El Niño pode aumentar produtividade de soja e milho no Sul do Brasil, aponta Santander
Estudo indica que o fenômeno climático deve elevar o volume de chuvas na região Sul e favorecer as lavouras de verão, mas pode ampliar riscos de volatilidade para outras áreas produtoras e para os preços dos alimentos.
Publicado em: 24/07/2026 às 10:20hs
A formação de um novo episódio de El Niño nos próximos meses pode favorecer a produtividade agrícola no Sul do Brasil, especialmente nas culturas de soja e milho, segundo análise do Santander. O levantamento aponta que o fenômeno climático, apesar de aumentar a volatilidade nos mercados agrícolas e pressionar alguns preços de alimentos, tende a criar um ambiente mais positivo para as lavouras da região.
De acordo com o estudo, há possibilidade de o El Niño alcançar intensidade forte a muito forte, trazendo chuvas acima da média histórica para o Sul brasileiro durante o período de desenvolvimento das culturas de verão.
A análise reforça que o fenômeno não deve ser interpretado apenas como um fator negativo para o agronegócio nacional, mas como um evento que redistribui oportunidades e riscos entre diferentes regiões produtoras.
Histórico mostra impacto positivo do El Niño sobre lavouras do Sul
O estudo do Santander cruzou dados de produtividade agrícola desde 1962 com o Índice Oceânico Niño (ONI) para avaliar os impactos dos diferentes episódios de El Niño sobre a agricultura brasileira.
Os resultados indicam que, historicamente, o fenômeno aumenta a ocorrência de chuvas no Sul do país durante o ciclo de verão, fase considerada decisiva para o desenvolvimento das lavouras de soja e milho.
Como consequência, as produtividades dessas culturas costumam ficar acima da tendência histórica regional durante eventos de El Niño.
O comportamento também foi observado em episódios considerados extremos, como o registrado na safra 2015/16, quando o fenômeno apresentou forte intensidade.
El Niño beneficia Sul, mas aumenta riscos no Centro-Oeste
Apesar dos efeitos positivos para algumas regiões, o fenômeno climático pode gerar impactos diferentes dentro do território brasileiro.
Segundo o Santander, enquanto o Sul tende a receber maior volume de chuvas, áreas do Centro-Oeste podem enfrentar condições mais secas, aumentando os riscos para importantes polos produtores de grãos.
Para o economista do Santander e responsável pelo levantamento, Adriano Valladão, o principal efeito do El Niño é ampliar a variabilidade climática.
“O mesmo evento climático pode ao mesmo tempo beneficiar produtores do Sul do Brasil e pressionar o Centro-Oeste, onde as condições tendem a ficar mais secas. O que o El Niño realmente eleva é a volatilidade.”
A avaliação indica que o monitoramento do clima será fundamental para produtores, tradings, indústrias e investidores ao longo da safra 2026/27.
Clima pode influenciar inflação de alimentos no Brasil
Além dos impactos sobre a produção agrícola, o estudo analisou os reflexos do El Niño sobre a inflação brasileira.
Segundo o Santander, os produtos mais sensíveis aos efeitos climáticos de curto prazo devem ser os alimentos in natura, como:
- frutas;
- verduras;
- legumes.
Já alimentos industrializados e semiprocessados tendem a apresentar comportamento mais próximo ao observado em períodos de neutralidade climática.
Nas projeções do banco, a inflação dos alimentos consumidos dentro dos domicílios deve alcançar seu pico em fevereiro de 2027, cerca de 5 pontos percentuais acima do nível observado em agosto de 2026.
Esse impacto representaria aproximadamente 75 pontos-base no IPCA, com tendência de reversão gradual ao longo de 2027 e 2028.
Mercado agrícola monitora intensidade e duração do fenômeno
Para o Santander, parte dos possíveis impactos do El Niño já está incorporada nas projeções econômicas, reduzindo incertezas sobre a direção do cenário climático.
A atenção agora está concentrada principalmente em dois fatores:
- intensidade do fenômeno;
- duração do padrão climático.
Para os produtores do Sul, o cenário pode representar uma oportunidade de melhora no potencial produtivo das lavouras, desde que o regime de chuvas permaneça dentro do padrão esperado durante todo o ciclo agrícola.
“Para o produtor do Sul e para quem acompanha a cadeia de grãos na região, é importante considerar que esse é um ambiente potencialmente favorável em 2026/27, desde que se monitore o ritmo e padrão das chuvas ao longo do ciclo”, afirma Valladão.
El Niño reforça importância do planejamento climático no agro
A possibilidade de um El Niño forte coloca novamente o clima no centro das decisões estratégicas do agronegócio brasileiro.
Com impactos diferentes entre regiões, o fenômeno deve influenciar produtividade, preços agrícolas, custos de produção e estratégias comerciais durante a próxima temporada.
Para produtores de soja e milho do Sul do Brasil, o cenário climático pode abrir uma janela positiva de produtividade, enquanto outras regiões precisarão manter atenção redobrada ao risco de irregularidade das chuvas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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