Etanol na navegação pode abrir novo mercado para o Brasil na descarbonização marítima
Representantes brasileiros na Organização Marítima Internacional destacam capacidade produtiva do país, mas apontam regulação, tecnologia e infraestrutura como condições para ampliar o uso do biocombustível.
Publicado em: 29/10/2026 às 11:55hs
O etanol brasileiro pode ganhar espaço como combustível para o transporte marítimo internacional, abrindo oportunidades para a cadeia de bioenergia e para a redução das emissões da navegação. A avaliação foi apresentada durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
O debate reuniu o almirante de esquadra José Augusto da Cunha de Menezes, ex-representante permanente do Brasil junto à Organização Marítima Internacional (IMO), e o almirante de esquadra Claudio Mello, atual representante brasileiro na instituição. A mediação ficou a cargo de Mario Campos Filho, presidente da SIAMIG/Bioenergia Brasil.
Os participantes destacaram a experiência brasileira na produção e no uso do etanol, ao mesmo tempo que apontaram a necessidade de avanços regulatórios e de articulação entre os setores envolvidos para viabilizar sua expansão no mercado marítimo.
Experiência com etanol é vantagem para a transição energética
Na avaliação de Menezes, o domínio da produção em larga escala coloca o Brasil em posição favorável para participar da transformação energética da navegação.
O desafio, segundo ele, é converter essa capacidade em reconhecimento internacional, demonstrando a viabilidade do etanol como alternativa nas estratégias de descarbonização do setor.
Para o ex-representante brasileiro, esse processo depende tanto das discussões em organismos internacionais quanto da integração entre produção, fornecimento e logística. A disponibilidade do combustível é uma vantagem, mas sua adoção exige condições adequadas de utilização e abastecimento.
Regulação internacional será decisiva para o combustível marítimo
Claudio Mello destacou que as negociações na IMO sobre metas e regras para redução de emissões têm importância direta para as perspectivas dos biocombustíveis.
Segundo o representante, o Brasil precisa atuar para que as características ambientais de sua matriz energética sejam reconhecidas nas discussões internacionais. Esse reconhecimento pode contribuir para ampliar o espaço do etanol entre as alternativas consideradas pela navegação.
Mello também relacionou o desenvolvimento desse mercado à combinação entre energia renovável e capacidade produtiva do agronegócio brasileiro.
Produtores, armadores e portos precisam atuar em conjunto
A expansão do etanol na navegação dependerá de uma atuação coordenada entre governo, produtores de biocombustíveis, armadores e operadores portuários, conforme os participantes.
Essa articulação deve envolver as condições de fornecimento, a infraestrutura de abastecimento e as adaptações necessárias ao uso do combustível nas embarcações.
A integração da cadeia também foi apontada como importante para fortalecer a posição brasileira nas negociações internacionais e transformar o potencial produtivo em demanda comercial.
Novo mercado depende de tecnologia e investimentos
Embora o Brasil disponha de uma indústria de etanol consolidada, a entrada do biocombustível na navegação internacional exige etapas adicionais. Avanços regulatórios, adaptações tecnológicas e investimentos logísticos estarão entre os fatores que determinarão o ritmo de adoção.
O debate na conferência DATAGRO evidenciou uma oportunidade de diversificação para a bioenergia brasileira. Seu aproveitamento dependerá da capacidade de conectar produção, regras internacionais e condições operacionais para atender ao transporte marítimo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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