram que os navios terão escolta naval russa durante a passagem pelo Mar Negro.
A perspectiva de retomada dos embarques reforçou a expectativa de maior disponibilidade de grãos no mercado internacional. As restrições logísticas e os riscos à navegação na região, contudo, continuam sendo acompanhados pelos operadores.
Além da queda do dezembro, o contrato com vencimento em março de 2027 encerrou a sessão a US$ 6,1325 por bushel, recuo de 9,75 centavos de dólar, ou 1,56%.
Trigo ucraniano também registra desvalorização
Na Ucrânia, os preços recuaram na última semana, acompanhando o mercado de exportação e a demanda moderada de parte dos compradores.
Os moinhos mantiveram aquisições em pequenos volumes, enquanto agricultores continuaram retendo lotes de melhor qualidade à espera de condições mais favoráveis.
Nos portos ucranianos, as referências caíram entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada. O trigo para moagem ficou entre US$ 155 e US$ 172 por tonelada, e o destinado à ração, entre US$ 144 e US$ 155, na condição CPT porto.
Qualidade diferencia preços no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, a TF Agroeconômica relata indicadores desfavoráveis nos lotes novos, com Falling Number (FN) baixo e DON elevado. Os problemas restringem a disponibilidade de cereal com características adequadas ao processamento industrial.
Nesse cenário, as cotações variam conforme a qualidade disponível. Em Panambi, o preço de balcão caiu R$ 2, para R$ 73 por saca.
A consultoria aponta que o trigo argentino chega com valores inferiores às novas pedidas domésticas, ampliando a concorrência, embora a valorização cambial pressione o custo de importação.
Dólar encarece compras externas em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a alta do dólar acrescentou aproximadamente R$ 170 por tonelada ao custo do trigo importado, segundo o levantamento.
O trigo novo da região de Ponta Grossa (PR) foi indicado a R$ 1.600 por tonelada entregue em Santa Catarina, sem especificação da qualidade do lote.
A oferta estadual também preocupa. Para 2026/27, a Epagri estima produção de 243 mil toneladas, queda de 37% em relação à temporada anterior. A projeção considera redução de aproximadamente 35% na área cultivada e de 2,5% na produtividade.
Paraná tem trigo tipo 1 a R$ 1.650 por tonelada
No Paraná, as chuvas dificultam a colheita e prejudicam a qualidade dos grãos. A disponibilidade limitada de trigo panificável sustenta as referências dos lotes superiores.
As indicações informadas pela TF Agroeconômica são de:
- Tipo 1: R$ 1.650 por tonelada;
- Tipo 2: R$ 1.450 por tonelada, na modalidade CIF;
- Tipo 3: R$ 1.200 por tonelada, também CIF, com queda de R$ 100.
Nas referências CIF, o frete está incluído. Na importação, houve negócio com trigo argentino a US$ 300 por tonelada no porto. O produto paraguaio teve pedida de US$ 330 por tonelada em Ponta Grossa, sem confirmação de venda.
Trigo para ração tem referências menores
Para o cereal destinado à alimentação animal, tradings indicam valores entre R$ 1.100 e R$ 1.150 por tonelada, com entrega no porto.
As vendas para exportação pelos portos paranaenses são estimadas entre 260 mil e 300 mil toneladas, em um ambiente de dificuldades logísticas.
As diferenças entre destinos e padrões de qualidade seguem determinantes para a comercialização. A queda internacional pode tornar o produto estrangeiro mais competitivo, mas o custo efetivo para os compradores brasileiros continuará dependendo do câmbio, do frete e das características de cada lote.
Fonte: Portal do Agronegócio
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