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Clima

Super El Niño pode reacender a inflação mundial e adiar cortes de juros

Além dos impactos sobre a produção agrícola, o Super El Niño poderá influenciar diretamente a trajetória da inflação em diversas economias e alterar os planos de política monetária dos principais bancos centrais.


Publicado em: 24/07/2026 às 10:50hs

Super El Niño pode reacender a inflação mundial e adiar cortes de juros

De acordo com a Allianz Research, a inflação de alimentos tende a voltar ao centro das preocupações em vários países da Ásia, especialmente na Indonésia, Índia, Filipinas, Vietnã e Tailândia, onde os alimentos representam parcela significativa dos índices de preços ao consumidor.

A expectativa é que um evento climático de grande intensidade reverta parte do processo de desaceleração inflacionária observado recentemente, exigindo que autoridades monetárias mantenham juros elevados por mais tempo ou até promovam novos aumentos nas taxas básicas.

Essa perspectiva reforça o ambiente de custos financeiros elevados para empresas, consumidores e produtores rurais em diversas regiões do mundo.

Brasil também poderá sentir efeitos sobre inflação e custos de produção

Embora o Brasil esteja entre os países com maior potencial de aumento da produção agrícola durante episódios de El Niño, os impactos econômicos não serão totalmente positivos.

Os pesquisadores destacam que o comportamento climático deverá variar entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sul tende a registrar condições mais favoráveis às lavouras, áreas do Norte e parte da Amazônia poderão enfrentar períodos de estiagem, afetando atividades agrícolas, geração hidrelétrica e logística fluvial.

Esse cenário poderá pressionar:

  • preços de alimentos em determinadas regiões;
  • custos de transporte;
  • tarifas de energia elétrica;
  • logística de escoamento da produção;
  • custos industriais.

Assim, mesmo com maior oferta de grãos, alguns segmentos da economia brasileira poderão enfrentar aumento de custos operacionais.

Empresas deverão reforçar estratégias de gestão de riscos

O estudo recomenda que empresas ligadas ao agronegócio, indústria de alimentos, comércio exterior e logística adotem estratégias preventivas para enfrentar um ambiente de maior volatilidade.

Entre as principais medidas sugeridas estão:

  • diversificação de fornecedores;
  • ampliação da gestão de estoques;
  • fortalecimento dos mecanismos de proteção de preços (hedge);
  • revisão dos contratos logísticos;
  • monitoramento constante das políticas comerciais adotadas pelos principais países exportadores.

Segundo os economistas, em muitos momentos as decisões governamentais — como restrições às exportações, formação de estoques públicos e controles de preços — poderão provocar impactos ainda maiores do que as próprias perdas agrícolas causadas pelo clima.

Mercados financeiros tendem a absorver bem o fenômeno

Apesar das preocupações com inflação e commodities, a Allianz avalia que um Super El Niño dificilmente provocará uma crise generalizada nos mercados financeiros.

A análise histórica mostra que bolsas de valores, especialmente nos Estados Unidos, foram muito mais influenciadas pelo ciclo econômico, pelos lucros corporativos e pelas decisões de política monetária do que pelo fenômeno climático em si.

Nos mercados emergentes, entretanto, economias altamente dependentes da importação de alimentos e mais vulneráveis à seca podem apresentar desempenho inferior ao observado em outras regiões, principalmente entre 12 e 18 meses após o pico do fenômeno.

O que o agronegócio brasileiro deve monitorar

Para produtores, cooperativas, exportadores e investidores, os próximos meses serão decisivos para avaliar a intensidade dos impactos.

Os principais indicadores a serem acompanhados incluem:

  • desempenho das monções na Índia;
  • evolução da produção de óleo de palma na Indonésia e Malásia;
  • desenvolvimento das lavouras de cacau na África Ocidental;
  • possíveis restrições às exportações adotadas por grandes produtores mundiais;
  • comportamento da inflação internacional de alimentos;
  • evolução das safras brasileiras de soja, milho, café e açúcar.

Esses fatores poderão definir o comportamento das commodities agrícolas, dos custos de produção e das oportunidades comerciais ao longo das próximas safras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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