Soja em Mato Grosso: Conab prevê queda de 2% na produtividade em 2026/27, e Imea estima recuo de 5,4%
Estado deve ampliar a área plantada para 13,08 milhões de hectares, mas colher menos soja em meio à alta dos custos de produção, à redução prevista no pacote tecnológico e aos riscos climáticos.
Publicado em: 29/10/2026 às 09:30hs
Mato Grosso deve ampliar a área de soja na safra 2026/27, mas enfrentar uma redução na produtividade e no volume colhido. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 15 de outubro, estima produção de 50,9 milhões de toneladas no estado, queda de 1,4% em relação à temporada anterior. A retração representa aproximadamente 737 mil toneladas a menos, a maior redução absoluta projetada entre os estados brasileiros.
A área destinada à oleaginosa deve alcançar 13,08 milhões de hectares, crescimento de 0,6% na comparação anual. Em contrapartida, a produtividade média está estimada em 3.889 quilos por hectare, ante 3.969 quilos na safra passada, recuo de 2%. O rendimento projetado equivale a aproximadamente 64,8 sacas de 60 quilos por hectare.
O cenário coloca o maior produtor nacional de soja diante de um desafio: aumentar a área cultivada sem conseguir manter o mesmo rendimento por hectare, em um ambiente marcado pelo encarecimento dos insumos, pela pressão sobre as margens e pela incerteza climática.
Conab aponta possível redução no pacote tecnológico da soja
Além das projeções de área, produção e produtividade, o levantamento da Conab destaca uma mudança na estratégia de investimento dos produtores mato-grossenses.
Segundo a companhia, é provável que ocorra uma redução no pacote tecnológico utilizado nas lavouras, diante das condições de aquisição de insumos e da maior cautela na realização de investimentos.
A decisão de reduzir despesas pode afetar a escolha de fertilizantes, defensivos e outras tecnologias empregadas no manejo da cultura. O desafio, nesse contexto, é controlar os custos sem comprometer o potencial produtivo das plantas.
A Conab também chama a atenção para os riscos associados ao fenômeno El Niño, incluindo temperaturas elevadas no início do ciclo. As condições meteorológicas podem influenciar o estabelecimento das lavouras e aumentar a necessidade de monitoramento das áreas cultivadas.
Imea projeta queda de 5,43% na produtividade da soja
A perspectiva do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) é mais conservadora do que a estimativa apresentada pela Conab.
Em projeções divulgadas em setembro, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), o instituto estima redução de 5,43% na produtividade da soja em 2026/27, para 62,44 sacas por hectare. A produção estadual está projetada em 48,88 milhões de toneladas.
A diferença entre os números da Conab e do Imea evidencia que ainda há incerteza sobre o desempenho da próxima safra. As estimativas poderão ser ajustadas conforme o avanço do plantio, a evolução das condições climáticas e as decisões de manejo adotadas pelos produtores.
Mesmo com perspectivas distintas, os levantamentos apontam para um ambiente de maior cautela no campo, no qual a rentabilidade deve depender cada vez mais da eficiência na utilização dos recursos disponíveis.
Custo da soja sobe 16,69% e pressiona rentabilidade em Mato Grosso
A elevação das despesas de produção é um dos principais fatores de preocupação para os sojicultores do estado.
Nas estimativas do Imea, o custo total da lavoura deve aumentar 16,69% na safra 2026/27, alcançando R$ 8.171,41 por hectare.
Ao mesmo tempo, o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Lajida), indicador utilizado para avaliar o resultado operacional da atividade, apresenta projeção de queda de 35,05%, para R$ 1.069,47 por hectare.
O avanço dos custos combinado à redução do resultado operacional sinaliza um cenário mais desafiador para a gestão financeira das propriedades rurais. Com menor margem disponível, o produtor precisa avaliar com maior rigor os investimentos em cada etapa do cultivo.
Em análises anteriores, o Imea já havia destacado a valorização dos fertilizantes, especialmente os fosfatados, e do diesel como fatores de pressão sobre os custos da produção de soja.
Esses aumentos reforçam a possibilidade de ajustes no pacote tecnológico, mas também elevam a importância de decisões fundamentadas em informações técnicas sobre o solo e as necessidades da lavoura.
Reduzir custos sem comprometer a produtividade é o desafio do produtor
Para Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, a questão central da safra 2026/27 será identificar quais despesas podem ser ajustadas sem prejudicar o desempenho da cultura.
Segundo ele, a redução indiscriminada dos investimentos pode gerar perdas superiores à economia obtida na compra dos insumos. Por isso, a estratégia deve considerar as características de cada área e o potencial de resposta das plantas.
A análise de solo aparece como uma das ferramentas importantes nesse processo. O diagnóstico permite identificar deficiências nutricionais, reconhecer a disponibilidade de nutrientes e orientar a definição das doses de fertilizantes.
Com essas informações, o produtor pode direcionar os recursos para as necessidades efetivas da lavoura, evitando aplicações desnecessárias sem comprometer a nutrição das plantas.
A adoção de práticas de manejo baseadas em dados também contribui para tornar o planejamento mais preciso e melhorar o controle dos custos por hectare.
Clima e manejo exigem atenção redobrada na safra 2026/27
Além da pressão financeira, as possíveis instabilidades climáticas tornam o planejamento agronômico ainda mais relevante para a próxima temporada.
O acompanhamento das condições do solo, da disponibilidade de água e do desenvolvimento das plantas pode ajudar o produtor a identificar situações de risco e ajustar o manejo ao longo do ciclo.
Nesse contexto, a escolha das tecnologias deve considerar tanto o custo de aquisição quanto o impacto esperado sobre a produtividade e a rentabilidade da lavoura.
A orientação técnica e o monitoramento contínuo podem auxiliar na definição das prioridades de investimento, especialmente em propriedades que precisam operar com margens mais estreitas.
Perspectiva para a soja em Mato Grosso exige eficiência no campo
As projeções para a safra 2026/27 indicam que Mato Grosso poderá registrar uma combinação de expansão moderada da área cultivada, redução da produtividade e menor produção estadual.
A dimensão da queda ainda depende da evolução da temporada, mas o aumento dos custos e a possibilidade de redução do pacote tecnológico já colocam a eficiência produtiva no centro das decisões.
Para os sojicultores, o desafio será preservar o rendimento por hectare e controlar as despesas sem comprometer o potencial das lavouras. A evolução do clima, os preços dos insumos e a qualidade das decisões de manejo serão determinantes para o resultado econômico da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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