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Bovinos de Corte

Exportações de carne bovina do Brasil somam US$ 11,43 bilhões até julho, alta de 28,3%

Brasil embarcou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos sete primeiros meses de 2026; China segue como principal destino, enquanto Indonésia, Vietnã e Argentina ampliam as compras


Publicado em: 11/08/2026 às 19:20hs

Exportações de carne bovina do Brasil somam US$ 11,43 bilhões até julho, alta de 28,3%

As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram US$ 11,43 bilhões entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 28,3% em relação ao mesmo período de 2025. No período, o Brasil embarcou 1,969 milhão de toneladas, volume 9,9% superior ao registrado nos sete primeiros meses do ano passado.

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que, apesar da retração dos embarques em julho, o setor mantém forte desempenho no acumulado do ano.

O resultado reforça a importância da carne bovina brasileira no mercado internacional e evidencia o avanço da estratégia de diversificação dos destinos das exportações.

Exportações de carne bovina recuam em julho

Em julho, o Brasil exportou 264,4 mil toneladas de carne bovina, queda de 16,1% na comparação com o mesmo mês de 2025.

O faturamento também apresentou retração mensal. A receita com os embarques ficou em US$ 1,58 bilhão, recuo de 5,5% ante julho do ano passado.

A principal explicação para a queda está na redução das vendas destinadas à China, maior compradora da carne bovina brasileira.

Em julho, os chineses importaram 85,8 mil toneladas, volume 47% menor que o registrado no mesmo mês de 2025. Em valor, as exportações para o mercado chinês somaram US$ 537,9 milhões, queda de 50,3% na comparação anual.

China continua como principal destino da carne bovina brasileira

Mesmo com a forte redução dos embarques em julho, a China permanece na liderança entre os destinos da carne bovina brasileira no acumulado de 2026.

Entre janeiro e julho, o país asiático importou 880,3 mil toneladas, crescimento de 9,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a ABIEC, a redução do ritmo dos embarques para a China já estava prevista pelo setor. O avanço no preenchimento da cota estabelecida pelo país asiático levou as empresas brasileiras a ajustar o ritmo das exportações para evitar que cargas chegassem além do limite e fossem submetidas a tarifas adicionais.

O cenário também reflete uma concentração maior das vendas brasileiras para a China durante o primeiro semestre.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, a mudança no ritmo dos embarques reforça a necessidade de ampliar a presença da carne bovina brasileira em outros mercados.

A estratégia de diversificação ganha importância justamente em um momento em que novos destinos vêm aumentando suas compras do produto brasileiro.

Estados Unidos ampliam compras de carne bovina brasileira

Enquanto a China reduziu os embarques em julho, outros importantes compradores aumentaram suas importações.

Entre os cinco principais destinos da carne bovina brasileira no mês, quatro apresentaram crescimento no volume adquirido em relação a julho de 2025.

Os Estados Unidos, segundo maior destino no mês, importaram 28,9 mil toneladas, alta de 9,7%. Em receita, as vendas para o mercado norte-americano alcançaram US$ 193,9 milhões, avanço de 0,5%.

O movimento confirma a importância crescente do mercado norte-americano para as exportações brasileiras de proteína animal.

Chile e União Europeia aumentam compras

O Chile também ampliou significativamente suas compras de carne bovina brasileira em julho.

Foram 19,2 mil toneladas, aumento de 50,2% sobre julho de 2025. A receita chegou a US$ 122,4 milhões, crescimento de 50,3%.

Para a União Europeia, os embarques alcançaram 12,5 mil toneladas, alta de 52,6%. O faturamento foi de US$ 109,8 milhões, aumento de 46,1%.

O México também registrou crescimento. As importações chegaram a 12,4 mil toneladas, avanço de 4,5%, enquanto a receita atingiu US$ 79,4 milhões, alta de 7,2%.

Os números mostram que a redução das vendas para a China vem sendo parcialmente compensada pelo avanço das exportações para outros mercados.

Estados Unidos são segundo maior destino no acumulado do ano

Entre janeiro e julho, os Estados Unidos aparecem como segundo maior comprador da carne bovina brasileira, com 233,8 mil toneladas, crescimento de 17,1%.

Na sequência estão:

  • Chile: 89,9 mil toneladas, alta de 29,8%;
  • Rússia: 74,3 mil toneladas, alta de 23,8%;
  • União Europeia: 63,7 mil toneladas, alta de 10,4%.

Os cinco principais destinos registraram crescimento nas compras durante os sete primeiros meses de 2026.

Esse desempenho demonstra que, apesar da elevada participação chinesa, o mercado externo da carne bovina brasileira está cada vez mais distribuído entre diferentes compradores.

Indonésia, Vietnã e Argentina ganham espaço

Além dos mercados tradicionais, países que vêm aumentando sua participação nas exportações brasileiras chamam atenção pelos fortes índices de crescimento.

A Indonésia importou 43,8 mil toneladas de carne bovina brasileira entre janeiro e julho, alta de 242,1% em relação ao mesmo período de 2025.

O Vietnã, que abriu seu mercado para a carne bovina brasileira em 2025, recebeu 8,4 mil toneladas no acumulado do ano. O resultado representa crescimento de 375,4%.

A Argentina também aumentou significativamente as compras. Foram 16,2 mil toneladas, avanço de 139,5% na comparação anual.

Os números evidenciam o potencial de expansão das vendas brasileiras em mercados que ainda possuem espaço para crescimento.

Diversificação reduz dependência do mercado chinês

A forte redução das exportações para a China em julho colocou em evidência um dos principais desafios da cadeia brasileira: reduzir a concentração das vendas em poucos mercados.

Embora o país asiático continue sendo, de longe, o principal comprador da carne bovina brasileira, o crescimento das exportações para Estados Unidos, Chile, União Europeia, Indonésia, Vietnã e Argentina mostra que existe espaço para ampliar a presença internacional do produto brasileiro.

Para a ABIEC, a abertura de novos mercados e o aumento da demanda em destinos já consolidados são fundamentais para sustentar o crescimento das exportações.

A entidade destaca ainda a importância da atuação conjunta com o governo brasileiro para ampliar o acesso da carne nacional a novos países.

Ásia continua no radar das exportações brasileiras

A Ásia permanece como uma das regiões prioritárias para a expansão da carne bovina brasileira.

Além da China, o crescimento das compras por países como Indonésia e Vietnã demonstra o potencial de consumo da região.

A diversificação também pode reduzir a exposição do setor brasileiro a mudanças de políticas comerciais, cotas, tarifas e oscilações na demanda de um único mercado.

Para os frigoríficos e produtores brasileiros, ampliar a carteira de compradores representa uma estratégia importante para fortalecer a presença internacional da pecuária nacional.

Carne bovina brasileira mantém forte desempenho em 2026

Mesmo com a queda registrada nos embarques de julho, o resultado acumulado até o sétimo mês do ano permanece positivo.

O Brasil já exportou 1,969 milhão de toneladas de carne bovina em 2026, com faturamento de US$ 11,43 bilhões.

A combinação de aumento do volume exportado, crescimento da receita e abertura de novos mercados mantém a pecuária brasileira em posição de destaque no comércio internacional de proteínas.

A retração das vendas para a China em julho, por sua vez, reforça a importância da diversificação dos destinos e da busca por novos mercados consumidores.

Carne bovina brasileira no mercado internacional

Os dados compilados pela ABIEC consideram as exportações brasileiras de carne bovina in natura, industrializada e salgada, além de miúdos, gorduras e tripas.

Com novos mercados ampliando as compras e os principais destinos mantendo demanda relevante, o setor inicia o segundo semestre com atenção voltada à evolução das cotas, às condições do comércio internacional e à abertura de novas oportunidades para a proteína bovina brasileira.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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