Clima derruba oferta de frutas e pressiona preços agrícolas em São Paulo; limão sobe 74% e tomate cai 46%
Levantamento da Faesp mostra forte volatilidade nas cotações em julho, com impacto das chuvas, ventos, temperaturas, oferta e demanda sobre produtos agrícolas paulistas
Publicado em: 11/08/2026 às 17:30hs
Os preços agrícolas recebidos pelos produtores de São Paulo apresentaram forte volatilidade em julho, influenciados principalmente pelas condições climáticas, pelo ritmo de oferta e pelo comportamento da demanda. Levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) mostra que produtos como limão tahiti e banana nanica registraram altas expressivas, enquanto tomate, ovos de galinha e feijão cores tiveram queda nas cotações.
Entre os produtos analisados, o limão tahiti apresentou a maior valorização no mês, enquanto o tomate registrou a retração mais acentuada.
Limão tahiti dispara 74% em julho
O limão tahiti liderou as altas entre os produtos acompanhados pela Faesp.
A caixa de 27 quilos foi comercializada, em média, por R$ 55,36, alta de 74,4% em relação a junho. Na comparação com julho de 2025, a valorização acumulada chega a 35,8%.
Segundo a entidade, a forte alta está relacionada à redução da oferta nos pomares paulistas. As condições climáticas adversas, especialmente as fortes chuvas e os ventos, provocaram queda de folhas e frutos, reduzindo a disponibilidade da fruta no mercado.
Com menor oferta e demanda ainda presente, os preços recebidos pelos produtores reagiram de forma significativa durante o mês.
Banana nanica também registra forte valorização
A banana nanica foi outro destaque positivo no mercado agrícola paulista.
O preço médio alcançou R$ 1,79 por quilo, avanço de 24,6% na comparação mensal e de 11,7% frente a julho do ano passado.
No Vale do Ribeira, principal polo produtor de banana de São Paulo e uma das principais regiões da cultura no país, os produtores enfrentam desafios adicionais para comercializar parte da produção.
As condições climáticas contribuíram para perdas de qualidade e problemas no aspecto visual dos frutos, dificultando a comercialização de lotes que não atendem aos padrões exigidos pelo mercado.
Ao mesmo tempo, parte da produção paulista tem sido direcionada para Santa Catarina. A movimentação ocorre em meio ao aumento das exportações por produtores catarinenses, alterando o fluxo regional de comercialização da fruta.
Tomate registra queda de 46% nos preços
Na ponta negativa, o tomate apresentou a maior queda entre os produtos acompanhados pela Faesp.
O preço recebido pelos produtores recuou 46,1% em julho, na comparação com junho. Em 12 meses, a desvalorização chega a 32,6%.
De acordo com a entidade, o comportamento dos preços foi influenciado pelas temperaturas mais baixas nas regiões produtoras e por uma demanda ainda enfraquecida.
A combinação entre menor consumo e as condições de oferta contribuiu para ampliar a pressão sobre as cotações recebidas pelos agricultores.
Ovos recuam com oferta elevada e demanda mais fraca
O mercado de ovos de galinha também apresentou queda significativa em julho.
A caixa com 30 dúzias foi negociada, em média, por R$ 133,65, valor 14,2% menor que o registrado em junho. Na comparação anual, a retração chega a 11,3%.
Segundo a Faesp, a queda foi resultado principalmente da combinação entre demanda mais fraca e oferta interna elevada.
A redução das cotações neste período do ano não é incomum. Entretanto, a entidade destaca que o recuo observado em 2026 foi mais intenso, em um cenário de estabilidade da produção.
Feijão cores cai 10,3%, mas acumula forte alta em 12 meses
O feijão cores também encerrou julho em baixa.
A saca de 60 quilos foi negociada, em média, por R$ 367,20, queda de 10,3% em relação a junho.
O principal fator de pressão foi o avanço da colheita, que ampliou a disponibilidade do produto no mercado e aumentou a oferta.
Apesar da queda mensal, o cenário de longo prazo continua favorável aos preços. Na comparação com julho de 2025, o feijão cores acumula valorização de expressivos 79,1%.
Clima ganha peso na formação dos preços agrícolas
Os dados de julho reforçam a importância do clima para a formação dos preços agrícolas em São Paulo.
No caso do limão tahiti, chuvas e ventos reduziram a disponibilidade da fruta e provocaram forte valorização. Para a banana, problemas de qualidade afetaram a comercialização de parte da produção.
Já no tomate, as temperaturas mais baixas, combinadas à demanda enfraquecida, contribuíram para a queda das cotações. No feijão cores, o avanço da colheita ampliou a oferta e pressionou os preços.
O comportamento dos ovos mostrou outro vetor importante: mesmo com produção estável, uma demanda menor e uma oferta interna elevada foram suficientes para intensificar a pressão baixista.
Mercado agrícola paulista segue marcado por forte volatilidade
O desempenho de julho evidencia que não existe um único fator determinando os preços agrícolas. Clima, oferta, demanda, qualidade dos produtos e fluxo regional de comercialização atuaram simultaneamente sobre as cotações.
Para os produtores paulistas, o cenário exige atenção ao comportamento da oferta nas próximas semanas, especialmente para culturas mais sensíveis às condições climáticas.
A tendência é que mudanças no clima e no ritmo de colheita continuem influenciando diretamente a disponibilidade dos produtos e, consequentemente, os preços recebidos no campo.
Preços agrícolas em São Paulo: principais movimentos de julho
- Limão tahiti: R$ 55,36/cx de 27 kg, alta de 74,4% no mês;
- Banana nanica: R$ 1,79/kg, alta de 24,6%;
- Tomate: queda de 46,1% em julho;
- Ovos de galinha: R$ 133,65/cx com 30 dúzias, recuo de 14,2%;
- Feijão cores: R$ 367,20/saca de 60 kg, queda de 10,3%, mas alta de 79,1% em 12 meses.
O mercado agrícola paulista encerrou julho com movimentos opostos entre os principais produtos. Enquanto problemas climáticos reduziram a oferta e elevaram os preços de frutas, o avanço da colheita, a demanda mais fraca e a maior disponibilidade pressionaram produtos como tomate, ovos e feijão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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