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Adubos e Fertilizantes

Fertilizantes mais caros reduzem margem do produtor rural e ameaçam rentabilidade das safras, alerta StoneX

Alta de até 70% na ureia e disparada no preço do enxofre elevam os custos de produção no Brasil. Conflito no Oriente Médio pressiona os fertilizantes importados, piora a relação de troca e aumenta os desafios para produtores de milho, soja e algodão.


Publicado em: 13/10/2026 às 11:30hs

Fertilizantes mais caros reduzem margem do produtor rural e ameaçam rentabilidade das safras, alerta StoneX

O aumento dos preços dos fertilizantes deve comprometer a rentabilidade de parte dos produtores rurais brasileiros, especialmente daqueles que adquiriram insumos durante os períodos de maior valorização. A avaliação é de Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, que aponta os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os custos de produção e o poder de compra no campo.

Durante o 9º Seminário StoneX, o especialista destacou que o Brasil não está imune às turbulências internacionais. A elevação dos preços das matérias-primas, somada ao encarecimento do transporte e da logística, pressiona os custos dos fertilizantes importados e reduz a margem financeira dos agricultores.

Preço da ureia dispara e piora a relação de troca no campo

Um dos principais indicadores da pressão sobre a rentabilidade agrícola é a relação de troca entre os produtos colhidos e os fertilizantes utilizados na lavoura. No caso do milho, a quantidade necessária para comprar uma tonelada de ureia praticamente dobrou nos momentos mais críticos do conflito.

Segundo Pernías, antes da escalada dos preços, o produtor precisava de aproximadamente 37 sacas de milho para adquirir uma tonelada de ureia. Nos períodos de maior pressão, essa quantidade chegou a 75 sacas.

Na prática, isso significa que o agricultor passou a precisar de muito mais produto para comprar a mesma quantidade de insumo, comprometendo o orçamento destinado à produção.

A deterioração dessa relação de troca também ajuda a explicar a retração da demanda brasileira por fertilizantes nitrogenados. No início de 2026, o país registrou redução nas importações de nitrogênio em comparação com o mesmo período de 2025, conforme os dados apresentados no seminário.

Fertilizantes nitrogenados acumulam fortes altas

O conflito no Oriente Médio elevou os custos de diferentes componentes utilizados na fabricação e na distribuição de fertilizantes. Entre os fatores de pressão estão o gás natural, o frete marítimo e o transporte rodoviário.

Esses aumentos atingem diferentes etapas da cadeia de abastecimento e chegam ao produtor rural por meio de preços mais elevados dos insumos.

Nos momentos mais críticos da escalada internacional, as valorizações dos principais nitrogenados alcançaram:

  • Ureia: alta de 70%;
  • Nitrato: aumento de 63%;
  • Sulfato de amônio: valorização de 40%.

O encarecimento desses produtos amplia o desafio de planejamento das safras, sobretudo para agricultores que precisam adquirir grandes volumes de fertilizantes e que enfrentam limitações para repassar os custos ao preço final de suas commodities.

Enxofre mais caro pressiona a produção nacional de fertilizantes

A pressão sobre os custos também alcança os fertilizantes fosfatados. O enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação desses produtos, acumulou valorização de aproximadamente 1.800% entre 2020 e 2026, segundo os dados citados pelo analista.

A disparada dos preços comprometeu a viabilidade econômica de parte da produção nacional. Algumas fábricas de superfosfato simples (SSP) chegaram a paralisar suas operações por não conseguirem absorver o aumento dos custos.

O cenário chama a atenção porque o Brasil depende de fornecedores externos para uma parcela expressiva dos fertilizantes utilizados na agricultura. Assim, mesmo quando há produção doméstica, o encarecimento de matérias-primas estratégicas pode reduzir a competitividade das indústrias nacionais.

Pernías ressaltou que a pressão sobre o enxofre atinge diretamente um segmento importante da produção brasileira de fertilizantes, ampliando os efeitos da instabilidade internacional sobre o abastecimento e os custos agrícolas.

Milho, soja e algodão enfrentam impactos diferentes

O aumento dos fertilizantes não afeta todas as culturas da mesma maneira. A rentabilidade depende de fatores como produtividade por hectare, preço de venda, tecnologia empregada, custo dos insumos e condições de comercialização.

Milho: margem cada vez mais apertada

Para o milho, o cenário é especialmente desafiador. Considerando uma produtividade de 110 sacas por hectare em uma lavoura de alto nível tecnológico, a conta econômica fica próxima do limite, de acordo com a avaliação de Pernías.

A combinação entre fertilizantes caros e a necessidade de obter preços remuneradores pela produção aumenta o risco de margens reduzidas. Nesse contexto, a eficiência no uso dos insumos e o planejamento comercial ganham importância para a viabilidade da safra.

Soja: reação dos preços oferece algum alívio

Na soja, a recuperação recente das cotações trouxe uma melhora moderada para a rentabilidade. A valorização do grão pode compensar parte do aumento dos custos de produção, embora não elimine a pressão exercida pelos fertilizantes.

O resultado final dependerá da evolução dos preços, da produtividade alcançada e do momento em que cada produtor conseguir comercializar sua produção.

Algodão: rentabilidade apresenta sinais de melhora

O algodão registrou rentabilidade positiva nos dois meses anteriores à avaliação apresentada no seminário, indicando uma perspectiva relativamente mais favorável para o setor.

Ainda assim, a continuidade dessa melhora dependerá das condições de mercado e da capacidade de os produtores administrarem os custos dos insumos, além dos preços obtidos na venda da pluma.

Comercialização será decisiva para proteger a margem agrícola

Diante da volatilidade internacional, o preço efetivamente obtido na venda da produção será determinante para o resultado financeiro das propriedades rurais.

Segundo Pernías, a rentabilidade dependerá das condições de comercialização dos grãos e dos preços que os agricultores conseguirem fixar. A avaliação reforça a importância de acompanhar o mercado, calcular os custos por hectare e avaliar as oportunidades de venda ao longo da safra.

Para os produtores, a gestão financeira passa a ter papel ainda mais estratégico. O acompanhamento da relação de troca, o planejamento das compras de fertilizantes e a análise dos preços futuros podem ajudar a reduzir a exposição a movimentos desfavoráveis do mercado.

Entretanto, a instabilidade geopolítica e seus reflexos sobre energia, matérias-primas e logística mantêm um ambiente de incerteza para o agronegócio brasileiro.

Perspectivas para o agronegócio brasileiro

A escalada dos custos dos fertilizantes evidencia a vulnerabilidade da produção agrícola nacional às oscilações do mercado internacional. Mesmo culturas com perspectivas positivas de preços podem enfrentar dificuldades quando os insumos avançam em ritmo superior ao das commodities agrícolas.

O cenário exige atenção redobrada ao planejamento da próxima safra, especialmente em relação ao custo de aquisição dos fertilizantes, à eficiência operacional e às estratégias de comercialização.

A avaliação da StoneX indica que uma recuperação consistente das margens dependerá não apenas do comportamento dos preços agrícolas, mas também da evolução dos custos de produção e dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Para o produtor rural, o principal desafio será equilibrar o custo dos insumos com o potencial de receita da lavoura, preservando a rentabilidade em um ambiente de elevada volatilidade internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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