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Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% e chegam ao menor nível em três anos

Vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026; produtos sujeitos às sobretaxas mais elevadas tiveram queda de 31,5%


Publicado em: 11/08/2026 às 18:40hs

Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% e chegam ao menor nível em três anos

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho de 2026, em um cenário marcado pelo impacto das sobretaxas aplicadas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

De acordo com o Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base nos dados de julho do Comexstat, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 21 bilhões nos primeiros sete meses do ano.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o Brasil deixou de exportar aproximadamente US$ 2,9 bilhões aos Estados Unidos. O resultado levou as vendas brasileiras ao mercado norte-americano ao menor patamar dos últimos três anos.

Produtos com tarifas mais altas registram queda de 31,5%

O impacto das medidas tarifárias é ainda mais evidente entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, atualmente entre 25% e 37,5%.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações desses produtos caíram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões em 2025 para US$ 3,2 bilhões em 2026.

A redução representa uma perda de aproximadamente US$ 1,4 bilhão em vendas brasileiras para os Estados Unidos.

Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, o desempenho evidencia uma perda de dinamismo no comércio bilateral, especialmente nos segmentos mais afetados pelas tarifas.

Exportações brasileiras aos EUA recuam 5% em julho

Somente em julho de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025.

O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as vendas brasileiras haviam apresentado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas.

Entre os produtos submetidos às sobretaxas de 25% a 37,5%, a retração em julho chegou a 25,7%.

Em sentido contrário, os produtos abrangidos pela Seção 232 registraram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de produtos de aço e alumínio.

Sebo, madeira, fumo e sucos estão entre os produtos mais afetados

Entre os produtos que apresentaram as maiores quedas nas exportações brasileiras aos Estados Unidos no acumulado do ano estão:

  • Sebo bovino;
  • Madeiras compensadas;
  • Portas;
  • Fumo;
  • Madeira de coníferas;
  • Granitos;
  • Torneiras;
  • Sucos de frutas.

Também permanecem em queda alguns produtos submetidos à Seção 232, especialmente semimanufaturados de ferro e aço.

O desempenho reforça a diferença entre os segmentos diretamente atingidos pelas tarifas e aqueles que permanecem fora das medidas mais severas.

Importações dos EUA voltam a crescer em julho

Enquanto as exportações brasileiras continuaram em queda, as importações de produtos norte-americanos pelo Brasil apresentaram uma mudança de trajetória em julho.

Após sete meses consecutivos de retração, as compras brasileiras de produtos dos Estados Unidos cresceram 0,6%, alcançando US$ 4,3 bilhões no mês.

Com exportações de US$ 3,6 bilhões e importações de US$ 4,3 bilhões, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio bilateral em julho.

No acumulado de janeiro a julho, o déficit chegou a US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Exportações brasileiras para os EUA têm desempenho pior que as vendas globais

Um dos principais pontos destacados pelo Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos é a diferença entre o desempenho das exportações destinadas ao mercado norte-americano e o resultado geral das vendas externas brasileiras.

Enquanto as exportações do Brasil para os Estados Unidos recuaram 12,2%, as exportações brasileiras para o restante do mundo cresceram 10,5% no período de janeiro a julho.

Mesmo com a retração, os Estados Unidos continuam sendo o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Produtos que crescem no mundo também perdem espaço nos EUA

A comparação entre os mercados revela ainda outro efeito relevante das tarifas.

Entre os dez principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos no acumulado de 2026, quatro registraram queda nas vendas para o mercado norte-americano, apesar de apresentarem crescimento nas exportações para outros países.

Estão nesse grupo:

  • Óleos brutos de petróleo: queda de 25,5% para os EUA;
  • Semimanufaturados de ferro ou aço: -11,1%;
  • Ferro-gusa: -7,9%;
  • Celulose: -5,3%.

Entre os principais produtos sujeitos às sobretaxas, cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos também registraram queda no acumulado do ano, enquanto todos esses produtos apresentaram crescimento nas vendas para os demais mercados internacionais.

Comércio Brasil-EUA perde força em 2026

Os dados mostram que o mercado norte-americano vem apresentando desempenho significativamente inferior ao observado nas exportações brasileiras para o restante do mundo.

A combinação de sobretaxas, redução dos embarques e aumento do déficit comercial coloca o relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos em um cenário de maior pressão ao longo de 2026.

Para os setores brasileiros mais expostos às tarifas, a manutenção desse ambiente pode representar perda de competitividade, redução das vendas e necessidade de buscar novos mercados para compensar a retração dos embarques aos Estados Unidos.

Principais números do comércio Brasil-EUA

Entre janeiro e julho de 2026, os principais indicadores foram:

  • Exportações do Brasil para os EUA: US$ 21,0 bilhões, queda de 12,2%.
  • Importações brasileiras dos EUA: US$ 23,2 bilhões, queda de 10,4%.
  • Déficit comercial brasileiro: US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3%.
  • Bens sem sobretaxa: US$ 11,1 bilhões, queda de 9,7%.
  • Bens com sobretaxa: US$ 9,8 bilhões, queda de 14,4%.
  • Produtos sujeitos a tarifas de 25% a 37,5%: US$ 3,2 bilhões, queda de 31,5%.

As análises consideram a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho de 2026, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.

Fonte: Portal do Agronegócio

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