ProWine São Paulo 2026 fortalece o mercado de vinhos no Brasil e amplia oportunidades de negócios internacionais
Segundo dia da feira aproxima produtores, importadores e compradores, destaca novas tendências de consumo e reforça o potencial brasileiro no mercado global de vinhos, espumantes e bebidas artesanais.
Publicado em: 13/10/2026 às 10:40hs
A ProWine São Paulo 2026 (PWSP) avança na construção de novas oportunidades para o mercado de vinhos no Brasil. No segundo dia do evento, realizado em São Paulo, reuniões comerciais ganharam continuidade, contatos evoluíram para negociações e diferentes profissionais da cadeia de bebidas compartilharam experiências, tendências e perspectivas para o setor.
Mais do que promover negócios, a feira reforça a importância da cooperação entre produtores, importadores, distribuidores, compradores, sommeliers e especialistas para ampliar o consumo, diversificar a oferta e fortalecer a presença do vinho na cultura brasileira.
A programação também evidencia o interesse crescente de empresas internacionais pelo Brasil, que se consolida como um mercado estratégico para vinhos de diferentes origens, estilos e faixas de preço.
Mercado brasileiro de vinhos atrai produtores internacionais
O crescimento da participação internacional na ProWine São Paulo reflete o interesse pelo potencial de consumo brasileiro. Entre 2025 e 2026, o número total de expositores aumentou 9%, enquanto a presença de produtores estrangeiros avançou 40%.
Países tradicionais na produção de vinhos, como Portugal, Espanha, Itália, França, Chile e Argentina, ampliaram suas representações. Ao mesmo tempo, novos produtores buscam oportunidades para ingressar no mercado nacional e estabelecer parcerias comerciais com empresas brasileiras.
Esse movimento ocorre em um cenário de expansão econômica do setor. Segundo os dados apresentados no evento, o mercado brasileiro de vinhos movimentou aproximadamente R$ 21,1 bilhões em 2025. No mesmo período, o segmento super premium cresceu cerca de 15%, enquanto os espumantes alcançaram o recorde de 4,5 milhões de caixas comercializadas.
A ampliação do interesse dos consumidores por diferentes origens, estilos e categorias cria oportunidades para importadores, distribuidores, varejistas e estabelecimentos de alimentação.
Nesse contexto, a ProWine São Paulo funciona como uma plataforma de conexão entre a oferta internacional e a demanda brasileira. Os contatos estabelecidos durante a feira podem resultar em novos rótulos nas prateleiras, nas adegas e nas cartas de restaurantes nos próximos meses.
Champagne amplia presença e busca parceiros no Brasil
A participação de pequenos produtores internacionais é outro destaque da edição de 2026. A propriedade de Marion e Laurent Liébart, da região de Champagne, na França, escolheu a ProWine São Paulo para realizar sua primeira viagem comercial à América do Sul.
A maison trabalha com variedades tradicionais e menos comuns na região, como Arbane, Petit Meslier e Pinot Blanc, cultivadas ao lado de Chardonnay, Pinot Noir e Meunier. A combinação das sete castas históricas de Champagne integra uma de suas propostas de produção.
Durante a feira, o produtor também apresenta o Les Sols Bruns Brut, seu primeiro rótulo orgânico.
A iniciativa representa uma oportunidade para produtores familiares e casas de menor escala que procuram ampliar a distribuição internacional e conquistar consumidores interessados em vinhos com identidade própria.
Para Marion e Laurent, a agenda em São Paulo tem um objetivo comercial definido: estabelecer contatos com importadores e distribuidores e desenvolver caminhos para a entrada de seus produtos no continente sul-americano.
ProWine Forum destaca inovação, tecnologia e novas tendências
O ProWine Forum reuniu discussões sobre o futuro do setor de bebidas, com temas que vão da inovação na vitivinicultura às mudanças nos hábitos de consumo.
Entre os destaques estiveram as experiências da Cooperativa Vinícola Garibaldi, na Serra Gaúcha, com novas cultivares, e da vinícola UVVA, na Chapada Diamantina, que explora a influência da altitude, do clima, do solo e da ciência na produção de vinhos brasileiros.
A programação também abordou possíveis reflexos de mudanças no estilo de vida e do uso de medicamentos, como o Mounjaro, sobre o consumo de bebidas em restaurantes e adegas.
Outros assuntos incluíram tecnologia para rastreamento de produtos, prevenção de perdas em estoques de alto valor e novas interpretações de coquetéis clássicos.
A tradição também teve espaço. Representantes da região portuguesa do Tejo apresentaram suas variedades características, enquanto produtores da Toscana discutiram a relação entre herança histórica e inovação. O enólogo Aurelio Montes, por sua vez, revisitou 20 safras do vinho Purple Angel, destacando a influência do tempo na construção da identidade de um rótulo.
O conjunto de debates mostra como o mercado de bebidas combina experimentação, conhecimento técnico e valorização das origens para desenvolver produtos e experiências de consumo.
Chitãozinho & Xororó lançam linha de vinhos Obras de Poeta
A música brasileira também ganhou espaço na ProWine São Paulo 2026. A dupla Chitãozinho & Xororó lançou oficialmente a linha de vinhos Obras de Poeta, desenvolvida em parceria com a My Winery.
O projeto transforma o nome de uma das canções marcantes da trajetória dos artistas em uma coleção de vinhos brasileiros dividida em três categorias.
- Verso: proposta mais leve, voltada ao consumo cotidiano.
- Tom: rótulos com maior estrutura e personalidade.
- Alma: vinhos direcionados a ocasiões especiais.
A iniciativa aproxima dois universos associados à convivência e à memória afetiva: a música e o vinho.
Com mais de cinco décadas de carreira, Chitãozinho & Xororó levam sua identidade artística a uma nova categoria de produtos, buscando associar a experiência de consumo a momentos compartilhados entre familiares e amigos.
Guia Descorchados amplia a visibilidade dos produtores sul-americanos
A ProWine São Paulo também reúne empresas e instituições dedicadas à avaliação, divulgação e promoção dos vinhos.
O Guia Descorchados, referência no cenário latino-americano, participa como expositor da edição de 2026. A publicação apresenta um panorama da produção de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru e Uruguai, incluindo grandes vinícolas e pequenos produtores artesanais.
Publicado desde 1999, o guia degustou aproximadamente 3.800 rótulos para sua edição mais recente.
A presença da publicação reforça a importância da crítica especializada e da comunicação para aproximar produtores e consumidores, além de ampliar a visibilidade de regiões e vinhos que ainda buscam espaço em diferentes mercados.
Cachaça brasileira ganha novas interpretações na coquetelaria
A valorização de bebidas nacionais também esteve presente na programação. A ProWine São Paulo recebeu a etapa paulista do concurso Cachaça Classics Cocktails, que incentiva a criação de coquetéis com cachaça de alambique.
A competição reúne bartenders, produtores e profissionais do setor em torno de novas possibilidades de utilização do destilado brasileiro.
Depois de passar por diferentes estados do país e realizar etapas na Europa, o projeto chegou à feira com propostas autorais que exploram estilos, aromas e características da cachaça para além das receitas tradicionais.
A bartender Rosângela Ísis conquistou o primeiro lugar na etapa paulista.
O resultado reforça o potencial da cachaça para ocupar novos espaços na coquetelaria e ampliar sua presença em bares, restaurantes e experiências gastronômicas.
Exportações brasileiras de vinhos e espumantes crescem 23,73%
A internacionalização dos produtos brasileiros é uma das frentes comerciais da ProWine São Paulo 2026. Durante o evento, o Wines of Brazil participa do programa Exporta Mais Brasil, iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) voltada à aproximação entre empresas nacionais e compradores estrangeiros.
As rodadas de negócios envolvem representantes de oito mercados: Reino Unido, China, Suécia, Países Baixos, Rússia, Angola, México e Paraguai.
Os compradores demonstram interesse em diferentes categorias, incluindo vinhos, espumantes, bebidas artesanais, produtos premium, itens de pequenos produtores e suco de uva.
O Wines of Brazil é um projeto setorial desenvolvido pelo Consevitis-RS em parceria com a ApexBrasil. Seu objetivo é ampliar o acesso de empresas brasileiras a importadores e distribuidores internacionais.
Os dados apresentados indicam avanço das vendas externas. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de vinhos e espumantes somaram US$ 6,79 milhões, crescimento de 23,73% em relação ao mesmo período de 2025. O número de países de destino chegou a 79.
A diversificação de mercados é uma estratégia relevante para ampliar as oportunidades comerciais, reduzir a concentração das vendas e fortalecer a presença internacional dos produtos brasileiros.
Épice apresenta novos rótulos e acompanha mudanças no consumo
A distribuidora Épice criou a Casa da Épice durante a feira para aproximar clientes, parceiros e produtores em um ambiente dedicado à degustação e à apresentação de seu portfólio.
Na edição de 2026, a empresa reúne 12 marcas da Europa e da América do Sul, com a participação de produtores e executivos internacionais.
Entre as novidades apresentadas estão quatro rótulos que ilustram a diversidade de propostas disponíveis no mercado:
Viña Tarapacá Etiqueta Dorada: vinho chileno.
Mateus Vinho Verde: produto da Sogrape desenvolvido exclusivamente para o mercado brasileiro.
Catarina No Alcohol: rótulo sem álcool da Bacalhôa, alinhado ao interesse por alternativas de consumo.
Louis Roederer Collection 246: nova edição da tradicional maison de Champagne.
A seleção reúne propostas de diferentes origens e posicionamentos, refletindo a busca por novidades, a segmentação do público e a diversificação das experiências oferecidas aos consumidores.
Vinhos históricos resgatam tradições milenares
A história da vitivinicultura também ganhou destaque com a apresentação da Monte Dictis, que conduziu os visitantes por referências históricas da produção de vinhos na Grécia e no Chipre.
A degustação incluiu vinhos doces de Patras, rótulos da ilha de Santorini e o Commandaria, tradicional vinho cipriota cuja história remonta a aproximadamente 800 a.C.
Produzido com as variedades Xynisteri e Mavro, o Commandaria utiliza o método de amadurecimento Mana, no qual as barricas nunca são completamente esvaziadas. A técnica preserva parte dos vinhos anteriores e estabelece uma continuidade entre diferentes gerações de produção.
A apresentação contou com a presença do embaixador do Chipre no Brasil, Dr. Vasilios Philippou, reforçando a dimensão cultural e histórica do produto.
A iniciativa mostra que a diferenciação no mercado de vinhos não depende apenas de novas tecnologias ou tendências de consumo. A origem, os métodos de produção e a preservação de tradições também podem agregar valor e despertar o interesse de consumidores e profissionais.
ProWine São Paulo fortalece conexões e perspectivas para o setor
Os destaques do segundo dia da ProWine São Paulo 2026 mostram um mercado em transformação, no qual negócios, inovação, tradição e internacionalização caminham juntos.
O crescimento da participação estrangeira, a expansão das exportações brasileiras, a chegada de novos rótulos e o interesse por diferentes categorias de bebidas indicam oportunidades para empresas que buscam ampliar sua atuação.
Além das negociações realizadas durante o evento, a feira contribui para a circulação de conhecimento e para o desenvolvimento de relações comerciais que podem continuar depois do encerramento da programação.
Para o mercado brasileiro, o desafio está em converter esse interesse em negócios duradouros, ampliar o repertório dos consumidores e criar novas ocasiões de consumo.
A mensagem central da edição é clara: o crescimento do mercado de vinhos depende não apenas do desempenho individual das empresas, mas também da capacidade de toda a cadeia de construir oportunidades em conjunto.
Fonte: Portal do Agronegócio
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