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Arroz

Manejo da resteva de arroz pode elevar custos e desafiar rentabilidade no RS

Decisão sobre preparo, incorporação ou uso da palhada influencia gastos com combustível, manutenção de máquinas e aproveitamento das áreas na Fronteira Oeste


Publicado em: 12/08/2026 às 10:20hs

Manejo da resteva de arroz pode elevar custos e desafiar rentabilidade no RS

O manejo da resteva de arroz durante o período de pousio tornou-se um ponto estratégico para produtores da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Em um cenário de pressão sobre as margens da produção de arroz e preços menos favoráveis, a escolha do sistema adotado pode representar diferenças importantes nos custos da propriedade.

Segundo o engenheiro agrônomo Edison Jacociunas, mesmo diante das cotações mais baixas do arroz, parte dos produtores ainda mantém práticas de manejo semelhantes às utilizadas em períodos de maior remuneração da atividade.

O problema é que determinadas operações podem aumentar a demanda por combustível, máquinas, equipamentos e mão de obra, componentes que exercem peso significativo sobre o custo de produção.

Combustível e máquinas pesam no custo do arroz

Entre os principais pontos de atenção está o gasto com combustível e manutenção do maquinário agrícola.

Em algumas propriedades, a tentativa de aproveitar máquinas e mão de obra disponíveis leva à antecipação de operações relacionadas à próxima safra. Quando realizadas em condições inadequadas de solo ou fora do momento tecnicamente mais indicado, essas atividades podem elevar os custos sem necessariamente trazer retorno proporcional.

Por isso, o manejo da resteva precisa ser avaliado não apenas sob o aspecto agronômico, mas também pela ótica econômica.

Manejo da resteva depende do perfil da propriedade

Não existe uma única estratégia capaz de atender todas as propriedades produtoras de arroz. A decisão depende das características de cada unidade produtiva, do sistema de cultivo, da disponibilidade de máquinas, das condições do solo e, em muitos casos, do acordo estabelecido entre produtores e proprietários das áreas.

A situação ganha relevância na Fronteira Oeste porque parte das áreas utilizadas para o cultivo de arroz pertence a terceiros.

Nesses casos, nem sempre o proprietário demonstra interesse em realizar investimentos necessários para a formação de pastagens sobre a resteva, o que limita algumas alternativas de utilização da área durante o período de pousio.

Incorporação da resteva aparece como alternativa

Uma das possibilidades é realizar a incorporação da resteva de arroz durante o intervalo entre as safras.

A estratégia pode ser adotada quando não há interesse ou condições para estabelecer uma pastagem na área. Entretanto, a operação também exige planejamento, principalmente devido ao consumo de combustível e ao desgaste dos equipamentos.

Outro fator que interfere na decisão são as condições estabelecidas nos contratos de parceria.

Em determinadas situações, o proprietário pode condicionar a utilização da área à continuidade do cultivo de arroz por mais de uma safra consecutiva, restringindo a possibilidade de alternância entre diferentes atividades agrícolas.

Azevém permite integrar arroz e pecuária

Nas propriedades em que existe alternância anual das áreas cultivadas, uma alternativa é aproveitar a resteva para implantação de azevém em cobertura, destinado ao pastejo de animais.

O sistema permite utilizar a área durante o período de pousio e integrar a produção de arroz com a pecuária.

Além do aproveitamento da resteva, essa estratégia pode proporcionar maior flexibilidade para o planejamento das operações agrícolas, permitindo que o preparo para o cultivo de verão seja realizado quando as condições de solo estiverem mais adequadas.

Planejamento do manejo é fundamental

A escolha entre incorporar a resteva, implantar azevém ou realizar outras operações deve considerar o conjunto de condições da propriedade.

Entre os fatores que precisam entrar na análise estão:

  • custo do combustível;
  • manutenção de máquinas e implementos;
  • disponibilidade de equipamentos;
  • mão de obra;
  • condições de umidade e estrutura do solo;
  • sistema de parceria ou arrendamento;
  • possibilidade de integração com a pecuária;
  • planejamento da próxima safra;
  • retorno econômico esperado.

Dessa forma, uma operação que parece vantajosa do ponto de vista operacional pode deixar de ser interessante quando são contabilizados todos os custos envolvidos.

Eficiência no manejo pode ajudar a preservar margem

Com as cotações do arroz pressionadas, a gestão dos custos ganha ainda mais importância para a rentabilidade das propriedades.

O manejo da resteva, portanto, deixa de ser apenas uma decisão relacionada ao intervalo entre duas safras e passa a fazer parte do planejamento econômico da produção.

A estratégia mais adequada será aquela capaz de conciliar conservação e uso do solo, aproveitamento da área, eficiência das operações e controle dos custos.

Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde diferentes sistemas produtivos e relações de uso da terra convivem, a decisão precisa ser tomada de acordo com a realidade de cada propriedade. O objetivo é evitar operações desnecessárias, reduzir despesas com máquinas e combustível e preparar a área para a próxima etapa do ciclo produtivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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