Petróleo cai pela terceira sessão seguida com expectativa de acordo entre EUA e Irã; bolsas globais operam com cautela
Brent recua para a faixa de US$ 86 por barril enquanto investidores reduzem o prêmio de risco geopolítico; mercados acompanham negociações diplomáticas, decisões de bancos centrais e temporada de balanços corporativos.
Publicado em: 28/07/2026 às 11:14hs
O mercado internacional de petróleo voltou a registrar queda nesta terça-feira (28), ampliando as perdas pela terceira sessão consecutiva. O contrato mais negociado do petróleo Brent recua cerca de 2% e permanece próximo de US$ 86 por barril, refletindo a redução do prêmio de risco geopolítico diante das expectativas de retomada das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã.
O movimento ocorre após novas sinalizações do presidente norte-americano, Donald Trump, demonstrando confiança na reabertura do diálogo com Teerã. A perspectiva de um avanço nas conversas diminui, ao menos temporariamente, os receios sobre interrupções prolongadas na oferta mundial de petróleo.
Mercado reduz prêmio de risco
Segundo Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o mercado continua priorizando o cenário diplomático em detrimento das restrições logísticas observadas no Oriente Médio.
"O petróleo recua pela terceira sessão consecutiva. O contrato mais ativo do Brent opera com queda próxima de 2%, na faixa de US$ 86 por barril. O mercado segue reagindo às expectativas de uma possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto permanece relativamente otimista quanto à abertura de uma nova rodada de conversas entre Washington, Teerã e os mediadores das negociações."
Apesar da melhora no sentimento dos investidores, os fluxos físicos pelo Estreito de Ormuz continuam bastante reduzidos.
O número de navios que atravessam uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo permanece significativamente abaixo do registrado após o memorando de entendimento firmado em meados de junho. Ainda assim, essa restrição logística não vem sendo incorporada aos preços internacionais da commodity, indicando que o mercado considera maior a probabilidade de uma solução diplomática do que de uma escalada militar no curto prazo.
Bolsas globais acompanham cenário externo
A queda do petróleo contribui para aliviar parte das preocupações inflacionárias, fator que normalmente favorece os mercados acionários. Entretanto, o ambiente internacional segue marcado por elevada cautela.
Na Europa, os principais índices operam próximos da estabilidade, enquanto investidores aguardam decisões de política monetária e acompanham a divulgação dos balanços das grandes empresas globais. Na Ásia, o pregão foi predominantemente negativo, pressionado pelas incertezas envolvendo o setor de tecnologia e pela expectativa em torno das próximas decisões dos principais bancos centrais.
Em Wall Street, o foco permanece dividido entre a temporada de resultados corporativos, os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos e a evolução das negociações envolvendo o Oriente Médio.
Ibovespa acompanha o humor externo
No Brasil, o Ibovespa também segue sensível ao comportamento dos mercados internacionais. O recuo do petróleo tende a limitar o desempenho das ações do setor de óleo e gás, especialmente Petrobras, ao mesmo tempo em que reduz pressões sobre expectativas inflacionárias e pode favorecer setores ligados ao consumo e aos juros domésticos.
Além do cenário externo, investidores monitoram indicadores econômicos nacionais, o comportamento do dólar e as perspectivas para a política monetária brasileira, fatores que continuam determinando o fluxo de capital para a B3.
Mercado segue atento ao Oriente Médio
Embora o petróleo acumule três sessões consecutivas de queda, analistas alertam que a volatilidade permanece elevada.
Qualquer mudança nas negociações entre Estados Unidos e Irã, novos episódios envolvendo o Estreito de Ormuz ou alterações no fluxo global de petróleo podem provocar rápidas mudanças na direção dos preços da commodity.
Por enquanto, porém, prevalece entre os investidores a percepção de que uma solução diplomática continua sendo o cenário mais provável, reduzindo o prêmio de risco incorporado às cotações internacionais do petróleo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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