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Crédito Rural

Crédito para o agronegócio dispara e chega a R$ 1,45 bilhão em 2026

Volume de crédito rural estruturado pela Friggi & Secco entre janeiro e maio supera em cinco vezes o registrado no mesmo período de 2025, em meio à busca por alternativas ao crédito bancário tradicional


Publicado em: 11/08/2026 às 16:30hs

Crédito para o agronegócio dispara e chega a R$ 1,45 bilhão em 2026

O crédito para o agronegócio ganhou força em 2026, impulsionado pela busca de produtores e empresas por alternativas para financiar expansão, investimentos, obras e capital produtivo. Entre janeiro e maio, o volume de operações na vertical rural da Friggi & Secco alcançou R$ 1,448 bilhão, contra R$ 289,5 milhões registrados em todo o ano de 2025, segundo dados da empresa.

O avanço ocorre em um cenário de crédito bancário mais caro e seletivo, levando produtores rurais e empresas ligadas ao agronegócio a buscar estruturas financeiras capazes de preservar o fluxo de caixa e adequar o pagamento ao ciclo de retorno dos investimentos.

Sistema de Consórcios movimenta R$ 179,41 bilhões no primeiro quadrimestre

O movimento de expansão do crédito estruturado acompanha o crescimento do Sistema de Consórcios no Brasil.

Em 2025, o setor movimentou R$ 500,27 bilhões em créditos comercializados, crescimento de 32,1% em relação ao ano anterior. O número de cotas vendidas chegou a 5,16 milhões, alta de 15%.

O ritmo continuou nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e abril, foram registradas 1,87 milhão de adesões, aumento de 16,1%, enquanto os créditos cedidos alcançaram R$ 179,41 bilhões, crescimento de 27,1%.

A base de participantes ativos chegou a 12,94 milhões em abril, estabelecendo novo recorde para o segmento.

No mercado imobiliário, diretamente relacionado a construção, obras e aquisição patrimonial, foram comercializadas 557,49 mil cotas no primeiro quadrimestre, avanço de 48,4%. O segmento chegou a aproximadamente 3 milhões de participantes ativos.

Agronegócio busca crédito com prazo e estrutura adequados

No campo, a necessidade de capital costuma estar diretamente ligada aos ciclos produtivos, à aquisição de máquinas, expansão da estrutura, compra de propriedades, construção e formação de capital.

Nesse contexto, a busca não está apenas pelo crédito disponível, mas pela estrutura financeira adequada ao projeto.

É justamente nessa frente que empresas especializadas em estruturação de crédito passaram a ganhar espaço.

A Friggi & Secco afirma ter cedido e viabilizado mais de R$ 14 bilhões em crédito no Brasil ao longo de sua trajetória. Em 2026, segundo a empresa, o volume total de operações avançou de aproximadamente R$ 500 milhões no mesmo período do ano anterior para R$ 2,5 bilhões.

O crescimento foi impulsionado principalmente por operações envolvendo consórcios estruturados, crédito rural, construção civil, home equity e operações com garantia real.

Crédito via consórcio ganha espaço entre produtores e empresas

Entre janeiro e maio de 2026, o volume consolidado da Friggi & Secco em consórcios chegou a R$ 2,123 bilhões, superando o resultado de todo o ano de 2025, quando foram registrados R$ 1,122 bilhão.

Para Alberto Friggi, CEO da corretora, o movimento demonstra uma mudança no comportamento dos tomadores de crédito.

“O crescimento mostra que o cliente não está buscando crédito apenas para cobrir uma necessidade imediata. Ele quer entender como acessar capital sem travar o caixa, sem assumir uma estrutura incompatível com o prazo do projeto e sem depender exclusivamente do modelo bancário tradicional”, afirma.

A estratégia defendida pela empresa é estruturar o crédito de acordo com a finalidade dos recursos, considerando fatores como fluxo financeiro, garantias disponíveis, prazo de retorno e execução do projeto.

Crédito rural estruturado cresce com força

O agronegócio aparece entre os principais segmentos de atuação da empresa.

A vertical rural da Friggi & Secco avançou de R$ 289,5 milhões em 2025 para R$ 1,448 bilhão entre janeiro e maio de 2026, de acordo com os dados divulgados pela companhia.

O desempenho representa uma expansão expressiva e reforça a procura por soluções de crédito voltadas às características específicas do setor rural.

No agronegócio, operações financeiras podem estar relacionadas a investimentos de longo prazo, aquisição de máquinas e equipamentos, construção de estruturas, expansão da produção, aquisição de propriedades e outras iniciativas que exigem capital elevado.

Por isso, o prazo do financiamento precisa estar alinhado ao período necessário para que o investimento comece a gerar retorno.

Construção civil também amplia demanda por crédito estruturado

Além do agronegócio, a construção civil está entre os segmentos que vêm utilizando estruturas de crédito vinculadas ao andamento dos projetos.

Segundo a empresa, o objetivo é organizar a liberação dos recursos de acordo com a evolução da obra, reduzindo o risco de interrupção por falta de capital durante a execução.

A lógica é especialmente relevante para projetos de maior porte, nos quais o desembolso ocorre em diferentes etapas e o retorno financeiro pode acontecer somente após a conclusão do empreendimento.

“O problema de muitas operações não é a falta de crédito, mas a falta de desenho financeiro. Uma fazenda, uma obra ou uma expansão empresarial têm ciclos diferentes de retorno. Se o dinheiro entra no prazo errado, com custo errado ou sem acompanhamento, o crédito pode virar pressão, e não solução”, afirma Friggi.

Consórcio deixa de ser visto apenas como compra planejada

O crescimento das operações também sinaliza uma transformação na percepção sobre o consórcio como ferramenta de crédito e planejamento financeiro.

Tradicionalmente associado à compra planejada de veículos e imóveis, o modelo vem sendo utilizado em estruturas destinadas a projetos de maior valor, especialmente quando há necessidade de prazo, disponibilidade de garantias e planejamento de liquidez.

Para empresas e produtores, a principal diferença está na possibilidade de organizar a operação considerando o objetivo final do recurso e o ciclo financeiro do investimento.

No caso do agronegócio, esse planejamento pode ser relevante diante da característica sazonal da atividade e da necessidade de compatibilizar o pagamento do crédito com a geração de receita da propriedade.

Crédito para o agro exige planejamento financeiro

O avanço do crédito estruturado também reforça a importância de avaliar o custo total da operação, as garantias exigidas, os prazos de pagamento e a capacidade de geração de caixa do projeto.

Uma operação de crédito de mesmo valor pode apresentar riscos completamente diferentes dependendo da finalidade e do prazo de retorno do investimento.

“O atendimento sob medida passa a ser decisivo porque duas operações de mesmo valor podem ter riscos completamente diferentes. O papel de quem estrutura crédito é entender onde o recurso será aplicado, como ele será pago e qual desenho protege melhor o cliente durante a execução do projeto”, afirma o CEO da empresa.

Friggi & Secco projeta superar R$ 6 bilhões em operações em 2026

Diante do ritmo registrado nos primeiros meses do ano, a Friggi & Secco projeta superar R$ 6 bilhões em operações de crédito em 2026, caso o desempenho atual seja mantido.

A projeção ocorre em um momento de maior procura por alternativas ao crédito bancário tradicional e por estruturas financeiras que permitam financiar investimentos sem comprometer excessivamente a liquidez.

Para o agronegócio, o movimento pode representar maior diversificação das fontes de recursos para produtores e empresas que precisam financiar expansão e investimentos de longo prazo.

Crédito rural ganha novas alternativas

O avanço do crédito estruturado mostra que o mercado financeiro voltado ao agronegócio passa por uma transformação. Em vez de buscar apenas o recurso disponível, produtores e empresas passam a considerar cada vez mais prazo, custo, garantias, fluxo de caixa e capacidade de pagamento antes de contratar uma operação.

Nesse cenário, o consórcio e outras modalidades de crédito estruturado ganham espaço como ferramentas de planejamento para investimentos no campo, na construção civil e em outros setores intensivos em capital.

O movimento também reforça a necessidade de acompanhamento especializado, principalmente em projetos de grande porte, nos quais uma decisão financeira inadequada pode comprometer a geração de caixa durante anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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