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Clima

Clima favorece colheita de milho e algodão, mas excesso de chuva eleva risco para o trigo

Tempo seco melhora a qualidade da fibra e acelera a retirada do milho segunda safra, enquanto umidade elevada aumenta a ameaça de doenças fúngicas nas lavouras de inverno do Sul


Publicado em: 02/09/2026 às 10:50hs

Clima favorece colheita de milho e algodão, mas excesso de chuva eleva risco para o trigo

As condições climáticas registradas em agosto favoreceram a maturação, a qualidade e a colheita de importantes culturas da safra brasileira 2025/26. O tempo seco predominante no Centro-Oeste, Sudeste e em parte do Matopiba beneficiou principalmente o milho segunda safra, o algodão e o feijão irrigado de terceira safra.

Em sentido contrário, o excesso de chuva, a elevada umidade e os períodos prolongados de baixa luminosidade ampliaram os riscos para os cultivos de inverno no Sul do Brasil, especialmente para as lavouras de trigo no Rio Grande do Sul.

O cenário consta no Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que analisou as principais regiões produtoras de grãos entre 1º e 24 de agosto.

Tempo seco acelera colheita no Centro-Oeste e Sudeste

Os maiores volumes de chuva ficaram concentrados no noroeste da Região Norte, no litoral leste do Nordeste e na Região Sul. Nas demais áreas do país, o predomínio do tempo firme favoreceu a secagem natural dos grãos e o avanço das máquinas no campo.

No Centro-Oeste e no Sudeste, as condições ajudaram a acelerar a colheita do milho segunda safra e contribuíram para preservar a qualidade da fibra do algodão. O clima também foi positivo para o feijão irrigado de terceira safra.

Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, chuvas esparsas mantiveram umidade suficiente no solo para o trigo que atravessa a fase de enchimento de grãos. Ao mesmo tempo, as precipitações não impediram a maturação e a colheita nas áreas mais adiantadas.

Colheita do milho segunda safra avança com alta produtividade

O milho segunda safra foi uma das culturas mais beneficiadas pelo clima durante agosto. Em Mato Grosso, os produtores concluíram a colheita com produtividade elevada, resultado atribuído às condições meteorológicas favoráveis e aos investimentos realizados nas lavouras.

Em Mato Grosso do Sul, o tempo firme permitiu recuperar parte do atraso nas operações. Os resultados obtidos no campo superaram as estimativas iniciais em diversas áreas produtoras.

No Paraná, o excesso de umidade limitou o ritmo dos trabalhos entre o fim de julho e o começo de agosto. Com a diminuição das chuvas a partir da metade do mês, a colheita voltou a avançar e alcançou 73% da área semeada.

Mato Grosso e Piauí registram bom desempenho do algodão

A colheita do algodão está avançada em Mato Grosso, com produtividade superior à registrada no ciclo anterior. O tempo seco também contribuiu para preservar a qualidade da fibra e facilitar as operações no campo.

No Piauí, os rendimentos superaram as projeções iniciais, sobretudo nas áreas irrigadas. Em Goiás, a colheita prosseguiu com boa qualidade da pluma, apesar dos efeitos das restrições hídricas observadas no sudoeste do estado durante a formação das maçãs.

No Matopiba — região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o clima favoreceu tanto a qualidade do algodão quanto a conclusão da colheita do milho segunda safra. Entretanto, permanecem as perdas provocadas pela falta de chuva durante o desenvolvimento do cereal.

Excesso de chuva aumenta ameaça às lavouras de trigo

Na Região Sul, os volumes elevados de chuva, a umidade persistente e a sequência de dias nublados podem ter causado danos pontuais aos cultivos de inverno. O maior alerta está no Rio Grande do Sul, onde as condições meteorológicas aumentaram a pressão de doenças e exigem monitoramento constante das lavouras.

Embora a umidade do solo seja favorável ao desenvolvimento do trigo em grande parte das áreas, o excesso de água e a baixa luminosidade podem comprometer o desempenho das plantas e a qualidade dos grãos.

No Paraná, houve uma leve piora nas condições das lavouras, mas a maior parte das áreas permanece em bom estado. A umidade elevada, contudo, favorece doenças fúngicas importantes, como oídio e giberela.

Em Mato Grosso do Sul, a brusone provocou perdas nas regiões Sul e de fronteira. As variedades com maior tolerância à doença, por outro lado, vêm apresentando rendimentos considerados satisfatórios.

Desenvolvimento do trigo supera ciclo anterior a partir de julho

No início do desenvolvimento das lavouras, o índice de vegetação da safra atual ficou abaixo do observado no ciclo anterior no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Segundo o monitoramento, o resultado esteve relacionado à redução da área semeada e ao maior escalonamento do plantio. A partir de julho, entretanto, o indicador passou a superar tanto o ciclo anterior quanto a média histórica na maior parte dos períodos analisados.

A recuperação foi impulsionada pelo bom estabelecimento das plantas e pela evolução satisfatória da cultura. A continuidade desse desempenho dependerá da distribuição das chuvas, da luminosidade e do controle de doenças até a conclusão do ciclo.

Restrição hídrica prejudica milho terceira safra no Nordeste

No Norte e no Nordeste, a distribuição irregular das chuvas provocou efeitos distintos sobre as lavouras. Em Roraima, o tempo seco reduziu a umidade do solo e pode ter limitado o crescimento de parte da soja e do milho terceira safra.

Na região do Sealba, formada por áreas de Sergipe, Alagoas e Bahia, as precipitações foram insuficientes para manter a umidade necessária às lavouras de feijão e milho em floração e enchimento de grãos. Para as áreas em maturação e colheita, porém, o tempo mais seco favoreceu os trabalhos.

Em Sergipe, a restrição hídrica causou perdas e levou produtores a destinarem muitas lavouras de milho à produção de silagem. Movimento semelhante ocorreu em Alagoas, onde algumas áreas também passaram a ser utilizadas para o pastejo bovino.

Na Bahia, a estiagem reduziu o potencial produtivo no nordeste do estado. Em contraste, as lavouras irrigadas do oeste baiano apresentam bom desenvolvimento.

Clima exige atenção redobrada na reta final da safra

O balanço climático de agosto indica cenário favorável para a conclusão da colheita do milho segunda safra e do algodão em importantes regiões produtoras. O tempo firme contribui para reduzir a umidade dos grãos, preservar a qualidade da produção e melhorar o rendimento das operações.

Para o trigo e outras culturas de inverno, entretanto, a elevada umidade no Sul mantém o risco fitossanitário no centro das atenções. O monitoramento frequente das lavouras será decisivo para identificar doenças precocemente e limitar possíveis perdas de produtividade e qualidade.

Boletim de Monitoramento Agrícola

Fonte: Portal do Agronegócio

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