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Clima

El Niño aumenta risco climático para a próxima safra de arroz no Mercosul

Fenômeno pode elevar as chuvas na primavera e beneficiar a disponibilidade de água, mas excesso de umidade pode atrasar o plantio, aumentar custos e pressionar produtividade e qualidade dos grãos


Publicado em: 12/08/2026 às 16:30hs

El Niño aumenta risco climático para a próxima safra de arroz no Mercosul

O avanço do El Niño no segundo semestre de 2026 coloca o clima novamente no centro das atenções para a próxima safra de arroz no Mercosul. A expectativa de uma primavera mais chuvosa em importantes regiões produtoras pode melhorar a disponibilidade hídrica, mas também aumentar os desafios para o plantio, o manejo das lavouras e a produtividade.

A avaliação é do analista da cadeia de arroz Sergio Cardoso, que chama atenção para a necessidade de acompanhar não apenas o volume acumulado de chuva, mas principalmente a distribuição das precipitações ao longo do ciclo agrícola.

Para o arroz irrigado, a disponibilidade de água é fundamental, mas chuvas excessivas ou mal distribuídas podem provocar efeitos negativos sobre as operações no campo.

Rio Grande do Sul terá clima como ponto de atenção

No Rio Grande do Sul, principal região produtora de arroz do Brasil, volumes elevados de chuva entre setembro e novembro podem dificultar o andamento da próxima safra.

O excesso de precipitações pode atrasar o preparo do solo, comprometer o cronograma de semeadura e aumentar a necessidade de operações adicionais no campo.

Além dos impactos agronômicos, o cenário pode elevar os custos de produção do arroz, principalmente caso os produtores enfrentem dificuldades para acessar as áreas e cumprir as janelas consideradas mais adequadas para o plantio.

Por isso, a intensidade e a distribuição das chuvas durante a primavera serão determinantes para o desempenho inicial das lavouras gaúchas.

Uruguai e Argentina ganham reforço na disponibilidade de água

No Uruguai e na Argentina, o cenário hídrico apresenta um aspecto potencialmente favorável.

Reservatórios mais cheios aumentam a disponibilidade de água para irrigação e podem reduzir o risco de restrições durante o desenvolvimento das lavouras.

No entanto, o excesso de umidade também representa um desafio. Chuvas acima do necessário podem dificultar o manejo das áreas, prejudicar operações agrícolas e aumentar a necessidade de controle fitossanitário.

Assim, o benefício do El Niño dependerá do equilíbrio entre a disponibilidade de água e as condições efetivas para condução das lavouras.

Paraguai tem menor risco de restrição hídrica

No Paraguai, a maior disponibilidade de água tende a reduzir o risco de problemas relacionados à irrigação.

Por outro lado, eventos de chuva intensa podem afetar o andamento das operações agrícolas e criar condições mais favoráveis ao surgimento e à disseminação de doenças.

O cenário reforça que o impacto do El Niño não será uniforme entre os países produtores do Mercosul.

Produtividade pode ganhar importância na próxima safra

Segundo Sergio Cardoso, o mercado pode estar concentrando atenção excessiva na área plantada, enquanto a produtividade tende a ser um dos principais fatores para determinar o resultado da próxima temporada.

Um El Niño de intensidade moderada pode contribuir positivamente para a disponibilidade de água e reduzir riscos relacionados à irrigação.

Porém, caso o fenômeno se intensifique, outros fatores passam a preocupar.

O aumento da nebulosidade e a redução da radiação solar podem limitar o desenvolvimento das plantas. Ao mesmo tempo, condições de maior umidade podem elevar a pressão de doenças.

Esses efeitos podem comprometer não apenas a produtividade por hectare, mas também o rendimento industrial e a qualidade dos grãos de arroz.

Clima volta ao radar após pressão do excesso de oferta

O mercado de arroz chega a este novo ciclo após um período em que o excesso de oferta exerceu forte influência sobre os preços.

Agora, o clima começa a recuperar espaço na formação das expectativas para a próxima safra.

A possibilidade de mudanças no regime de chuvas aumenta a percepção de risco entre produtores, indústrias, exportadores e compradores, que passam a acompanhar com maior atenção as projeções climáticas para os próximos meses.

A questão central, portanto, não será apenas saber se vai chover mais, mas quando, onde e com qual intensidade as chuvas ocorrerão.

El Niño pode mudar as expectativas para o arroz

O comportamento do fenômeno climático ao longo do segundo semestre será decisivo para definir os impactos sobre a produção de arroz no Mercosul.

A maior disponibilidade de água pode ser positiva para regiões irrigadas, especialmente onde os reservatórios apresentam níveis mais confortáveis. Entretanto, chuvas excessivas podem gerar efeitos contrários ao dificultar o preparo das áreas, atrasar a semeadura, aumentar custos e favorecer doenças.

Com isso, a próxima safra de arroz deverá ser acompanhada cada vez mais pela combinação entre área plantada, produtividade, disponibilidade hídrica, radiação solar e condições fitossanitárias.

O clima volta, assim, a ser um dos principais elementos de risco para o mercado de arroz, em um momento em que produtores e agentes da cadeia começam a construir suas estratégias para a temporada 2026/27.

Próxima safra de arroz: principais pontos de atenção
  • El Niño: fortalecimento previsto para o segundo semestre de 2026;
  • Primavera: possibilidade de chuvas acima da média em partes do Mercosul;
  • Rio Grande do Sul: excesso de chuva pode atrasar preparo e semeadura;
  • Uruguai e Argentina: reservatórios mais cheios favorecem a irrigação;
  • Paraguai: maior disponibilidade hídrica reduz risco de restrições;
  • Produtividade: pode ser mais importante que a área plantada na definição da oferta;
  • Radiação solar: menor incidência pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras;
  • Doenças: excesso de umidade pode aumentar a pressão fitossanitária;
  • Qualidade: clima adverso pode afetar rendimento industrial e qualidade dos grãos;
  • Mercado: percepção de risco climático tende a ganhar peso na formação das expectativas.

Fonte: análise de Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz.

Fonte: Portal do Agronegócio

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