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Análise de Mercado

Etanol e biodiesel: CNI projeta demanda de 64 bilhões de litros em 2035 e pede expansão da oferta

Estudo recomenda investimentos, previsibilidade regulatória e financiamento para ampliar a produção de biocombustíveis e desenvolver os mercados de diesel verde e combustível sustentável de aviação


Publicado em: 29/10/2026 às 10:45hs

Etanol e biodiesel: CNI projeta demanda de 64 bilhões de litros em 2035 e pede expansão da oferta
Foto: Shutterstock

A demanda brasileira por etanol e biodiesel poderá alcançar, somada, 64 bilhões de litros em 2035, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (28) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para atender a esse crescimento, a entidade recomenda ampliar a capacidade produtiva, fortalecer a infraestrutura e oferecer maior segurança regulatória aos investidores.

O levantamento Combustíveis no Brasil: análise do mercado e perspectivas para a descarbonização projeta consumo de 46 bilhões de litros de etanol e 18 bilhões de litros de biodiesel em 2035. A análise também aponta obstáculos à estruturação das cadeias de diesel verde e combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF.

De acordo com a CNI, os biocombustíveis responderam por cerca de 25% da energia consumida no transporte brasileiro em 2025. Preservar e ampliar essa participação dependerá da capacidade de fazer a oferta acompanhar as metas de redução de emissões.

Biodiesel: avanço das misturas exige capacidade de produção

No mercado de biodiesel, a elevação gradual da mistura obrigatória ao diesel oferece uma perspectiva relativamente previsível de crescimento do consumo. Entretanto, a CNI avalia que os investimentos industriais precisam acompanhar essa trajetória para evitar limitações no abastecimento.

O estudo estima que a demanda poderá atingir 18 bilhões de litros em 2035. Segundo a análise, misturas superiores a 20% exigirão investimentos adicionais e poderão elevar o risco de restrições de oferta se a produção não crescer no ritmo necessário.

A entidade defende, por isso, que a evolução das metas seja acompanhada pelo monitoramento da capacidade efetiva das unidades e da disponibilidade de matérias-primas.

Etanol deve atingir demanda de 46 bilhões de litros

Para o etanol, a projeção considera tanto o crescimento da mistura de anidro à gasolina quanto o consumo de hidratado, vendido diretamente nos postos.

Embora o Brasil disponha de elevada capacidade instalada, o estudo ressalta que esse potencial não se traduz automaticamente em produção disponível ao longo de todo o ano. A sazonalidade, a oferta de matéria-prima e a concorrência entre a fabricação de açúcar e etanol influenciam os volumes destinados ao mercado.

Essas condições tornam mais complexo o planejamento do abastecimento e reforçam a necessidade de coordenar expansão produtiva, demanda e competitividade.

Diesel verde e SAF precisam estruturar novas cadeias

Os maiores desafios identificados pela CNI estão nos segmentos de diesel verde e SAF, cujas cadeias ainda se encontram em estágio inicial de desenvolvimento no país.

No caso do diesel verde, uma mistura de até 3% representaria demanda potencial de aproximadamente 2,5 bilhões de litros em 2035. Conforme o estudo, porém, a oferta comercial brasileira ainda não está estruturada em escala suficiente para atender a esse volume.

A expansão dependerá de novas plantas industriais, fornecimento de matérias-primas, infraestrutura e disponibilidade de hidrogênio de baixo carbono.

Para o SAF, a CNI destaca a necessidade de preparar a produção diante das exigências previstas para a aviação. O levantamento aponta 2027 como o início da trajetória obrigatória do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), coincidindo com a segunda fase do mecanismo internacional de compensação e redução de emissões da aviação, o CORSIA.

CNI propõe monitoramento permanente dos biocombustíveis

Entre as recomendações está a criação de um Comitê Permanente de Monitoramento de Biocombustíveis, com representantes do poder público e do setor produtivo.

A proposta é acompanhar projetos de expansão, capacidade efetiva de produção, disponibilidade de matérias-primas e riscos de abastecimento. Essas informações também serviriam de apoio a ajustes graduais nas metas e nos mandatos, conforme a evolução da oferta.

O estudo recomenda ainda alinhar as políticas de preços aos objetivos de descarbonização e desenvolver uma política de comércio exterior específica para os biocombustíveis.

Nesse campo, a CNI sugere facilitar importações quando a produção doméstica for insuficiente e prever instrumentos excepcionais e temporários de gestão das exportações em situações de pressão sobre a oferta ou os preços.

Financiamento e contratos podem destravar investimentos

Para viabilizar os mercados de diesel verde e SAF, a entidade defende medidas específicas de estímulo à produção, entre elas:

  • Contratos de longo prazo que ofereçam previsibilidade aos projetos;
  • Mecanismos competitivos de apoio aos investimentos;
  • Financiamento adequado e garantias;
  • Compartilhamento de riscos tecnológicos;
  • Desenvolvimento de fornecedores nacionais.

Na avaliação do presidente da CNI, Ricardo Alban, a expansão dos biocombustíveis exige coordenação entre políticas de demanda e oferta, infraestrutura, financiamento e desenvolvimento tecnológico.

O diretor de Relações Institucionais da entidade, Roberto Muniz, também sustenta que os estímulos ao consumo precisam vir acompanhados de condições concretas para aumentar a produção.

Para a CNI, transformar o potencial brasileiro em novas unidades industriais e capacidade de fornecimento será determinante para conciliar descarbonização, segurança energética e competitividade da indústria nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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