Oferta restrita sustenta preços do trigo no Sul e produtores aguardam novas valorizações
Moinhos reforçam estoques no Rio Grande do Sul e no Paraná, enquanto baixa disponibilidade, custos elevados e riscos climáticos limitam os negócios com a nova safra
Publicado em: 02/09/2026 às 11:40hs
O mercado de trigo na Região Sul segue marcado por oferta restrita, negociações cautelosas e resistência dos produtores em aceitar os valores apresentados pelos compradores. A expectativa de preços mais elevados e as incertezas climáticas para a nova safra reduzem o ritmo das vendas, apesar da necessidade de recomposição dos estoques por parte de alguns moinhos.
Segundo análise da TF Agroeconômica, as referências internacionais continuam oferecendo sustentação às cotações. No Rio Grande do Sul, os preços relacionados ao mercado de Chicago equivalem a aproximadamente R$ 81 por saca, acima do custo estimado em R$ 77,19.
Diferença entre compradores e vendedores trava negócios no Rio Grande do Sul
No mercado gaúcho, compradores indicam valores entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB, dependendo da qualidade do cereal. Os produtores, entretanto, pedem entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada.
A diferença entre as ofertas e as pedidas limita a liquidez e aumenta a dificuldade dos moinhos para absorver e repassar os custos ao mercado de farinha.
A avaliação é de que as indústrias possuem trigo suficiente para atender às operações durante setembro e os primeiros dias de outubro. Mesmo assim, parte dos moinhos ainda busca volumes adicionais para formar estoques de segurança.
Em Panambi, a referência no mercado de balcão avançou para R$ 70 por saca, reforçando o movimento de valorização observado em algumas praças do estado.
Exportações de trigo permanecem pouco atrativas
As exportações seguem praticamente paralisadas. A indicação para embarques em dezembro está próxima de R$ 1.270 por tonelada no porto, patamar considerado insuficiente para estimular novas vendas ao exterior.
O trigo argentino, por sua vez, chega ao mercado gaúcho por aproximadamente R$ 1.586 por tonelada posto em Canoas. Esse valor limita a competitividade do produto importado e favorece a sustentação das cotações domésticas.
Risco climático reduz comercialização da nova safra gaúcha
Os negócios antecipados com o trigo da nova safra permanecem limitados no Rio Grande do Sul. Cerca de 60 mil toneladas teriam sido comercializadas até o momento, enquanto muitos produtores evitam assumir compromissos antes da colheita.
A postura cautelosa está relacionada principalmente aos riscos climáticos. As condições das lavouras nas próximas semanas serão determinantes para a produtividade, a qualidade dos grãos e a formação dos preços no mercado regional.
Trigo registra valorização em Santa Catarina
Em Santa Catarina, os preços pagos aos produtores avançaram em diferentes praças. Apesar da valorização, os moinhos permanecem abastecidos e relatam baixa demanda por farinha, fator que restringe uma recuperação mais intensa das cotações.
O trigo pão produzido no estado é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Também houve registro de operação com trigo branqueador a R$ 1.500 por tonelada FOB.
A qualidade do cereal continua sendo um dos principais critérios para a definição dos valores, especialmente diante das exigências das indústrias moageiras.
Moinhos do Paraná retomam compras para recompor estoques
No Paraná, a demanda por trigo e farinha apresentou melhora, levando alguns moinhos a retomar as compras para recomposição de estoques.
O trigo disponível da safra anterior é indicado próximo de R$ 1.500 por tonelada CIF moinho, mas a quantidade ofertada permanece reduzida. A baixa disponibilidade ajuda a sustentar os preços e limita o poder de negociação das indústrias.
Para a nova safra, as referências começam em torno de R$ 1.450 por tonelada FOB. Parte dos vendedores, contudo, prefere aguardar a evolução das lavouras e os possíveis impactos do El Niño antes de fechar novos contratos.
Oferta limitada deve continuar dando suporte às cotações
A combinação entre estoques ajustados, baixa disponibilidade de trigo nacional e resistência dos produtores tende a manter os preços sustentados no Sul do Brasil.
O comportamento do clima, a qualidade da nova safra, a demanda dos moinhos e a competitividade do trigo argentino serão os principais fatores para a formação das cotações nos próximos meses. Até que haja maior definição sobre a colheita, o mercado deve continuar operando com poucos negócios e forte seletividade entre compradores e vendedores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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