Reforma tributária nos supermercados: IBS e CBS podem virar vantagem competitiva para o varejo alimentar
Nova fase da reforma tributária exige adequação fiscal, revisão de sistemas e organização de dados, mas especialistas apontam que empresas que se prepararem poderão reduzir custos, melhorar processos e ganhar eficiência operacional.
Publicado em: 28/07/2026 às 16:00hs
A reforma tributária abre uma nova etapa de transformação para o setor supermercadista brasileiro. A partir de 3 de agosto de 2026, empresas enquadradas no regime regular deverão emitir documentos fiscais eletrônicos com o preenchimento obrigatório dos campos relacionados ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), incluindo a aplicação da alíquota teste de 1%.
A mudança, definida pelo Comitê Gestor do IBS, representa um desafio operacional para supermercados, minimercados e empresas do varejo alimentar, que lidam diariamente com milhares de produtos, diferentes fornecedores e uma ampla variedade de regras fiscais.
Apesar do impacto inicial, especialistas avaliam que a adaptação pode representar uma oportunidade estratégica para melhorar processos internos, fortalecer controles tributários e transformar a gestão fiscal em um diferencial competitivo.
Reforma tributária exige revisão de cadastros e sistemas nos supermercados
O novo modelo tributário obrigará as empresas a revisarem uma série de informações utilizadas na operação diária, incluindo:
- cadastro de produtos;
- classificação fiscal (NCM);
- regras tributárias aplicáveis;
- integração entre sistemas ERP;
- sistemas de frente de caixa;
- emissão de documentos fiscais eletrônicos.
Para o contador, perito contábil judicial e especialista em Direito Tributário e Auditoria Digital Leonardo Bastos, fundador da Superfood Contábil, empresa voltada à contabilidade estratégica e gestão tributária para empresas do setor alimentício, a reforma representa uma oportunidade de reorganização empresarial.
“A reforma tributária obriga as empresas a olharem para processos que muitas vezes permaneceram inalterados durante anos. Quando um supermercado revisa cadastros, classificação fiscal, parametrização e integração entre sistemas, ele reduz erros, melhora a qualidade das informações e ganha capacidade para tomar decisões com mais segurança”, destaca.
Volume de produtos aumenta desafio para o varejo alimentar
O setor supermercadista está entre os segmentos mais impactados pela mudança devido à complexidade operacional.
Um supermercado pode administrar milhares de itens cadastrados, com diferentes tributações, fornecedores e características fiscais. Pequenas inconsistências nesses dados podem gerar problemas como:
- rejeição de notas fiscais;
- retrabalho administrativo;
- atrasos na operação;
- dificuldades no controle financeiro e tributário.
Segundo especialistas, a preparação antecipada será fundamental para evitar impactos no funcionamento das lojas.
“A preocupação não deve ser apenas cumprir uma obrigação legal. Quem aproveitar esse processo para organizar a operação estará construindo uma base muito mais sólida para os próximos anos da reforma tributária”, afirma Bastos.
Gestão tributária pode se transformar em vantagem competitiva
Dados da Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, mostram que o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo permanece entre os principais motores do varejo brasileiro.
Por movimentar uma grande quantidade de operações diariamente, qualquer melhoria nos processos fiscais pode gerar impactos significativos na eficiência e na rentabilidade das empresas.
Para o especialista, supermercados que utilizarem a reforma como oportunidade de modernização poderão transformar informações tributárias em ferramentas estratégicas.
“Durante muitos anos, o departamento fiscal foi visto apenas como uma área responsável pelo cumprimento de obrigações. A reforma tributária aproxima definitivamente a gestão tributária da estratégia empresarial. Quanto maior a qualidade dos dados, maior também será a capacidade de controlar custos, proteger margens e identificar oportunidades de eficiência”, explica.
Tecnologia ganha papel central na adaptação ao novo sistema tributário
A implementação do IBS e da CBS deve acelerar a integração entre tecnologia, contabilidade e gestão empresarial.
Supermercados que investirem em sistemas atualizados, automação fiscal e análise de dados terão melhores condições para acompanhar as mudanças e reduzir riscos operacionais.
A revisão dos processos internos também deve permitir uma visão mais detalhada sobre:
- custos por categoria de produto;
- impacto tributário nas margens;
- eficiência dos fornecedores;
- oportunidades de redução de desperdícios.
Adequação fiscal deve continuar após início da transição
Na avaliação de especialistas, a adaptação à reforma tributária não termina com a inclusão dos novos campos fiscais nos documentos eletrônicos.
A tendência é que empresas passem a adotar uma rotina mais frequente de:
- auditoria de cadastros;
- revisão tributária;
- atualização de sistemas;
- acompanhamento das regras do novo modelo.
“Os empresários que enxergarem essa mudança apenas como uma obrigação provavelmente farão o mínimo necessário. Já aqueles que utilizarem a reforma tributária para reorganizar a empresa poderão ganhar produtividade, segurança fiscal e qualidade das informações para a tomada de decisão”, afirma Bastos.
Reforma tributária inaugura nova fase para supermercados
A chegada do IBS e da CBS representa uma das maiores mudanças no sistema tributário brasileiro das últimas décadas e deve alterar a forma como o varejo alimentar administra seus processos fiscais.
Para os supermercados, o período de transição será decisivo para transformar uma exigência legal em oportunidade de crescimento.
Empresas que combinarem tecnologia, inteligência tributária e qualidade das informações estarão mais preparadas para controlar custos, preservar margens e aumentar a competitividade em um mercado cada vez mais orientado por eficiência e dados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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