Chuvas e granizo reduzem potencial da safra de trigo do RS em 2026, alerta Emater
Excesso de umidade, baixa luminosidade e ventos fortes prejudicam a produtividade e ameaçam a qualidade dos grãos no Rio Grande do Sul; cenário pode ampliar as importações de trigo pelo Brasil para até 9 milhões de toneladas.
Publicado em: 13/10/2026 às 11:50hs
As condições climáticas adversas registradas nas últimas semanas reduziram o potencial produtivo da safra de trigo do Rio Grande do Sul em 2026. De acordo com boletim semanal divulgado nesta quinta-feira pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar), a sequência de chuvas, a elevada umidade, a baixa luminosidade e a ocorrência de granizo e ventos fortes provocaram perdas nas lavouras e aumentaram as preocupações com a produtividade e a qualidade do cereal.
Os prejuízos foram observados principalmente nas regiões Centro-Oeste e Noroeste do Estado, onde os eventos meteorológicos provocaram acamamento das plantas, debulha de espigas e danos às estruturas reprodutivas em áreas atingidas por granizo.
Segundo a Emater, os impactos climáticos diminuíram as expectativas inicialmente projetadas para a safra gaúcha. Até o momento, porém, o órgão não divulgou uma nova estimativa de produção.
Safra de trigo do RS já tinha previsão de queda em 2026
O Rio Grande do Sul poderia assumir a liderança nacional na produção de trigo em 2026, com uma colheita estimada em 2,2 milhões de toneladas, conforme projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Mesmo antes dos danos climáticos mais recentes, o volume previsto representava uma redução de 36,8% em relação à temporada anterior. A retração estava associada principalmente à diminuição da área cultivada e às estimativas de menor produtividade.
A decisão dos produtores de reduzir o plantio foi influenciada pelas condições de mercado e pela cautela diante da possibilidade de ocorrência do El Niño, fenômeno climático que pode favorecer períodos de chuva excessiva na Região Sul do Brasil.
Com os novos prejuízos registrados no Rio Grande do Sul e também no Paraná, a oferta nacional de trigo poderá ficar ainda mais limitada durante o ciclo atual.
Importações brasileiras de trigo podem chegar a 9 milhões de toneladas
A redução da produção nos principais estados triticultores aumenta a necessidade de abastecimento por meio do mercado externo. Em manifestação divulgada nesta semana, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) informou que as importações brasileiras do cereal podem se aproximar de 9 milhões de toneladas no ciclo atual.
A estimativa supera a previsão inicial de 7,5 milhões de toneladas e reforça a perspectiva de maior dependência do trigo importado para atender à demanda da indústria nacional.
A Conab já havia sinalizado, em agosto, a possibilidade de importações elevadas. Caso as perdas nas lavouras se confirmem, a necessidade de compras externas poderá aumentar para compensar a redução da oferta doméstica.
O cenário merece atenção de produtores, cooperativas, moinhos e demais agentes da cadeia do trigo, uma vez que a disponibilidade do cereal influencia a dinâmica de abastecimento e os custos da indústria de alimentos.
Excesso de chuva também ameaça a qualidade do trigo
Além da redução do potencial produtivo, a continuidade das chuvas preocupa em relação à qualidade dos grãos nas áreas que estão em maturação.
De acordo com a Emater, a umidade elevada pode comprometer parâmetros importantes para a comercialização e o processamento industrial do trigo, especialmente o peso hectolitro (PH), indicador relacionado à massa e às características físicas dos grãos.
Outro ponto de atenção é a atividade enzimática associada à germinação pré-colheita, processo que pode ocorrer quando os grãos permanecem expostos à umidade antes de serem colhidos. Esse problema pode comprometer propriedades tecnológicas da matéria-prima utilizada na fabricação de farinha e derivados.
A persistência das condições úmidas também favoreceu a incidência de doenças fúngicas nas lavouras. Entre os problemas mencionados pela assistência técnica estão giberela, manchas foliares, ferrugens e oídio.
A intensidade dos danos dependerá das condições climáticas nas próximas etapas do ciclo, do estágio de desenvolvimento das plantas e da capacidade de realização da colheita no momento adequado.
Colheita do trigo avança no Rio Grande do Sul
Apesar das dificuldades provocadas pelo clima, a colheita começou a avançar no Estado. Conforme o boletim semanal da Emater, os trabalhos alcançaram 4% da área total cultivada com trigo.
A maior parte das lavouras encontra-se nas etapas finais do desenvolvimento. O levantamento indica que 60% das áreas estão em enchimento de grãos, enquanto 27% chegaram à fase de maturação.
Esses estágios são decisivos para a definição do rendimento final e das características comerciais do cereal. Por isso, a evolução do clima nas próximas semanas será determinante para dimensionar as perdas e avaliar os efeitos sobre a produção gaúcha.
Clima e produtividade mantêm o mercado de trigo em alerta
A combinação entre redução da área plantada, menor produtividade esperada e danos provocados pelas chuvas aumenta a incerteza sobre o resultado da safra de trigo do Rio Grande do Sul em 2026.
A ausência de uma nova projeção oficial da Emater impede, neste momento, quantificar o impacto total dos eventos climáticos sobre a produção estadual. Ainda assim, os problemas registrados nas lavouras reforçam a necessidade de acompanhar a evolução da colheita e os indicadores de qualidade dos grãos.
Para o mercado brasileiro, a principal consequência potencial é o aumento da necessidade de importação, em um cenário no qual a oferta nacional pode ficar abaixo das expectativas iniciais.
O desempenho da colheita gaúcha nas próximas semanas será fundamental para determinar o tamanho das perdas, a qualidade do trigo disponível e a necessidade de ampliar as compras externas para abastecer a indústria brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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