Safra de inverno do RS: Emater reduz projeções de trigo, canola e aveia em 2026
Canola tem revisão negativa de cerca de 11%, enquanto cevada melhora estimativa; chuvas e problemas de qualidade aumentam os desafios de comercialização dos grãos
Publicado em: 22/10/2026 às 19:20hs
A safra de inverno de 2026 do Rio Grande do Sul teve redução nas projeções de produção de trigo, canola e aveia-branca, conforme a segunda estimativa divulgada pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (22). A cevada apresentou revisão positiva, mas continua com volume previsto abaixo do registrado no ano passado.
A comparação entre os parâmetros de área e produtividade publicados nos informativos de 15 e 22 de outubro, realizada pelo Notícias Agrícolas, aponta recuos aproximados de 11% para a canola, 7,5% para a aveia-branca e 1,7% para o trigo. Para a cevada, o cálculo indica aumento de 9,6%.
Essas variações representam mudanças nas estimativas entre os levantamentos, não perdas efetivamente confirmadas na colheita nem comparações com a safra de 2025.
Além do volume esperado, a qualidade dos grãos preocupa produtores e indústrias. Umidade excessiva, eventos climáticos severos e doenças comprometem o potencial de rendimento e a classificação de parte da produção.
Produção estimada de trigo fica em 2,16 milhões de toneladas
A Emater reduziu a área estimada de trigo de 814.220 para 763.121 hectares, diferença de aproximadamente 51,1 mil hectares. A produtividade projetada, por outro lado, subiu de 2.701 para 2.833 quilos por hectare.
O ganho de rendimento não compensou a diminuição da área. Com base nos parâmetros dos dois boletins, a produção prevista passou de aproximadamente 2,20 milhões para 2,16 milhões de toneladas, recuo de 1,7%.
Na comparação com 2025, a queda projetada é mais acentuada: 37,48%.
A colheita avançou de 9% para 19% da área entre os informativos, mas permaneceu abaixo da média histórica de 22% para o período.
Qualidade do trigo limita acesso à indústria de moagem
Os relatos de campo apontam redução do peso hectolítrico (PH), presença de grãos avariados e chochos e problemas relacionados à giberela e à brusone.
Em Tenente Portela, na região administrativa de Ijuí, as primeiras áreas colhidas apresentaram rendimento médio inferior a 1.800 quilos por hectare e PH abaixo de 74.
Na região administrativa de Santa Rosa, as produtividades observadas geralmente variam entre 1.500 e 1.800 quilos por hectare, com diferenças importantes de qualidade entre as lavouras.
Quando os lotes ficam abaixo das exigências dos moinhos, os produtores podem enfrentar restrições de venda e menor remuneração.
Canola perde produtividade mesmo com expansão da área
A canola apresentou a revisão negativa mais intensa entre as culturas analisadas. A área estimada cresceu de 353.397 para 379.887 hectares, acréscimo de aproximadamente 26,5 mil hectares.
Entretanto, a produtividade média prevista caiu 17,2%, de 1.619 para 1.340 quilos por hectare.
A redução do rendimento levou a produção projetada de aproximadamente 572,1 mil para 508,9 mil toneladas, diferença próxima de 63 mil toneladas.
Apesar desse ajuste, a estimativa de 2026 permanece 78,25% superior à produção de 2025, sustentada pela expansão da área cultivada.
Granizo e vendavais provocam perdas localizadas
Na região administrativa de Santa Rosa, lavouras severamente atingidas por granizo e vendavais registraram produtividades inferiores a 120 quilos por hectare.
Nessas situações, o baixo volume disponível pode tornar a colheita mecanizada economicamente inviável. O quadro, porém, não é uniforme: áreas menos afetadas mantêm rendimentos significativamente superiores.
A diferença entre as condições das lavouras exige avaliação dos custos operacionais diante do potencial de produção de cada área.
Aveia-branca tem redução de área e rendimento
A estimativa de aveia-branca foi revisada para baixo nos dois componentes da produção. A área passou de 387.697 para 382.637 hectares, enquanto a produtividade caiu de 2.322 para 2.177 quilos por hectare.
Com isso, o volume previsto recuou aproximadamente 7,5% entre os levantamentos, chegando a 832,8 mil toneladas. Em relação à safra de 2025, a redução projetada é de 10,99%.
A qualidade também restringe as oportunidades comerciais. Na região administrativa de Ijuí, há registros de aveia colhida com PH inferior a 48, condição que dificulta a destinação à indústria.
Algumas lavouras com baixo potencial produtivo estão sendo destinadas à cobertura do solo.
Cevada melhora projeção, mas produção segue 42% abaixo de 2025
A cevada apresentou aumento tanto na área estimada quanto no rendimento. A área passou de 20.320 para 21.591 hectares, e a produtividade média avançou de 3.020 para 3.114 quilos por hectare.
A combinação elevou a produção projetada para 67,2 mil toneladas, aproximadamente 9,6% acima do volume calculado com os parâmetros anteriores.
Mesmo com a revisão positiva, a estimativa permanece 42% inferior à produção de 2025, principalmente pela redução da área cultivada em relação ao ano passado.
Classificação para malte permanece como desafio
A melhora da projeção produtiva não elimina os problemas de qualidade industrial.
Segundo a Emater, parte dos lotes destinados à maltagem vem sendo desclassificada em avaliações preliminares nas lavouras. Entre as cargas recebidas pela indústria cervejeira, os índices de germinação e o tamanho dos grãos têm ficado ligeiramente abaixo dos padrões desejados.
Também foram observados teores da micotoxina DON acima dos níveis considerados adequados, ampliando o risco comercial para os produtores que dependem da classificação para malte.
Carinata deve produzir 22,9 mil toneladas
A área estimada de carinata aumentou de 12.365 para 14.564 hectares, alta de 17,78% em relação à projeção inicial.
Com rendimento médio previsto de 1.572 quilos por hectare, a produção deverá alcançar aproximadamente 22,9 mil toneladas.
A Emater esclarece que o levantamento inicial não apresentava estimativa de produtividade para a cultura, devido à ausência de histórico de acompanhamento. Por isso, não é possível calcular uma revisão de produção equivalente à das demais culturas.
Qualidade dos grãos será decisiva para o resultado econômico
As estimativas indicam uma safra marcada por diferenças entre culturas e regiões. Enquanto trigo, canola e aveia-branca perderam potencial de produção entre os levantamentos, a cevada apresentou melhora.
Para os agricultores, o resultado dependerá do volume efetivamente colhido e da capacidade de atender aos padrões dos compradores. Classificação dos grãos, preços de venda e custos de colheita serão determinantes para a remuneração da safra de inverno gaúcha.
Fonte: Portal do Agronegócio
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