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Análise de Mercado

Petróleo oscila perto de US$ 100 com escalada da guerra no Oriente Médio e risco ao abastecimento global

Conflito entre Estados Unidos, Irã e grupos aliados amplia tensão sobre rotas estratégicas de exportação, mantém prêmio de risco elevado e sustenta perspectiva de combustíveis mais caros no mercado internacional.


Publicado em: 24/07/2026 às 11:45hs

Petróleo oscila perto de US$ 100 com escalada da guerra no Oriente Médio e risco ao abastecimento global

O mercado internacional de petróleo segue em estado de alerta diante da intensificação dos confrontos no Oriente Médio. Depois de uma sequência de cinco sessões consecutivas de forte valorização, as cotações passaram por uma realização de lucros, mas continuam próximas da marca de US$ 100 por barril, refletindo o elevado risco geopolítico e as incertezas sobre o abastecimento global de energia.

Mesmo com o recuo observado nesta sexta-feira (24), especialistas avaliam que o cenário permanece extremamente sensível. A continuidade dos ataques militares, o aumento das restrições às exportações da região e as ameaças a importantes corredores marítimos mantêm um significativo prêmio de risco incorporado aos preços.

Guerra entre EUA e Irã amplia tensão no mercado de petróleo

A nova escalada militar elevou as preocupações dos investidores após os Estados Unidos ampliarem sua ofensiva contra alvos estratégicos iranianos.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), uma nova rodada de ataques atingiu instalações de armazenamento de mísseis e drones, sistemas de defesa aérea, capacidades marítimas e estruturas de vigilância costeira do Irã. As operações já se estendem por quase duas semanas consecutivas.

O governo norte-americano afirma que as ações têm como objetivo reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais e garantir a segurança das rotas marítimas internacionais. Além disso, Washington informou que mantém mais de 50 mil militares mobilizados no Oriente Médio, reforçando sua presença na região.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã declarou ter realizado ataques contra equipamentos militares americanos instalados na Jordânia e também contra bases dos Estados Unidos no Kuwait.

Ataques no Mar Vermelho elevam preocupação com oferta global

Outro fator que mantém o mercado em alerta é a atuação dos Houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen.

Os rebeldes afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ampliando os riscos para o transporte internacional de petróleo.

O mercado acompanha ainda a possibilidade de novas restrições em dois dos principais corredores marítimos do planeta:

  • Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo;
  • Estreito de Bab-el-Mandeb, passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico, utilizada para o escoamento da produção destinada principalmente aos mercados asiáticos.

Qualquer interrupção nessas rotas pode reduzir significativamente a oferta global e provocar novas altas nas cotações internacionais.

Mercado realiza lucros, mas tendência segue de preços elevados

De acordo com Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a queda registrada nesta sexta-feira representa principalmente um movimento técnico após a expressiva valorização acumulada nos últimos dias.

O contrato mais negociado do Brent recuava cerca de 2,3%, sendo negociado próximo de US$ 97 por barril.

Segundo o especialista, outro fator que contribuiu para o ajuste foi o aumento do número de embarcações cruzando o Estreito de Bab-el-Mandeb, reduzindo momentaneamente parte das preocupações sobre o fluxo marítimo.

Mesmo assim, os fundamentos continuam pressionando o mercado.

"O volume de petróleo e derivados exportado pelos países do Oriente Médio permanece reduzido. Além disso, as restrições sobre os produtos embarcados pela Arábia Saudita através do Porto de Yanbu reforçam um ambiente de preços elevados", avalia Bruno Cordeiro.

Diesel e gasolina podem subir ainda mais

Os derivados vêm apresentando desempenho ainda mais forte que o próprio petróleo.

Segundo a StoneX, os estoques globais de diesel e gasolina continuam em níveis historicamente baixos, aumentando a preocupação com a capacidade mundial de refino.

Esse cenário tende a sustentar preços elevados dos combustíveis, principalmente caso o conflito continue afetando a logística internacional.

Para países importadores ou que acompanham as cotações internacionais, como o Brasil, movimentos prolongados de alta no petróleo podem pressionar os custos dos combustíveis, do transporte de cargas, dos fertilizantes e, consequentemente, diversos segmentos do agronegócio.

Mercado monitora próximos passos da crise

Além dos desdobramentos militares, investidores acompanham atentamente as declarações do governo americano.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a pressão sobre o Irã continuará aumentando até que o país aceite um acordo de paz e cumpra seus compromissos internacionais.

Enquanto não houver sinais concretos de redução das tensões, o mercado deve continuar precificando elevados riscos geopolíticos. Com a oferta global ameaçada, gargalos logísticos nas principais rotas marítimas e estoques reduzidos de combustíveis, analistas avaliam que a volatilidade permanecerá elevada e que o petróleo poderá voltar rapidamente a testar — ou superar — a marca de US$ 100 por barril caso o conflito se intensifique ainda mais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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