El Niño aumenta risco climático para a safra 2026/27 e novembro será mês mais crítico, aponta IMBR Agro
Relatório projeta temperaturas acima da média em todo o Brasil e mudanças no regime de chuvas, com maior risco de déficit hídrico no Norte e Nordeste e excesso de precipitação no Sul
Publicado em: 11/08/2026 às 10:45hs
O avanço do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 deve elevar a exposição climática da agricultura brasileira durante a safra 2026/2027. Um estudo da IMBR Agro, elaborado a partir de projeções do Oceanic Niño Index (ONI), da NOAA, e de dados climáticos do ERA5, aponta mudanças relevantes no regime de chuvas e temperaturas entre julho de 2026 e abril de 2027.
A análise mostra que os efeitos do fenômeno devem ocorrer de maneira desigual entre as regiões brasileiras. Enquanto Norte e Nordeste tendem a enfrentar maior risco de déficit hídrico, o Sul deve registrar volumes de chuva acima da média, elevando a possibilidade de problemas associados ao excesso de umidade.
Entre os períodos avaliados, novembro de 2026 aparece como o principal ponto de atenção para o agronegócio, reunindo as maiores anomalias de temperatura e déficit hídrico projetados.
El Niño deve mudar o cenário climático da safra 2026/27
De acordo com o relatório, 20 das 27 unidades da Federação devem terminar o período analisado com precipitação acumulada abaixo da média histórica.
A maior concentração dos déficits está prevista para as regiões Norte e Nordeste, justamente áreas onde a irregularidade das chuvas pode afetar etapas importantes do calendário agrícola.
No sentido contrário, o Sul do Brasil apresenta tendência de chuvas acima do padrão histórico, comportamento associado às características climáticas esperadas durante episódios de El Niño.
Entre os maiores déficits acumulados projetados estão:
- Pará: -459 mm;
- Roraima: -395 mm;
- Maranhão: -313 mm.
Já os maiores excedentes de precipitação aparecem no:
- Rio Grande do Sul: +542 mm;
- Santa Catarina: +433 mm;
- Paraná: +383 mm.
Os números mostram que o impacto do fenômeno não será uniforme e que a gestão do risco climático precisará considerar as particularidades de cada região produtora.
Temperaturas devem ficar acima da média em todo o Brasil
Além das alterações nas chuvas, o relatório prevê temperaturas acima da média histórica em todas as 27 unidades da Federação durante a janela analisada.
A anomalia média nacional projetada é de +0,47 °C.
Os maiores desvios positivos estão previstos para:
- Roraima: +1,03 °C;
- Pará: +0,83 °C;
- Rondônia: +0,70 °C.
O aquecimento deve atingir seu ponto máximo em novembro de 2026, quando a anomalia média nacional de temperatura pode chegar a +0,98 °C.
A combinação entre temperaturas mais elevadas e menor disponibilidade de água aumenta a preocupação com o desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões em que a semeadura ocorrerá sob condições de déficit hídrico.
Novembro de 2026 concentra maior risco climático
O relatório da IMBR Agro identifica novembro de 2026 como o mês de maior criticidade para a agricultura brasileira.
Durante esse período, o déficit acumulado de precipitação entre os estados que apresentam anomalias negativas chega a 905 milímetros. Ao mesmo tempo, o país registra sua maior anomalia positiva de temperatura dentro da janela estudada.
Novembro também apresenta a maior diferença entre o estado com menor volume de chuva e aquele com maior precipitação, indicando forte variabilidade espacial das condições climáticas.
Para o produtor rural, isso significa que indicadores nacionais podem não ser suficientes para avaliar o risco de uma determinada propriedade. A localização e o estágio da cultura serão determinantes para definir o grau de exposição.
Norte e Nordeste têm soja entre as culturas mais expostas
No Norte, o cenário projetado merece atenção especial para a soja. A cultura representa aproximadamente 33% do Valor Bruto da Produção (VBP) regional.
A combinação entre chuvas abaixo da média durante a semeadura e temperaturas mais elevadas coloca a atividade em uma faixa de alta exposição climática.
Situação semelhante é projetada para o Nordeste, onde a soja representa cerca de 32% do VBP regional.
Nessas áreas, eventuais atrasos na regularização das chuvas podem comprometer o estabelecimento inicial das lavouras e aumentar a necessidade de planejamento para reduzir os efeitos de períodos de estresse hídrico.
Centro-Oeste e Sudeste têm risco escondido no calendário agrícola
No Centro-Oeste e no Sudeste, a situação é mais complexa.
Embora o acumulado de precipitação ao longo dos dez meses analisados seja positivo nas duas regiões, o estudo mostra que os períodos mais importantes para a implantação das lavouras apresentam déficit hídrico.
No Centro-Oeste, a janela considerada mais sensível registra redução de 48 milímetros, apesar de o acumulado de todo o período apresentar saldo positivo de 165 milímetros.
No Sudeste, o déficit chega a 99 milímetros durante a janela crítica, enquanto o acumulado dos dez meses permanece positivo em 55 milímetros.
O resultado reforça um ponto importante para o planejamento da safra: um balanço positivo de chuva ao longo de vários meses não significa necessariamente baixo risco climático.
Para culturas como soja, cana-de-açúcar e café, a distribuição das chuvas no momento adequado pode ser mais determinante do que o volume acumulado no período completo.
Sul terá risco de excesso de chuva
Na região Sul, o cenário esperado é diferente.
O Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná aparecem entre os estados com maiores excedentes de precipitação no período analisado.
Para a soja, principal cultura agrícola da região, a projeção indica chuvas acima da média durante a janela considerada mais sensível.
Nesse caso, o risco climático muda de natureza.
Em vez da preocupação predominante com a falta de água, os produtores podem enfrentar problemas relacionados ao excesso de umidade, incluindo dificuldades para o plantio, condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças, problemas de sanidade das lavouras e obstáculos às operações de colheita.
Safra 2026/27 exige planejamento climático regionalizado
O estudo da IMBR Agro reforça que o El Niño não deve produzir um único padrão de risco para toda a agricultura brasileira.
A mesma anomalia climática pode representar problemas completamente diferentes dependendo da região, da cultura e da fase do ciclo produtivo.
No Norte e Nordeste, o principal ponto de atenção é o déficit hídrico associado às temperaturas elevadas. No Centro-Oeste e Sudeste, o risco está concentrado especialmente nas janelas de semeadura e desenvolvimento inicial. Já no Sul, o excesso de chuva pode assumir papel mais relevante.
Essa diferença reforça a importância de utilizar previsões climáticas associadas ao calendário agrícola e à localização das lavouras, em vez de considerar apenas médias nacionais ou acumulados de longo prazo.
Clima será fator decisivo para o agronegócio em 2026/27
A perspectiva de fortalecimento do El Niño coloca o clima entre os principais fatores de risco para a safra brasileira 2026/27.
Além de influenciar produtividade e calendário de plantio e colheita, as condições climáticas podem afetar custos de produção, qualidade dos produtos, necessidade de replantio, logística e formação de preços das principais commodities agrícolas.
Para produtores, cooperativas, tradings, instituições financeiras e seguradoras, o cenário aumenta a importância do monitoramento climático regional e da gestão antecipada de riscos.
A análise da IMBR Agro indica que novembro deve concentrar o maior nível de atenção, mas os efeitos do fenômeno serão determinados pela interação entre chuvas, temperaturas, cultura agrícola e momento do ciclo produtivo.
Com isso, a safra 2026/27 deverá exigir maior precisão nas decisões de plantio, manejo e proteção financeira, especialmente diante de um cenário em que déficit hídrico e excesso de chuva podem ocorrer simultaneamente em diferentes partes do Brasil.
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Fonte: Portal do Agronegócio
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