Fertilizantes e açúcar entram em alerta: alta da ureia, queda na moagem e riscos globais elevam incertezas para o agronegócio
Mercado de fertilizantes reage às tensões no Oriente Médio, enquanto açúcar enfrenta impactos da menor moagem de cana, riscos climáticos na Índia e novas barreiras comerciais dos Estados Unidos.
Publicado em: 21/07/2026 às 18:00hs
Fertilizantes e açúcar vivem momento decisivo no mercado global
O agronegócio acompanha uma nova rodada de volatilidade em duas cadeias estratégicas para a produção agrícola: os fertilizantes nitrogenados e o açúcar. Enquanto a ureia voltou a registrar valorização após meses de queda, o mercado internacional de açúcar monitora a redução da moagem no Brasil, as incertezas sobre a produção da Índia, os efeitos do El Niño e as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o produto brasileiro.
Segundo analistas da StoneX, fatores geopolíticos, climáticos e comerciais passaram a influenciar simultaneamente a formação dos preços, aumentando a atenção dos produtores e das indústrias para as próximas semanas.
Ureia sobe pela terceira semana consecutiva nos portos brasileiros
O mercado internacional da ureia voltou a ganhar força após um longo período de retração provocado pela resistência dos compradores diante dos preços elevados e pelo enfraquecimento das relações de troca.
De acordo com Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a retomada gradual da demanda devolveu liquidez ao mercado, fazendo com que as cotações acumulassem três semanas consecutivas de alta nos portos brasileiros.
Além da volta das compras, o cenário geopolítico passou novamente a influenciar a formação dos preços internacionais.
As negociações entre Estados Unidos e Irã perderam força, enquanto novas ameaças envolvendo restrições aos portos iranianos e a redução do tráfego no Estreito de Ormuz reacenderam preocupações sobre possíveis impactos no abastecimento global de fertilizantes.
Oriente Médio volta ao radar dos compradores
A região concentra importantes produtores e rotas logísticas para fertilizantes nitrogenados, tornando qualquer instabilidade um fator relevante para os preços internacionais.
Segundo a StoneX, esse movimento ocorre justamente quando produtores brasileiros iniciam a recomposição dos estoques visando a próxima safra.
Mesmo com a recente valorização da ureia, a consultoria destaca que a relação de troca entre milho e fertilizante permanece significativamente melhor do que a observada em abril, favorecendo novas aquisições caso o cenário geopolítico permaneça pressionado.
Açúcar enfrenta novo ambiente de incerteza global
No mercado açucareiro, os investidores continuam concentrando atenção nas perspectivas de oferta para os próximos meses.
Segundo Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a Índia voltou ao centro das atenções após integrantes do próprio setor passarem a discutir a possibilidade de o governo autorizar importações de açúcar para conter a alta dos preços internos.
Embora nenhuma decisão oficial tenha sido anunciada, a simples discussão revela um mercado preocupado com estoques reduzidos.
Índia preocupa mercado com estoques apertados e demanda por etanol
A pressão sobre a oferta indiana resulta da combinação de diferentes fatores.
Entre eles estão duas safras consecutivas de cana abaixo do potencial, o crescimento da demanda por etanol e a possibilidade de novos impactos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
Caso o cenário climático se deteriore, o equilíbrio global entre oferta e demanda poderá ficar ainda mais apertado, influenciando diretamente as cotações internacionais.
Tarifas dos Estados Unidos podem alterar fluxo das exportações brasileiras
Outro fator acompanhado de perto pelo mercado é a decisão dos Estados Unidos de ampliar tarifas sobre o açúcar brasileiro.
Na avaliação da StoneX, a medida tende a reduzir a competitividade do produto nacional naquele mercado, aumentando a disponibilidade de açúcar para outros destinos internacionais.
Esse redirecionamento das exportações pode ampliar a oferta global e exercer pressão adicional sobre as cotações internacionais ao longo dos próximos meses.
Queda da moagem no Brasil reforça incertezas
O cenário internacional ocorre em um momento em que o próprio Brasil enfrenta desafios na produção.
Dados recentes do Ministério da Agricultura apontaram forte retração na moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul durante a segunda quinzena de junho, acompanhada por uma expressiva redução na produção de açúcar.
As chuvas registradas durante o período podem ter dificultado tanto a colheita quanto o processamento industrial, reduzindo temporariamente a disponibilidade da matéria-prima.
Mercado acompanha fatores geopolíticos, climáticos e comerciais
Apesar da elevada volatilidade observada nas últimas semanas, os analistas ressaltam que os preços continuam sendo influenciados principalmente pelas expectativas futuras de oferta e demanda, mais do que por mudanças imediatas nos fundamentos do mercado.
Para os próximos meses, o comportamento da produção brasileira, as decisões do governo indiano, a evolução das tensões no Oriente Médio e as políticas comerciais dos Estados Unidos deverão permanecer entre os principais fatores capazes de determinar o rumo dos mercados de fertilizantes e açúcar.
Com esse conjunto de variáveis em jogo, produtores, usinas, cooperativas e tradings seguem atentos às oportunidades de compra, comercialização e proteção de preços em um ambiente de elevada sensibilidade aos acontecimentos globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias