Brasil pode liderar produção de SAF em mercado que exige até US$ 1,5 trilhão até 2050
Combustível sustentável de aviação abre oportunidades para a indústria brasileira, mas expansão depende de financiamento, matérias-primas e demanda capaz de absorver custos maiores
Publicado em: 29/10/2026 às 10:20hs
O Brasil reúne condições para ocupar uma posição de liderança na produção de combustível sustentável de aviação (SAF). A oportunidade está em um mercado que poderá exigir entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão em investimentos globais até 2050, conforme estimativa apresentada durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
O potencial brasileiro e os obstáculos para transformar projetos em produção comercial foram debatidos na segunda-feira (26), no painel “SAF – Rumo à Implementação: Book & Claim, Investimentos, Originação e Demanda”.
Participaram Darlan Silva dos Santos, coordenador dos Assuntos de Combustíveis Sustentáveis de Aviação do Ministério de Minas e Energia (MME), e Eliseo Llamazares, líder regional para o Setor Aeroespacial da KPMG. A mediação ficou a cargo de Giovana Araujo, sócia líder do Agronegócio da KPMG.
Custos de implantação desafiam expansão do SAF
Apesar das perspectivas de crescimento, a indústria de SAF ainda precisa superar barreiras para ganhar escala. Entre elas estão o investimento necessário para construir unidades industriais, a disponibilidade de matérias-primas e a formação de uma demanda disposta a absorver o custo adicional do combustível sustentável.
Segundo Santos, a produção mundial ainda não atende a 1% da demanda necessária. Para o representante do MME, essa participação reduzida revela tanto a dimensão do desafio quanto o espaço disponível para novos projetos.
O custo de implantação é um dos principais entraves. Na comparação apresentada por ele, o investimento de capital em uma biorrefinaria de SAF pode chegar a 20 vezes o necessário para uma usina de etanol.
A oferta pulverizada também dificulta a estruturação do mercado, reforçando a necessidade de conectar produção, financiamento e consumo.
Brasil busca condições para ampliar produção e consumo
Durante o debate, Santos destacou os avanços na construção de um ambiente regulatório voltado ao desenvolvimento do SAF no Brasil.
Segundo o representante do ministério, está prevista para 2027 uma meta de redução de 1% das emissões do setor aéreo, com progressão até 10% em 2037. A sinalização de demanda futura foi apontada como parte das condições necessárias para estimular investimentos.
Na avaliação apresentada pelo MME, o objetivo é criar uma base para que o país assuma protagonismo internacional nessa indústria, aproveitando sua experiência na produção de biocombustíveis.
Investimentos globais abrem espaço para novos projetos industriais
Para Eliseo Llamazares, da KPMG, a expansão do combustível sustentável de aviação representa uma oportunidade de desenvolvimento industrial para o Brasil e outros países da América Latina.
A estimativa de investimentos entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão até 2050 está associada à necessidade de atender à demanda global por SAF. O montante corresponde ao mercado mundial, e a participação brasileira dependerá da capacidade de viabilizar projetos e conquistar compradores.
Na avaliação de Llamazares, o Brasil reúne condições para se tornar um dos principais produtores dessa cadeia. A concretização desse potencial, porém, exige financiamento e condições comerciais que permitam ampliar a capacidade produtiva.
Como o Book & Claim pode estimular a demanda
Outro tema discutido foi o Book & Claim, mecanismo que permite negociar os atributos ambientais do SAF separadamente da entrega física do combustível.
Esse modelo pode ampliar o acesso aos benefícios ambientais associados ao combustível sustentável e aproximar produtores e compradores, contribuindo para estimular a demanda.
A consolidação do mercado, conforme o debate, depende da combinação entre previsibilidade regulatória, fornecimento de matérias-primas, recursos para novas unidades e mecanismos de comercialização.
Biocombustíveis integram agenda da Conferência DATAGRO
Realizada nos dias 26 e 27 de outubro, a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol reuniu especialistas, executivos, produtores e autoridades para discutir a safra 2026/27 e as perspectivas dos mercados de açúcar, etanol e outros biocombustíveis.
A programação incluiu debates sobre a Lei do Combustível do Futuro, ampliação do uso do etanol, descarbonização do transporte aéreo e marítimo, novas tecnologias e alternativas de financiamento para a expansão industrial.
Fonte: Portal do Agronegócio
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