Produção de rações cresce 4,2% no Brasil e chega a 45,2 milhões de toneladas no semestre
Avicultura de corte e suinocultura lideram expansão, mas pressão sobre margens, custos de alimentação e concorrência de importados desafiam produtores.
Publicado em: 29/10/2026 às 11:00hs
A indústria brasileira de alimentação animal produziu aproximadamente 45,2 milhões de toneladas de rações no primeiro semestre de 2026, crescimento de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).
A expansão alcançou todos os segmentos acompanhados pela entidade. A avicultura de corte e a suinocultura deram as maiores contribuições ao resultado, apoiadas pelo avanço das exportações de carnes.
O aumento dos volumes, entretanto, convive com dificuldades financeiras nas cadeias atendidas pela indústria. Segundo Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, produzir mais nem sempre significa obter maior rentabilidade, o que exige atenção à eficiência nutricional, ao planejamento comercial e à gestão financeira.
Frangos de corte respondem por 44% da produção de rações
A fabricação de rações para frangos de corte atingiu 19,9 milhões de toneladas, ante 18,9 milhões no primeiro semestre de 2025, alta de 5,3%.
O acréscimo de aproximadamente 1 milhão de toneladas representou a maior contribuição absoluta ao crescimento da indústria. O segmento respondeu por cerca de 44% de toda a produção de alimentação animal no período.
As vendas externas de carne de frango ajudaram a sustentar a demanda. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques superaram 2,9 milhões de toneladas no semestre, crescimento de 12,9% e recorde para o período.
O desempenho foi favorecido pela diversificação dos destinos e, parcialmente, pela comparação com uma base afetada pelas restrições sanitárias de 2025.
Rações para suínos avançam 5,4%, mas margens seguem pressionadas
Na suinocultura, a produção de rações passou de 10,6 milhões para 11,2 milhões de toneladas, avanço de 5,4%.
As exportações de carne suína contribuíram para o resultado, somando mais de 794 mil toneladas no semestre, alta de 10%, conforme a ABPA.
Apesar da expansão das vendas externas, Zani avalia que o aumento do plantel e os ganhos de produtividade elevaram a oferta de animais além da capacidade de absorção dos mercados. Esse desequilíbrio pressionou os preços e comprometeu as margens, especialmente entre produtores independentes.
Postura cresce, mas produtor de ovos perde poder de compra
A produção de rações para aves de postura aumentou 1%, alcançando aproximadamente 3,8 milhões de toneladas.
O crescimento, porém, não eliminou as dificuldades econômicas da atividade. Segundo o CEO do Sindirações, indicadores posteriores ao primeiro semestre mostram deterioração do poder de compra dos avicultores diante do milho e do farelo de soja.
A combinação entre desvalorização dos ovos e encarecimento dos ingredientes levou as relações de troca aos menores níveis reais dos últimos anos, conforme a avaliação apresentada pela entidade.
Ciclo pecuário muda perspectivas para alimentação de bovinos
Na bovinocultura de corte, a fabricação de rações atingiu 2,86 milhões de toneladas, aproximadamente 110 mil toneladas acima do volume registrado no primeiro semestre de 2025.
Segundo Zani, a retenção de matrizes altera as perspectivas de oferta de gado. O movimento foi reforçado, em setembro, pela queda superior a 30% no abate de fêmeas sob inspeção federal.
Na avaliação do dirigente, a menor disponibilidade de animais pode sustentar a arroba do boi gordo e pressionar as margens dos frigoríficos. A maior ocupação dos cochos a partir de junho também sinaliza recuperação do confinamento no segundo semestre.
A mudança do ciclo, contudo, não determina uma redução proporcional da demanda por alimentação industrializada. A retenção de matrizes pode ampliar necessidades de suplementação, enquanto os preços da reposição, do boi gordo e dos ingredientes influenciam as decisões de recria e terminação.
O comportamento do segmento dependerá das condições das pastagens, das estratégias nutricionais e da viabilidade econômica de cada sistema produtivo.
Pecuária leiteira amplia consumo de rações em cenário de concorrência externa
As rações para bovinos leiteiros somaram 3,8 milhões de toneladas, crescimento de 1,8% no primeiro semestre.
Segundo o Sindirações, a atividade permanece pressionada pela concorrência das importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai.
Para Zani, a compressão das margens reduz a capacidade de investimento e pode comprometer a permanência de produtores na atividade. Nesse contexto, a entidade destaca a importância de estratégias nutricionais que melhorem o retorno por litro de leite produzido.
Aquicultura cresce 5,4% e pet food supera 2 milhões de toneladas
Na aquicultura, a produção de rações avançou 5,4%, chegando a aproximadamente 940 mil toneladas.
Os alimentos para cães e gatos cresceram 1% e superaram 2 milhões de toneladas. Já as rações destinadas a equinos alcançaram cerca de 470 mil toneladas no período.
Os resultados mostram a expansão da alimentação animal em diferentes mercados, embora as condições de demanda e rentabilidade variem entre os segmentos.
Para o CEO do Sindirações, transformar esse crescimento em resultados sustentáveis exige decisões baseadas em informação e integração entre nutrição, comercialização e controle financeiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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