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Análise de Mercado

Tarifa de até 37,5% dos EUA atinge US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras e amplia incertezas para o comércio exterior

Novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos afetam 16,5% das exportações do Brasil ao mercado norte-americano. Máquinas, madeira, calçados, móveis e óleos estão entre os setores mais impactados, enquanto café, carnes e suco de laranja permanecem isentos das novas medidas


Publicado em: 27/07/2026 às 19:20hs

Tarifa de até 37,5% dos EUA atinge US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras e amplia incertezas para o comércio exterior
EUA ampliam tarifas sobre produtos brasileiros e elevam pressão sobre o comércio bilateral

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros passaram a representar um dos maiores desafios recentes para o comércio exterior do Brasil. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as medidas atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras, correspondentes a 16,5% das vendas nacionais destinadas ao mercado norte-americano.

A tarifa acumulada chega a 37,5% para parte dos produtos brasileiros, resultado da soma de uma sobretaxa de 25%, aplicada em investigação específica contra o Brasil, com outra de 12,5%, vinculada à investigação sobre trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos.

O aumento das barreiras comerciais ocorre em um momento de desaceleração do fluxo de comércio entre os dois países e amplia as incertezas para empresas exportadoras.

Quais produtos brasileiros serão mais afetados?

Entre os setores mais impactados pelas novas tarifas estão produtos industriais e manufaturados de maior valor agregado.

Os principais itens atingidos incluem:

  • Máquinas e equipamentos;
  • Produtos de madeira;
  • Gorduras e óleos;
  • Calçados;
  • Móveis;
  • Confecções.

Por outro lado, importantes produtos do agronegócio e da indústria brasileira permanecem fora das novas sobretaxas.

Continuam isentos das medidas adicionais:

  • Café;
  • Carnes;
  • Suco de laranja;
  • Frutas;
  • Aeronaves;
  • Ferro fundido;
  • Grande parte da celulose;
  • Diversos produtos químicos.

Segundo o governo federal, esses produtos continuam sujeitos apenas às tarifas ordinárias de importação dos Estados Unidos.

Como ficam as exportações brasileiras após as novas tarifas?

Os dados do Mdic mostram que a maior parte das exportações brasileiras continua sem sofrer as novas sobretaxas.

A distribuição das vendas brasileiras para os Estados Unidos ficou da seguinte forma:

  • 52,7% (US$ 21,3 bilhões) permanecem livres das novas sobretaxas;
  • 24,2% (US$ 9,8 bilhões) continuam enquadradas nas tarifas setoriais da Seção 232;
  • 16,5% (US$ 6,6 bilhões) passam a pagar tarifa acumulada de 37,5%;
  • 4,7% (US$ 1,9 bilhão) recebem apenas a sobretaxa de 12,5%;
  • 1,9% (US$ 800 milhões) ficam sujeitos exclusivamente à tarifa adicional de 25%.

Ao todo, aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passam a sofrer algum tipo de nova sobretaxa.

Entenda o que são as Seções 301 e 232 da legislação norte-americana

As novas medidas adotadas por Washington têm origem em dois instrumentos distintos da legislação comercial dos Estados Unidos.

Seção 301

A Seção 301 do Trade Act de 1974 autoriza o governo norte-americano a investigar práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses econômicos do país.

Quando identifica possíveis irregularidades, os Estados Unidos podem aplicar medidas de retaliação, incluindo tarifas adicionais sobre produtos importados.

No caso brasileiro, foram abertas duas investigações.

A primeira é direcionada especificamente ao Brasil e resultou na sobretaxa adicional de 25% para determinados produtos.

A segunda investigação trata de políticas relacionadas ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. Nessa apuração, o Brasil foi incluído entre as economias que passaram a pagar uma tarifa adicional de 12,5%.

Quando ambas incidem sobre um mesmo produto, a alíquota total chega a 37,5%.

Seção 232

Já a Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962 possui finalidade diferente.

Ela permite que o governo norte-americano imponha restrições às importações quando considera que determinado setor representa risco à segurança nacional.

Foi esse mecanismo que embasou tarifas aplicadas anteriormente sobre produtos como aço e alumínio.

Segundo o Mdic, os produtos já enquadrados na Seção 232 não acumulam as novas sobretaxas estabelecidas pela Seção 301.

Exportações brasileiras para os EUA perdem ritmo

O aumento das tarifas ocorre em meio ao enfraquecimento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Depois de alcançar o recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações para o mercado norte-americano em 2024, os embarques brasileiros recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuam apresentando queda em 2026.

No primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 17,4 bilhões, retração de 13% na comparação com igual período do ano anterior.

As maiores reduções ocorreram em:

  • Petróleo bruto (-30,4%);
  • Produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%).

Como consequência, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.

As importações brasileiras de produtos norte-americanos também registraram retração, contribuindo para uma queda de 12,8% na corrente de comércio bilateral.

Cenário para o comércio exterior brasileiro

Na avaliação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o aumento das tarifas amplia o ambiente de incerteza nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, refletindo o fortalecimento da política tarifária adotada por Washington e as mudanças frequentes nas regras de acesso ao mercado norte-americano.

Apesar do impacto sobre parte relevante das exportações, o governo destaca que mais da metade das vendas brasileiras aos Estados Unidos — equivalente a 52,7% do total exportado — permanece fora das novas sobretaxas, preservando importantes segmentos do agronegócio e da indústria nacional.

Ainda assim, especialistas avaliam que a evolução das medidas comerciais norte-americanas continuará sendo um dos principais fatores de atenção para exportadores brasileiros nos próximos meses, sobretudo para os setores industriais mais expostos ao mercado dos Estados Unidos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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