Preços de legumes e ovos caem em julho, mas leite UHT sobe 4,1% no Brasil
Levantamento da Neogrid aponta alívio em alimentos importantes para o orçamento doméstico, enquanto leite, massas e produtos de limpeza ficam mais caros; no acumulado do ano, legumes ainda registram alta de 35,5%
Publicado em: 02/09/2026 às 10:10hs
Os preços de legumes, ovos e frango recuaram no Brasil em julho de 2026, contribuindo para aliviar parte das despesas das famílias com alimentação. O movimento, entretanto, não alcançou toda a cesta de consumo: leite UHT, massas alimentícias, molho de tomate e produtos de limpeza ficaram mais caros no período.
Os dados integram o levantamento “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid. Na comparação com junho, os legumes apresentaram a maior queda média nacional, de 9,8%, enquanto os ovos ficaram 5,3% mais baratos.
A redução acompanhou a desaceleração da inflação e o recuo dos preços da alimentação dentro do domicílio. Apesar da melhora mensal, algumas categorias ainda acumulam forte valorização em 2026, indicando que o orçamento das famílias permanece pressionado.
Legumes lideram queda dos preços em julho
Os legumes registraram redução média de 9,8% em julho, o recuo mais expressivo entre as categorias analisadas. A maior disponibilidade de produtos como tomate, cenoura e batata contribuiu para a queda dos preços observada no varejo.
Os ovos também apresentaram retração relevante, de 5,3%, favorecendo o consumidor depois de períodos marcados por custos elevados de produção e maior pressão sobre os preços das proteínas.
Outros produtos que ficaram mais baratos em julho foram:
- Xampu: queda de 4,9%;
- Frango: recuo de 2,4%;
- Sabonete: redução de 2,1%.
A diminuição dos preços de alimentos e itens de higiene pessoal representa um alívio pontual para as famílias, especialmente diante do peso dessas categorias nas compras recorrentes.
Leite UHT fica 4,1% mais caro
Enquanto legumes e ovos recuaram, o leite UHT apresentou a maior valorização mensal entre as categorias avaliadas pela Neogrid. O produto ficou 4,1% mais caro em julho na média nacional.
O aumento do leite merece atenção por causa de sua importância na alimentação e de sua presença em diferentes produtos da indústria, como queijos, iogurtes, manteiga e derivados.
Depois do leite UHT, as principais altas do mês foram registradas pelo detergente líquido, com avanço de 3%, e pelas massas alimentícias secas, que subiram 2,5%. A massa de tomate teve valorização de 2,4%.
Os resultados mostram que a desaceleração da inflação não ocorreu de maneira uniforme. Mesmo em um mês de alívio para parte dos alimentos, produtos essenciais continuaram pressionando o orçamento doméstico.
Inflação desacelera e alimentação no domicílio recua
O comportamento das categorias acompanhou a perda de força da inflação brasileira. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 0,16% em junho para 0,07% em julho, acumulando avanço de 3,44% nos primeiros sete meses de 2026.
A alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata em julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A redução foi influenciada principalmente pela queda dos preços de produtos hortifrutigranjeiros.
Legumes e verduras costumam apresentar variações expressivas ao longo do ano por causa de fatores como clima, oferta, sazonalidade, perdas na produção, logística e condições de comercialização. Dessa forma, quedas mensais acentuadas não significam necessariamente que os produtos estejam mais baratos no acumulado do ano.
Legumes ainda acumulam alta de 35,5% em 2026
Apesar da queda registrada em julho, os legumes continuam liderando a valorização acumulada entre dezembro de 2025 e julho de 2026. O preço médio da categoria passou de R$ 5,50 para R$ 7,45, crescimento de 35,5%.
O resultado demonstra que o recuo mensal ainda não foi suficiente para compensar as altas verificadas anteriormente. O feijão aparece logo depois, com valorização acumulada de 35% no período.
O leite UHT também mantém forte pressão no ano, com avanço de 28,1%. Completam a relação das maiores altas o pão, com aumento de 5,5%, e a farinha de mandioca, com valorização de 5,2%.
Preços no Sudeste apresentam diferenças mais acentuadas
Na região Sudeste, o leite UHT ficou 4,6% mais caro em julho, alta superior à média nacional de 4,1%. Massas alimentícias secas e carne suína avançaram 3,4%, mesmo percentual registrado pelo pão. Os biscoitos subiram 3,2%.
Em sentido contrário, os legumes recuaram 11,8% no Sudeste, queda mais intensa que a média brasileira de 9,8%. O xampu ficou 4,3% mais barato, enquanto a carne bovina apresentou redução de 3,5%.
O feijão caiu 3,3% na região e o sabonete recuou 2,6%. As diferenças mostram que o comportamento dos preços nacionais nem sempre representa integralmente a realidade encontrada pelo consumidor em cada mercado regional.
Variações regionais exigem atenção da indústria e do varejo
Segundo Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, o comportamento dos preços de alimentos, produtos de higiene e itens de limpeza varia significativamente entre as regiões brasileiras.
Para a indústria e o varejo, uma análise mais detalhada permite ajustar preços, promoções, abastecimento e composição do mix de produtos às características de cada mercado. A estratégia também pode ajudar a reduzir perdas e identificar mudanças no consumo das famílias.
O desafio, de acordo com o executivo, é avançar além das médias nacionais e acompanhar as particularidades regionais. Essa visão permite compreender com maior precisão quais categorias estão ganhando espaço e quais enfrentam resistência dos consumidores.
Queda mensal traz alívio, mas cesta ainda exige atenção
A redução dos preços de legumes, ovos, frango e itens de higiene trouxe algum alívio ao consumidor em julho. No entanto, a valorização do leite UHT, das massas e dos produtos de limpeza limitou o impacto positivo sobre o orçamento doméstico.
O cenário também permanece desafiador quando considerado o acumulado de 2026. Legumes, feijão e leite ainda apresentam aumentos expressivos, mesmo após as quedas mensais observadas em determinadas categorias.
Para os próximos meses, o comportamento dos preços dependerá da oferta agrícola, das condições climáticas, dos custos de produção, do transporte e da capacidade de consumo das famílias. A evolução desses fatores será decisiva para determinar se o alívio registrado em julho terá continuidade no varejo brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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