Safra 2026/27 pode atingir recorde de 367,1 milhões de toneladas, mas custos desafiam lucro
Primeira estimativa da Conab indica crescimento de 1,4% na produção de grãos; especialista destaca controle de despesas e análise do resultado por cultura para preservar margens.
Publicado em: 22/10/2026 às 18:20hs
O Brasil poderá colher 367,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A projeção representa crescimento de 1,4% em relação ao ciclo anterior e aponta para um novo recorde nacional.
A expansão da produção, porém, não assegura aumento proporcional da rentabilidade. Com maior disponibilidade de grãos, o acompanhamento dos custos e do resultado por saca ganha importância para orientar investimentos e proteger o caixa das propriedades.
A avaliação é de Andre Paranhos, vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em agronegócio e indústria de consumo. Para o executivo, o avanço da oferta exige maior precisão nas decisões de gestão.
Milho deve alcançar 148 milhões de toneladas
Entre as culturas, o milho aparece como o principal responsável pelo crescimento projetado. A Conab estima uma colheita de 148 milhões de toneladas, aumento de 2,4%, com expansão de 4,9% na área plantada.
O consumo pelas usinas de etanol e pelas cadeias de proteína animal está entre os fatores que sustentam a demanda pelo cereal. A soja também apresenta perspectiva de crescimento no levantamento.
Para Paranhos, ampliar a produção exige conhecer o resultado econômico de cada unidade comercializada.
“Quando a oferta cresce, a eficiência deixa de ser diferencial e vira pré-requisito. Quem produz mais precisa saber exatamente qual a última linha de cada saca. Sem esse número, o volume só aumenta a exposição ao risco”, afirma.
Arroz tem previsão de queda, apesar da expansão da área
Em sentido contrário ao avanço da produção total de grãos, a safra de arroz está estimada em 10,8 milhões de toneladas, recuo de 2,9% frente à temporada anterior.
A redução é prevista mesmo com o crescimento de 7,1% na área cultivada, para aproximadamente 1,5 milhão de hectares. A expectativa de menor produtividade limita o resultado.
No Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 70% da produção nacional, a semeadura havia alcançado 27% da área até a primeira semana de outubro, enquanto parte das regiões produtoras enfrentava atrasos nos trabalhos.
Gestão por talhão ajuda a identificar despesas sem retorno
Na avaliação do executivo da Falconi, a resposta à perda de produtividade deve incluir uma análise detalhada da operação, além das decisões sobre expansão de área.
O acompanhamento por talhão, insumo e atividade permite identificar gastos que não estão entregando o retorno esperado. Pequenas perdas recorrentes, quando não monitoradas, podem comprometer o resultado ao fim da temporada.
Segundo Paranhos, medir essas despesas durante o ciclo permite reconhecer desperdícios antes da colheita e ajustar a condução financeira da propriedade.
Projeções da Conab ainda podem mudar
Os números apresentados são preliminares. Conforme a Conab, o primeiro levantamento utiliza modelos estatísticos e análise meteorológica, uma vez que as informações de campo ainda são iniciais.
As estimativas poderão ser revisadas ao longo da safra, conforme avancem o plantio, o desenvolvimento das lavouras e a coleta de dados nas regiões produtoras.
Esse caráter inicial reforça a necessidade de trabalhar com planejamento financeiro capaz de acomodar mudanças de produtividade, custos e receitas.
Resultado por cultura deve orientar investimentos
Para o especialista, a análise do lucro por cultura deve anteceder as decisões sobre onde ampliar investimentos, conter despesas ou preservar recursos.
A recomendação é relacionar o potencial produtivo ao retorno econômico esperado, evitando que o crescimento do volume comprometa a capacidade financeira do negócio.
“O agro brasileiro já mostrou que sabe crescer. Agora, é preciso ter claro onde será feito cada investimento, onde conter, onde acelerar e onde proteger o caixa. Crescer a qualquer custo já não basta. O que sustenta o resultado quando o ciclo aperta é consistência”, conclui Paranhos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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