Ensaio da DATAGRO aponta produtividade de 74 sacas de soja por hectare com OCC Black e ganho de 48% sobre a média regional
Teste realizado em Catanduva (SP), na safra 2023/24, registrou produtividade de 74,08 sacas por hectare com a combinação de OCC e OCC Black. Resultado foi 10,7% superior ao tratamento apenas com OCC e 48,16% acima da média regional utilizada como referência
Publicado em: 13/10/2026 às 11:20hs
Um ensaio conduzido pela DATAGRO, consultoria independente especializada no agronegócio, avaliou o desempenho das tecnologias OCC e OCC Black aplicadas no sulco de semeadura da soja durante a safra 2023/24. O experimento, realizado em Catanduva, no interior de São Paulo, registrou produtividade de até 74,08 sacas por hectare com a utilização conjunta dos produtos.
Os resultados foram divulgados pela Nutristrahl, distribuidora das tecnologias no Brasil, e indicam diferenças de produtividade entre os tratamentos avaliados. Enquanto a área que recebeu apenas OCC alcançou 66,9 sacas por hectare, a combinação de OCC com OCC Black chegou a 74,08 sacas por hectare.
A diferença corresponde a um acréscimo de 7,18 sacas por hectare, equivalente a um ganho de 10,7% em relação ao tratamento que utilizou somente OCC.
O ensaio também comparou os resultados com a produtividade média regional de 50 sacas por hectare na mesma safra. Nesse parâmetro, o tratamento com OCC ficou 33,8% acima da referência, enquanto a combinação com OCC Black apresentou desempenho 48,16% superior.
Produtividade da soja: o que os resultados mostram
Os números permitem analisar o desempenho das tecnologias sob duas perspectivas: a diferença entre os tratamentos realizados no mesmo ensaio e a comparação com a média de produtividade regional.
No primeiro caso, a comparação entre OCC e OCC Black evidencia a diferença observada com a inclusão do segundo produto, mantendo-se a mesma base de insumos. Já a referência regional ajuda a contextualizar a produtividade alcançada, embora não permita atribuir toda a diferença exclusivamente às tecnologias utilizadas.
Confira os principais resultados:
- OCC: produtividade de 66,9 sacas por hectare.
- OCC + OCC Black: produtividade de 74,08 sacas por hectare.
- Diferença entre os tratamentos: 7,18 sacas por hectare, ou 10,7%.
- Média regional de referência: 50 sacas por hectare.
- Desempenho do OCC frente à média regional: 33,8% superior.
- Desempenho da combinação frente à média regional: 48,16% superior.
De acordo com os valores apresentados pela empresa, a diferença de produtividade em relação à média regional representou uma receita bruta adicional estimada de R$ 2.237,56 por hectare no tratamento com OCC e de R$ 3.188,19 por hectare na combinação com OCC Black.
Esses valores correspondem a estimativas de receita bruta, não de lucro líquido. O resultado econômico efetivo depende de fatores como preço da soja, custos de produção, despesas de aplicação e investimento nas tecnologias.
Como foi realizado o ensaio com OCC e OCC Black
O experimento foi instalado em agosto de 2023, em Catanduva (SP), e teve a colheita realizada em fevereiro de 2024. A aplicação dos produtos ocorreu no sulco de semeadura, com equipamento equipado com bomba de 600 litros e vazão de 75 litros por hectare.
Os dois tratamentos utilizaram a mesma base de insumos, composta por inoculantes de Bradyrhizobium e Azospirillum, além dos agentes biológicos Bacillus subtilis e Trichoderma harzianum, aplicados nas mesmas doses.
A diferença entre as formulações avaliadas foi a seguinte:
- Primeiro tratamento: adição de OCC na concentração de 0,01% da calda.
- Segundo tratamento: adição de OCC a 0,01% e OCC Black a 0,1%.
As áreas experimentais foram distribuídas em três parcelas, sendo duas de 1.700 metros quadrados e uma de 1.300 metros quadrados. Foram considerados três pontos de amostragem por área.
Um aspecto importante é que o produtor optou por tratar todo o talhão, sem manter uma parcela testemunha sem a tecnologia. Por isso, a média regional de 50 sacas por hectare foi utilizada como referência externa, e não como um controle experimental realizado nas mesmas condições de solo, cultivar e manejo.
Essa distinção é relevante para interpretar os dados. A diferença de 10,7% entre os tratamentos foi observada dentro do ensaio, enquanto a comparação com a média regional também pode refletir diferenças de ambiente, fertilidade, cultivar e práticas agronômicas.
Qual é a função do OCC na cultura da soja?
Segundo a Nutristrahl, o OCC é um nanocarreador baseado em micelas lipídicas, desenvolvido para favorecer o transporte e o aproveitamento dos princípios ativos presentes na calda de aplicação.
O produto atua como um veículo para os insumos associados à formulação, buscando ampliar sua interação com a planta. Conforme a descrição da empresa, o OCC não apresenta ação fisiológica direta isoladamente: seu desempenho depende dos produtos e princípios ativos com os quais é utilizado.
Na prática, a proposta é melhorar o aproveitamento dos insumos já empregados no manejo da lavoura, incluindo soluções biológicas utilizadas na cultura da soja.
A eficiência desse tipo de tecnologia, entretanto, deve ser avaliada considerando as características dos produtos associados, as condições de aplicação e as respostas obtidas em cada sistema de produção.
OCC Black combina nanocarreador e componentes bioestimulantes
O OCC Black utiliza a mesma base de micelas lipídicas do OCC, mas incorpora outros componentes à formulação. De acordo com a Nutristrahl, entre eles estão ácidos húmicos e fúlvicos, aminoácidos e extratos de algas.
A proposta é combinar o potencial de transporte dos ativos com componentes que podem contribuir para respostas fisiológicas da planta.
Essa composição diferencia os dois produtos: enquanto o OCC tem como função principal atuar como carreador, o OCC Black acrescenta ingredientes associados à ação bioestimulante.
Na interpretação apresentada pela empresa, a combinação busca integrar o melhor aproveitamento dos insumos aplicados com efeitos adicionais relacionados à composição do OCC Black.
Os resultados observados no ensaio, porém, não devem ser automaticamente extrapolados para todas as regiões produtoras ou condições de cultivo. A confirmação do desempenho depende de avaliações em diferentes ambientes, cultivares, épocas de semeadura e programas de manejo.
Uso de biológicos amplia o interesse por tecnologias de aplicação
O ensaio utilizou inoculantes e agentes de controle biológico como parte da base dos tratamentos. Esse aspecto chama a atenção para tecnologias que buscam melhorar o aproveitamento dos insumos biológicos, segmento que integra as estratégias de manejo adotadas por produtores interessados em eficiência operacional e alternativas para a nutrição e a proteção das lavouras.
Na cultura da soja, a escolha e a combinação de inoculantes, bioinsumos e outras tecnologias precisam considerar a compatibilidade entre os produtos, as condições de aplicação e as recomendações técnicas de cada fabricante.
Por isso, testes conduzidos na própria propriedade podem ajudar a verificar a resposta agronômica e econômica antes de ampliar a adoção de uma tecnologia.
Segundo a Nutristrahl, a empresa recomenda a realização de testes na operação do produtor antes de indicar a utilização em escala comercial.
Resultados exigem avaliação econômica e validação em diferentes ambientes
A produtividade de 74,08 sacas por hectare registrada no ensaio representa um resultado relevante dentro das condições avaliadas. Ainda assim, a ausência de uma parcela testemunha sem tratamento limita a capacidade de determinar quanto do desempenho em relação à média regional pode ser atribuído exclusivamente aos produtos.
A comparação entre os dois tratamentos fornece uma referência mais direta sobre a diferença associada à inclusão do OCC Black, mas os resultados também precisam ser interpretados considerando o delineamento experimental e a variabilidade natural das lavouras.
Para o produtor, a decisão de adotar a tecnologia deve levar em conta não apenas a produtividade, mas também o custo por hectare, a receita obtida, a estabilidade dos resultados e a possibilidade de reprodução do desempenho em outras safras.
A Nutristrahl informou ainda que mantém ensaios conduzidos com participação da DATAGRO em outras culturas, incluindo cana-de-açúcar, café arábica e uva de mesa. A divulgação desses resultados está prevista para as próximas semanas, segundo a empresa.
E-book reúne ensaios com tecnologias para diferentes culturas
A empresa disponibiliza um e-book com informações sobre os ensaios relacionados às tecnologias OCC e OCC Black em soja, cana-de-açúcar, café e uva.
O material reúne resultados que podem auxiliar produtores e profissionais do agronegócio a conhecer as aplicações propostas e avaliar a pertinência das soluções para diferentes sistemas produtivos.
Antes de adotar qualquer tecnologia, a recomendação é analisar os dados técnicos disponíveis, verificar as condições em que os testes foram realizados e comparar os resultados com avaliações conduzidas na própria propriedade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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