Soja: clima no Brasil e compras da China devem ditar preços após alta de 8,7% em Chicago
Itaú BBA aponta chuvas e avanço do plantio da safra 2026/27 como fatores decisivos para o mercado; demanda chinesa e exportações brasileiras sustentaram valorização em setembro
Publicado em: 22/10/2026 às 18:40hs
O clima no Brasil e o ritmo das compras chinesas devem orientar os próximos movimentos dos preços da soja, segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, divulgada no relatório Agro Mensal. Após a valorização de 8,7% em Chicago durante setembro, a atenção do mercado se concentra no plantio brasileiro e na distribuição das chuvas nas principais regiões produtoras.
Embora a semeadura da safra 2026/27 tenha avançado, a irregularidade das precipitações mantém incertezas sobre o desenvolvimento inicial das lavouras. O andamento dos trabalhos também será importante para preservar a janela de cultivo do milho e do algodão de segunda safra.
Compras chinesas impulsionam soja em Chicago
A média do contrato de primeiro vencimento da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) alcançou US$ 13,04 por bushel em setembro, alta de 8,7% em relação a agosto.
Segundo o relatório, o movimento foi sustentado principalmente pela aceleração das aquisições chinesas de soja norte-americana da temporada 2026/27, além do atraso na colheita dos Estados Unidos.
Ao fim de setembro, a China havia comprado aproximadamente 13 milhões de toneladas dos Estados Unidos. O volume correspondia a cerca de metade do compromisso de compra previsto para a temporada, conforme a análise do Itaú BBA.
Preço da soja em Sorriso sobe 9,6% em setembro
No Brasil, as cotações acompanharam a valorização internacional. Em Sorriso, em Mato Grosso, o preço médio da soja chegou a R$ 142 por saca em setembro, avanço de 9,6% na comparação com agosto.
Além da alta em Chicago, os prêmios firmes nos portos, o câmbio e o desempenho das exportações brasileiras contribuíram para sustentar os preços no mercado doméstico.
Entre janeiro e setembro, os embarques nacionais somaram aproximadamente 100 milhões de toneladas, crescimento de 6,6% frente ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados apresentados no relatório.
Plantio da soja 2026/27 supera ritmo do ano anterior
A melhora das condições climáticas permitiu acelerar a semeadura no Brasil. Até 9 de outubro, o plantio havia alcançado 15,6% da área prevista, acima dos 11,1% registrados no mesmo período de 2025 e ligeiramente superior à média das últimas cinco safras.
Em Mato Grosso, o avanço foi expressivo: a parcela semeada passou de 10,2% para 33,3% da área em uma semana.
Apesar da aceleração, as condições ainda variam entre as regiões produtoras. A distribuição desigual das chuvas limita os trabalhos em algumas localidades e mantém o clima como principal ponto de atenção para a consolidação do potencial produtivo.
Chuvas também serão decisivas para milho e algodão
O calendário da soja influencia diretamente o planejamento das culturas de segunda safra. Por isso, eventuais atrasos na semeadura exigem atenção à manutenção da janela de plantio do milho e do algodão.
De acordo com o Itaú BBA, o comportamento das precipitações nas próximas semanas será determinante tanto para o estabelecimento das lavouras de soja quanto para o andamento desse calendário agrícola.
Brasil assume protagonismo na formação dos preços
Para Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a demanda chinesa continua oferecendo suporte às cotações, mas o desenvolvimento da safra brasileira ganha importância nas avaliações do mercado internacional.
Na análise do especialista, após a forte valorização de setembro, o comportamento do clima será decisivo para confirmar as perspectivas de produção e preservar a janela das culturas de segunda safra. Nesse cenário, o Brasil se torna o principal foco de atenção do mercado global de soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
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