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Soja

Tempo seco na soja pode esconder risco de doenças e comprometer produtividade na retomada das chuvas

Estiagem reduz temporariamente a pressão de alguns fungos, mas patógenos permanecem na lavoura e podem voltar a causar perdas com o aumento da umidade


Publicado em: 12/08/2026 às 15:30hs

Tempo seco na soja pode esconder risco de doenças e comprometer produtividade na retomada das chuvas
Foto: Getty Images/Olga Seifutdinova

O período de tempo seco nas regiões produtoras de soja pode criar uma falsa sensação de segurança entre os agricultores. Embora a baixa umidade reduza momentaneamente a evolução de algumas doenças, os fungos continuam presentes em sementes infectadas, restos culturais e plantas hospedeiras, podendo retomar o desenvolvimento rapidamente quando as condições climáticas se tornam favoráveis.

Especialistas alertam que o atraso no manejo preventivo durante a estiagem pode aumentar o risco de desfolha, redução da capacidade fotossintética das plantas, menor enchimento de grãos e consequente queda de produtividade.

Doenças da soja permanecem na lavoura mesmo durante períodos secos

Segundo a Embrapa Soja, algumas doenças apresentam elevado potencial de dano quando encontram condições adequadas para desenvolvimento. A mancha-alvo, por exemplo, pode provocar desfolha intensa em cultivares suscetíveis e resultar em perdas de produtividade que podem chegar a 40%.

A doença também apresenta maior risco em áreas onde ocorre sucessão da soja com culturas hospedeiras do fungo, como algodão e crotalária, favorecendo a permanência do patógeno no sistema produtivo.

“O produtor precisa avaliar o histórico da área, a cultivar utilizada, as culturas anteriores e a previsão do tempo para definir o momento adequado do manejo. A antecipação é decisiva para evitar que a doença avance quando as condições voltarem a ser favoráveis”, explica André Ricci, gerente de Comunicação e Marketing da Ourofino Agrociência.

Retorno das chuvas favorece avanço dos fungos

Cada patógeno possui um comportamento específico diante das condições ambientais. No caso do fungo associado à mancha-alvo, a sobrevivência pode ocorrer em sementes contaminadas, resíduos vegetais e plantas hospedeiras presentes na área.

Com o retorno das chuvas, o aumento da umidade e do período de molhamento foliar cria um ambiente favorável para novas infecções e acelera a disseminação da doença dentro da lavoura.

Outras doenças foliares, como a mancha-parda, também podem apresentar evolução rápida quando há combinação de temperaturas adequadas e maior disponibilidade de água.

Um dos desafios do monitoramento é que os sintomas visíveis nem sempre indicam o início do problema. Quando as manchas aparecem nas folhas, o fungo pode já estar estabelecido nos tecidos da planta, reduzindo a área responsável pela fotossíntese e afetando o potencial produtivo.

Manejo preventivo é essencial para proteger a produtividade da soja

Para reduzir os impactos das doenças, especialistas recomendam que o produtor mantenha uma estratégia integrada de manejo, mesmo em períodos de estiagem.

Entre as principais medidas estão:

  • Monitoramento frequente das áreas cultivadas;
  • Uso de sementes certificadas e livres de patógenos;
  • Escolha de cultivares com melhor nível de resistência;
  • Rotação de culturas para reduzir a sobrevivência dos fungos;
  • Controle de plantas voluntárias e hospedeiras;
  • Planejamento correto da aplicação de fungicidas;
  • Alternância de mecanismos de ação para evitar resistência dos patógenos.

“O manejo eficiente depende de decisões tomadas antes que a doença esteja instalada. O posicionamento correto das tecnologias e a combinação de diferentes estratégias são fundamentais para preservar o potencial produtivo da soja”, reforça Ricci.

Monitoramento climático ganha importância no ciclo da soja

Com a crescente irregularidade climática, o acompanhamento das condições ambientais se torna uma ferramenta estratégica para o produtor. A combinação entre histórico da área, características da cultivar e previsão meteorológica permite antecipar decisões e reduzir riscos.

Mesmo em cenários de estiagem, a recomendação técnica é manter o monitoramento constante, já que a volta da umidade pode transformar rapidamente uma situação aparentemente controlada em um quadro de alta pressão de doenças.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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