Tarifa dos EUA atinge 4 mil produtos brasileiros e eleva custo para 37,5% em grande parte das exportações
Nova tarifa adicional dos Estados Unidos afeta US$ 12,4 bilhões em vendas brasileiras. Levantamento da CNI aponta que quase metade das exportações para o mercado norte-americano passa a enfrentar algum tipo de sobretaxa.
Publicado em: 28/07/2026 às 11:25hs
A entrada em vigor da nova tarifa adicional de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros amplia a pressão sobre a indústria nacional e aumenta os custos de acesso ao principal mercado de exportação do Brasil fora da América do Sul. A medida, que passou a valer nesta sexta-feira (24), afeta cerca de 4 mil produtos brasileiros, movimentando aproximadamente US$ 12,4 bilhões em exportações.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o impacto corresponde a 29,4% de todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, reforçando um cenário de maior competitividade internacional e desafios para diversos segmentos industriais.
Maioria dos produtos brasileiros enfrentará tarifa total de 37,5%
Segundo a CNI, a maior parte das mercadorias atingidas pela nova decisão norte-americana já estava sujeita à tarifa adicional de 25%. Com a incidência da nova sobretaxa de 12,5%, esses produtos passam a enfrentar uma tarifa combinada de 37,5%.
Os números mostram a dimensão do impacto:
- 3.985 produtos brasileiros passarão a pagar tarifa adicional total de 37,5%;
- O grupo representa US$ 10,8 bilhões em exportações, equivalente a 80,7% das vendas atingidas pela nova medida;
- Outros 75 produtos, que somam aproximadamente US$ 1,6 bilhão, estarão sujeitos exclusivamente à nova tarifa de 12,5%.
Indústria defende negociação entre Brasil e Estados Unidos
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige intensificação do diálogo diplomático e adoção de medidas que reduzam os impactos sobre a indústria brasileira.
Segundo ele, a prioridade é preservar a relação comercial entre os dois países e construir soluções que minimizem os prejuízos para as empresas exportadoras.
A entidade informa que mantém diálogo com o governo federal e com os setores produtivos para buscar alternativas capazes de reduzir os efeitos econômicos da nova política tarifária.
Seção 301 amplia pressão comercial sobre o Brasil
A nova decisão faz parte das investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para avaliar práticas comerciais consideradas inadequadas.
O processo envolve cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Na decisão final, o Brasil foi incluído, juntamente com outras 37 economias, entre os países que, na avaliação do governo norte-americano, não demonstraram mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado.
CNI contesta justificativas dos Estados Unidos
A Confederação Nacional da Indústria discorda dos argumentos apresentados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
De acordo com a entidade, o Brasil possui um dos sistemas legais mais modernos para prevenção, fiscalização e combate ao trabalho forçado, incluindo mecanismos aplicáveis às cadeias produtivas e de suprimentos.
Na avaliação da indústria brasileira, os fundamentos utilizados para justificar a aplicação das tarifas adicionais não refletem a realidade do ambiente regulatório brasileiro.
Quase metade das exportações brasileiras aos EUA terá sobretaxas
Com a entrada em vigor da nova tarifa, o impacto sobre o comércio bilateral torna-se ainda mais abrangente.
Os cálculos da CNI indicam que 48,7% de todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passam a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, elevando os custos para empresas exportadoras e aumentando a preocupação dos setores industriais quanto aos efeitos sobre competitividade, investimentos e geração de empregos.
Especialistas avaliam que a evolução das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano será determinante para reduzir os impactos sobre o comércio exterior e preservar o fluxo das exportações brasileiras para um dos seus principais mercados internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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