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Clima

Clima favorece trigo, milho e algodão no Brasil, mas excesso de chuva acende alerta no Rio Grande do Sul

Boletim da Conab mostra lavouras de inverno com índices de vegetação acima da média histórica, enquanto temporais no Sul elevam o risco de perdas na produtividade.


Publicado em: 28/07/2026 às 11:35hs

Clima favorece trigo, milho e algodão no Brasil, mas excesso de chuva acende alerta no Rio Grande do Sul

As condições climáticas registradas entre os dias 1º e 21 de julho impulsionaram o desenvolvimento das lavouras de inverno e favoreceram o avanço da colheita do algodão e do milho segunda safra em diversas regiões do Brasil. É o que aponta o mais recente Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que destaca índices de vegetação superiores à média histórica e melhores que os observados no mesmo período da safra anterior.

Apesar do cenário positivo em grande parte do país, o levantamento também chama atenção para o Rio Grande do Sul, onde o excesso de chuvas registrado no fim do mês pode comprometer o potencial produtivo das culturas de inverno, especialmente o trigo.

Clima seco impulsiona colheita e desenvolvimento das lavouras

Segundo a Conab, o período foi marcado pelo predomínio de tempo seco na maior parte do território nacional, condição que acelerou a maturação das lavouras e favoreceu as operações de campo.

As chuvas mais expressivas ficaram concentradas na Região Norte, no Sul do país e na faixa litorânea do Nordeste.

No Norte, os volumes de precipitação beneficiaram o desenvolvimento da soja e do milho terceira safra no Amazonas e em Roraima. Já em estados como Pará, Rondônia e Tocantins, o tempo firme contribuiu para o avanço da colheita do algodão e do milho segunda safra.

Trigo apresenta bom desenvolvimento, mas temporais preocupam no Sul

Na Região Sul, as baixas temperaturas e a ocorrência de geadas favoreceram o desenvolvimento inicial das lavouras de trigo, cultura que depende de condições mais amenas nesta fase do ciclo.

No Paraná, além do trigo, a boa umidade do solo beneficiou o milho segunda safra, contribuindo para a manutenção do potencial produtivo.

Já no Rio Grande do Sul, embora as condições tenham sido favoráveis durante boa parte do período analisado, as chuvas intensas registradas nos últimos dias de julho elevaram o risco de danos às plantas, além de aumentar a possibilidade de lixiviação — processo em que o excesso de água reduz a disponibilidade de nutrientes no solo e pode afetar o desempenho das lavouras.

A Conab ressalta que os indicadores utilizados no boletim consideram informações coletadas até 20 de julho e, por isso, ainda não refletem os impactos provocados pelos temporais mais recentes.

Nordeste tem cenários distintos entre Sealba e Matopiba

O boletim também aponta diferenças importantes nas condições climáticas do Nordeste.

Na região do Sealba — formada por Sergipe, Alagoas e o nordeste da Bahia — a redução da umidade do solo prejudicou o desenvolvimento das lavouras de feijão e milho terceira safra.

Em contrapartida, no Matopiba — que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o tempo seco favoreceu a maturação das lavouras e acelerou a colheita do algodão e do milho segunda safra.

Centro-Oeste e Sudeste registram avanço da maturação

Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o predomínio de tempo firme, baixa umidade relativa do ar e temperaturas mais amenas criou condições ideais para a maturação do algodão e para a secagem natural do milho segunda safra.

A exceção ocorreu no sudoeste de Mato Grosso do Sul, onde a escassez de umidade no solo afetou as lavouras de trigo justamente nas fases de floração e enchimento de grãos, consideradas decisivas para a definição da produtividade da cultura.

Monitoramento por satélite orienta estimativas da safra brasileira

O Boletim de Monitoramento Agrícola é elaborado pela Conab em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (GLAM).

O estudo utiliza imagens de satélite, índices de vegetação e informações de campo para acompanhar a evolução das principais culturas agrícolas do país, servindo como base técnica para as estimativas mensais da produção nacional.

Os resultados reforçam que, apesar das adversidades pontuais no Sul e em parte do Centro-Oeste, as condições climáticas observadas durante a maior parte de julho favoreceram o desempenho das principais lavouras brasileiras, mantendo boas perspectivas para a produção de inverno e para a conclusão da colheita da segunda safra de milho e do algodão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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