Óleo de soja sobe 2,13% nos EUA, enquanto óleo de palma recua após forte valorização
Mercado de óleos vegetais enfrenta volatilidade com incertezas sobre biocombustíveis, isenções para refinarias norte-americanas e sinais de menor demanda entre países importadores
Publicado em: 09/09/2026 às 10:35hs
O mercado internacional de óleos vegetais encerrou a última semana com movimentos distintos. Enquanto o óleo de soja avançou nos Estados Unidos, sustentado pela expectativa de aumento das metas de biocombustíveis, o óleo de palma devolveu parte dos ganhos acumulados no período anterior.
Segundo análise da StoneX, as negociações foram marcadas por forte volatilidade, especialmente no mercado norte-americano. Os investidores continuam atentos às decisões da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) sobre as metas de combustíveis renováveis e as isenções concedidas a pequenas refinarias.
Óleo de soja avança 2,13% na semana
O contrato do óleo de soja com vencimento em dezembro encerrou o período cotado a 71,06 centavos de dólar por libra-peso, com valorização semanal de 2,13%.
Apesar do resultado positivo, as cotações apresentaram oscilações expressivas. Na segunda-feira, 24 de agosto, os contratos recuaram mais de 300 pontos diante de rumores de que as isenções destinadas às pequenas refinarias, conhecidas pela sigla SREs, poderiam superar o volume esperado pelo mercado.
Essas autorizações permitem que determinadas refinarias sejam dispensadas, parcial ou integralmente, do cumprimento das obrigações federais de mistura de combustíveis renováveis. Por esse motivo, uma ampliação das isenções poderia reduzir a demanda por matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel, entre elas o óleo de soja.
Metas de biocombustíveis impulsionam recuperação
Parte das perdas foi revertida na sexta-feira, 28 de agosto, quando o óleo de soja avançou 3,80% em uma única sessão.
A recuperação ocorreu em meio às especulações de que o governo dos Estados Unidos poderá elevar em aproximadamente 500 milhões de galões as metas de biocombustíveis para 2027. Caso seja confirmada, a medida poderá compensar parte da demanda potencialmente perdida com as isenções concedidas às pequenas refinarias.
A expectativa de metas mais elevadas favorece o óleo de soja porque amplia a perspectiva de consumo do produto pelo setor de combustíveis renováveis. Com isso, decisões regulatórias da EPA passaram a exercer influência direta sobre as cotações e a elevar a volatilidade do mercado.
Óleo de palma recua após alta de 6,3%
O óleo de palma apresentou movimento contrário. O contrato com vencimento em novembro de 2026 terminou a semana negociado a US$ 1.227,90 por tonelada, acumulando queda de 0,91%.
O recuo representou uma realização parcial dos lucros após a valorização de 6,3% registrada na semana anterior. Investidores aproveitaram os preços mais elevados para ajustar posições, enquanto avaliavam a combinação entre fundamentos favoráveis à commodity e sinais de demanda mais moderada entre os principais países importadores.
Embora o cenário de oferta ainda ofereça sustentação às cotações, a percepção de menor procura limitou a continuidade da alta. O mercado permanece sensível às compras internacionais, à produção dos principais países exportadores e ao comportamento dos estoques.
Feriado interrompe negociações na Malásia
Na segunda-feira, 31 de agosto, a bolsa da Malásia permaneceu fechada devido a um feriado nacional. O país ocupa posição estratégica na produção e na exportação mundial de óleo de palma, fazendo com que as cotações locais sejam uma referência para todo o mercado internacional.
A interrupção das negociações reduziu temporariamente a formação de preços do produto, mas não eliminou as incertezas relacionadas à demanda e à evolução da oferta.
Mercado deve continuar atento às decisões dos Estados Unidos
Nas próximas sessões, a política norte-americana de biocombustíveis deverá permanecer como um dos principais fatores de influência sobre o óleo de soja. A confirmação de metas mais ambiciosas para 2027 poderá ampliar a demanda e oferecer suporte adicional às cotações.
Por outro lado, um número elevado de isenções para pequenas refinarias poderá neutralizar parte desse efeito. No óleo de palma, o mercado seguirá acompanhando o ritmo das exportações, os estoques e a disposição de compra dos principais importadores.
Esse conjunto de fatores mantém elevada a possibilidade de novas oscilações no mercado de óleos vegetais, com reflexos sobre as cadeias de alimentos, biocombustíveis, soja e demais commodities agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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