Publicado em: 02/03/2026 às 18:20hs
O excesso de chuvas nas últimas semanas tem dificultado o andamento das atividades agrícolas no Centro-Sul do Brasil, comprometendo tanto a colheita da soja quanto o plantio da segunda safra de milho (safrinha).
Segundo levantamento da AgRural, os trabalhos de campo seguem em ritmo mais lento do que o observado nos últimos anos, com impacto direto sobre o cronograma da safra 2025/26.
Até a última quinta-feira (26), 39% da área de soja 2025/26 havia sido colhida no país, contra 30% na semana anterior e 50% no mesmo período do ano passado — o ritmo mais lento desde a safra 2020/21.
As chuvas intensas que voltaram a atingir as principais regiões produtoras na quarta semana de fevereiro são o principal motivo do atraso.
Os estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, além de áreas do Sudeste, Norte e Nordeste, enfrentaram grandes volumes de precipitação, que dificultaram o uso de colheitadeiras e o escoamento da safra — especialmente no trajeto entre Mato Grosso e os portos do Arco Norte.
No Sul do país, a colheita avançou sem grandes obstáculos no Paraná, embora o ciclo alongado de algumas lavouras ainda cause atrasos. Já no Rio Grande do Sul, as chuvas recentes foram positivas, ajudando a recuperar parte do potencial produtivo, mas novas precipitações são necessárias nas próximas semanas para evitar perdas adicionais.
A AgRural revisou sua estimativa para a produção de soja no Brasil em 2025/26, que passou de 181 milhões para 178 milhões de toneladas.
A queda é atribuída, principalmente, à estiagem no Rio Grande do Sul, que reduziu a produtividade média no estado.
Apesar das perdas gaúchas, o impacto nacional foi parcialmente compensado por rendimentos mais altos em Mato Grosso e em outras regiões onde as lavouras foram menos afetadas pelo clima.
O plantio da safrinha de milho 2026 chegou a 66% da área estimada no Centro-Sul até o dia 26 de fevereiro, um avanço em relação aos 50% da semana anterior, mas ainda o menor índice para a data desde 2022.
No mesmo período do ano passado, 80% da área já estava semeada, segundo dados da AgRural.
O principal obstáculo é o atraso na colheita da soja, que impede o avanço das plantadeiras em várias regiões, além das chuvas frequentes, que dificultam o preparo do solo.
A colheita do milho verão 2025/26 atingiu 36% da área no Centro-Sul, um avanço em relação aos 28% da semana anterior, mas ainda abaixo dos 46% registrados há um ano.
Com as três safras somadas (primeira, segunda e terceira), a produção total de milho no Brasil é estimada pela AgRural em 136,2 milhões de toneladas.
O ritmo lento da colheita de soja e do plantio do milho traz preocupação para o setor, pois parte das lavouras de milho pode ser semeada fora da janela ideal, aumentando o risco de perdas por clima adverso no fim do ciclo.
Além disso, o atraso na soja e os gargalos logísticos devem pressionar o escoamento da produção, especialmente nas regiões que dependem de estradas e portos do Norte do país.
Analistas apontam que o comportamento do clima nas próximas semanas será decisivo para consolidar o potencial produtivo das duas principais culturas do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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