Publicidade
Logística e Transporte

Exportações de soja e milho crescem em 2026 e movimentam fretes nos principais corredores logísticos

Embarques de soja avançam 7,8% e os de milho aumentam 10,53% até julho, enquanto expansão do Arco Norte e demanda interna provocam oscilações no transporte rodoviário


Publicado em: 02/09/2026 às 10:40hs

Exportações de soja e milho crescem em 2026 e movimentam fretes nos principais corredores logísticos

As exportações brasileiras de soja e milho cresceram nos primeiros sete meses de 2026 e mantiveram aquecida a movimentação nos principais corredores logísticos do país. O avanço dos embarques foi acompanhado por oscilações nos preços dos fretes rodoviários, influenciados pela colheita da segunda safra, demanda interna, condições climáticas e disponibilidade de cargas.

De janeiro a julho, o Brasil exportou 82,9 milhões de toneladas de soja, volume 7,8% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025. Os embarques de milho alcançaram 9,8 milhões de toneladas, crescimento anual de 10,53%.

Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, liderou o volume destinado ao comércio exterior das duas commodities. Os dados fazem parte do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Fretes recuam na maioria das rotas de Mato Grosso

Os fretes rodoviários diminuíram em 18 das 25 rotas acompanhadas pela Conab em Mato Grosso durante julho. Na comparação com junho, as variações ficaram entre queda de 11% e alta de 4%.

O recuo ocorreu depois da elevação da demanda por transporte entre março e abril, período marcado pelo escoamento da safra de soja. Apesar da redução mensal, as cotações ainda partem de uma base elevada, reflexo da dinâmica produtiva da temporada 2025/26.

Além do comportamento da safra, a expansão do consumo interno de milho influencia o mercado de transportes. O avanço das indústrias de etanol de cereais e da produção de proteínas animais aumenta a movimentação do grão dentro do estado e altera a distribuição das cargas.

A ampliação da malha ferroviária mato-grossense também interfere na logística, criando novas alternativas para o escoamento das safras e reduzindo a dependência do transporte rodoviário em parte dos trajetos.

Mato Grosso do Sul registra queda mensal e alta anual

Em Mato Grosso do Sul, os preços dos fretes recuaram em diversas praças na comparação mensal. Em relação a julho de 2025, entretanto, houve aumento em 15 das 17 rotas pesquisadas.

A movimentação foi sustentada principalmente pelo transporte de milho em percursos de média e longa distância. As cargas foram direcionadas ao abastecimento de fábricas de ração, cooperativas agroindustriais e unidades produtoras de bioenergia.

O crescimento da demanda local pelo cereal amplia a competição por cargas e veículos, especialmente durante o avanço da colheita da segunda safra.

Fretes caem em Goiás, mas sobem até 32% no Distrito Federal

Goiás apresentou redução mensal e anual das cotações na maioria das rotas pesquisadas. O avanço irregular da colheita do milho segunda safra, condicionado pelas diferenças climáticas entre as regiões produtoras, influenciou a disponibilidade de cargas.

No Distrito Federal, o cenário foi oposto. Todas as rotas analisadas apresentaram valorização mensal e anual em julho. Na comparação com o mesmo mês de 2025, os aumentos variaram entre 9% e 32%.

Os preços mais elevados refletiram a intensificação da colheita do milho segunda safra e o aumento dos custos operacionais do transporte.

Fretes recuam na Bahia, Maranhão e Piauí

Na Bahia, os fretes ficaram até 8% mais baratos em julho, com redução na maioria das rotas. O movimento foi provocado pela diminuição dos estoques de soja, comum nesta época do ano, e pela queda dos preços de produtos como o milho.

Na comparação anual, porém, algumas rotas ainda apresentaram fretes até 16% superiores aos observados em julho de 2025.

No Maranhão, a redução da movimentação de soja e milho depois do pico de escoamento dos meses anteriores diminuiu a demanda por transporte agrícola e pressionou as cotações.

No Piauí, os fretes oscilaram entre queda de 12% e alta de 9%. Predominaram as reduções, influenciadas pela entressafra e por fatores sazonais do mercado regional.

Frete entre Campo Mourão e Paranaguá dispara 40%

No Paraná, a movimentação logística permaneceu aquecida pela colheita e comercialização do milho segunda safra. O destaque foi a rota entre Campo Mourão e o Porto de Paranaguá, onde os fretes avançaram cerca de 40%.

Além da demanda pelo transporte de milho, os embarques de soja contribuíram para aumentar a procura por caminhões no corredor paranaense.

Em São Paulo, as cotações das rotas com destino ao Porto de Santos apresentaram recuo em julho, mostrando menor pressão sobre a contratação de veículos.

Arco Norte concentra 46% das exportações de milho

Os portos do Arco Norte consolidaram sua importância no escoamento da produção agrícola brasileira. Entre janeiro e julho de 2026, esses terminais responderam por 46,12% das exportações nacionais de milho.

No caso da soja, o Arco Norte concentrou 39,03% dos embarques. Para o farelo de soja, a participação chegou a 12,28%.

A expansão dessa estrutura logística reduz as distâncias percorridas pela produção do Centro-Oeste até os portos, especialmente para os grãos originados em Mato Grosso. O corredor também diminui parte da pressão historicamente concentrada nos terminais das regiões Sul e Sudeste.

Porto de Santos mantém liderança no farelo de soja

O Porto de Santos permaneceu como o segundo principal corredor para a exportação de soja e milho. O complexo paulista respondeu por 22,27% dos embarques do cereal e por 35,74% dos volumes da oleaginosa.

No farelo de soja, Santos manteve a liderança nacional, concentrando 43,79% das exportações brasileiras realizadas nos primeiros sete meses do ano.

Os números evidenciam a complementaridade entre os terminais tradicionais e os portos do Arco Norte na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio.

Importações de fertilizantes caem 7,48%

As importações brasileiras de fertilizantes totalizaram 22,4 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026. O volume ficou aproximadamente 7,48% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

A redução influencia a movimentação portuária e o fluxo de retorno dos caminhões que transportam grãos para os terminais exportadores. Em diversas rotas, os fertilizantes funcionam como carga de retorno para os veículos, ajudando a melhorar a eficiência logística e a composição dos custos.

Logística ganha importância na rentabilidade dos grãos

O crescimento das exportações confirma a força da soja e do milho brasileiros no mercado internacional, mas também amplia a necessidade de investimentos em transporte, armazenagem e infraestrutura portuária.

As fortes diferenças observadas entre estados e rotas mostram que o preço do frete depende não apenas do volume produzido, mas também do calendário de colheita, da demanda industrial, da oferta de caminhões, das condições das estradas e da disponibilidade de ferrovias e hidrovias.

Com o avanço do consumo interno de milho e a expansão das exportações, a eficiência logística deverá continuar determinante para a competitividade dos grãos brasileiros e para a rentabilidade dos produtores na safra 2026/27.

Boletim Logístico - Agosto/2026

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias